Perfis Botânicos

Cordia sinensis (Cordia-Cinza): Perfil Botânico Completo

Por Conselho Editorial5 Min de Leitura
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A Cordia sinensis é um arbusto ou pequena árvore das regiões áridas da África e da Ásia tropical, adaptado a condições extremas de seca e calor. Pertence à família Boraginaceae, a mesma família botânica da borragem e do confrei. Esta página é um perfil botânico aprofundado da espécie, focado em taxonomia formal, identificação morfológica, ecologia de zonas áridas, espécies relacionadas do gênero Cordia, conservação e fitoquímica.

Sumário do Artigo
  1. Taxonomia Formal da Cordia sinensis
  2. Identificação Botânica Detalhada
  3. Cultivo Técnico Detalhado
  4. Outras Espécies do Gênero Cordia de Zonas Áridas
  5. Geografia e Distribuição
  6. Fitoquímica Principal
  7. Pragas e Doenças Comuns
  8. Conservação e Status Ambiental
  9. História Botânica
  10. Identificação Visual

Taxonomia Formal da Cordia sinensis

A Cordia sinensis pertence à família Boraginaceae (sensu APG IV). A classificação completa segue abaixo:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta (angiospermas)
  • Classe: Magnoliopsida (dicotiledôneas)
  • Ordem: Boraginales
  • Família: Boraginaceae
  • Subfamília: Cordioideae
  • Gênero: Cordia (com aproximadamente 300 espécies aceitas)
  • Espécie: Cordia sinensis Lam., 1791

Sinônimos Taxonômicos Históricos

  • Cordia gharaf (Forssk.) Ehrenb. ex Asch.
  • Cordia nevillii Retz. ex DC.
  • Cordia rothii Roem. & Schult.
  • Varronia sinensis (Lam.) Kuntze

O nome genérico Cordia homenageia Valerius Cordus (1515-1544), botânico e farmacêutico alemão. O epíteto sinensis pode causar confusão, pois a espécie não é nativa da China: Lamarck atribuiu esse nome baseado em material cultivado descrito como proveniente da Ásia, mas a distribuição nativa centra-se na África e na Índia.

Identificação Botânica Detalhada

Morfologia Geral

A Cordia sinensis é um arbusto ou pequena árvore semidecídua a decídua, atingindo 2 a 7 metros de altura. Possui copa arredondada e irregular, caules frequentemente tortuosos e casca cinza-escura e fissurada. A planta é altamente xerófita, tolerando precipitações tão baixas quanto 100 milímetros anuais.

Folhas

  • Comprimento: 2 a 6 centímetros
  • Cor: verde-acinzentada, coriácea
  • Forma: ovadas a elípticas, com ápice arredondado a emarginado
  • Indumento: superfície áspera (escabra), com tricomas estrelados na face inferior
  • Largura: 1,5 a 4 centímetros
  • Margem: inteira a ondulada
  • Pecíolo: curto, 3 a 10 milímetros

Flores

  • Cálice: tubuloso, persistente, pubescente
  • Cor: branca a creme-amarelada
  • Diâmetro: 5 a 10 milímetros
  • Floração: após as chuvas, com possibilidade de floração múltipla ao longo do ano
  • Forma: infundibuliforme, com 4 a 5 lobos
  • Inflorescência: cimeiras terminais compactas
  • Polinização: entomófila (abelhas e pequenos insetos)

Frutos e Sementes

  • Cor: alaranjado a amarelo-escuro quando maduro
  • Diâmetro: 6 a 12 milímetros
  • Formato: drupa ovoide, envolta pelo cálice acrescente
  • Polpa: mucilaginosa e adocicada (comestível, consumida fresca em comunidades locais)
  • Sementes: 1 a 2, duras

Cultivo Técnico Detalhado

Requisitos Edafoclimáticos

  • Altitude: do nível do mar até 1.800 metros
  • Luminosidade: sol pleno obrigatório
  • Pluviosidade: 100 a 600 milímetros anuais. Uma das Cordia mais tolerantes à seca extrema
  • Solo: tolera solos arenosos, pedregosos, alcalinos e salinos. Extremamente pouco exigente em fertilidade
  • Temperatura: tropical árida a semiárida. Tolera temperaturas acima de 45ºC. Não tolera geadas

Propagação

  • Estacas: estacas lenhosas enraízam em 45 a 90 dias
  • Sementes: germinação em 10 a 21 dias após escarificação mecânica ou ácida do tegumento duro

Outras Espécies do Gênero Cordia de Zonas Áridas

  • Cordia lutea Lam.: análoga sul-americana com flores amarelas, dos bosques secos do Peru e Equador
  • Cordia myxa L.: espécie asiática e africana com frutos mucilaginosos maiores, cultivada como árvore frutífera e medicinal
  • Cordia ovalis R. Br.: espécie australiana de zonas áridas

Geografia e Distribuição

A Cordia sinensis possui distribuição afro-asiática ampla:

  • África: toda a faixa saariana e subsaariana, do Senegal ao Corno da África (Etiópia, Somália, Quênia, Tanzânia). Componente frequente da vegetação de savana árida e matorral espinhoso
  • Ásia: Índia (Rajastão, Gujarat, Tamil Nadu), Paquistão, Arábia Saudita, Iêmen, Omã. Elemento frequente da vegetação de Thar e savanas indianas

No Brasil, a espécie não é nativa, mas pode ser cultivada experimentalmente em regiões semiáridas do Nordeste.

Fitoquímica Principal

  • Alcaloides pirrolizidínicos: em baixas concentrações
  • Flavonoides: quercetina, canferol, rutina
  • Mucilagens: abundantes nos frutos
  • Saponinas: presentes nas folhas e casca
  • Taninos: 4% a 8% nas folhas secas
  • Terpenos: ácido ursólico, ácido oleanólico

Pragas e Doenças Comuns

  • Broca-do-Caule: larvas de coleópteros perfuram troncos de árvores velhas
  • Cochonilhas: infestam ramos em plantações densas
  • Podridão Radicular: em solos encharcados (condição atípica para a espécie)

Conservação e Status Ambiental

A Cordia sinensis não está classificada como ameaçada globalmente:

  • Degradação de Habitat: a expansão agrícola e o pastoreio excessivo em zonas áridas africanas e asiáticas reduzem populações naturais
  • Sistemas Agroflorestais: valorizada em programas de reflorestamento em zonas áridas por sua tolerância extrema à seca e capacidade de fornecer sombra, forragem e frutos
  • Uso Tradicional: comunidades pastoris da África Oriental (Maasai, Turkana, Somali) utilizam frutos como alimento e folhas como forragem para caprinos

História Botânica

A Cordia sinensis foi descrita formalmente por Jean-Baptiste Lamarck em 1791. O epiteto “sinensis” é uma atribuição geográfica incorreta de Lamarck, pois a espécie não ocorre na China. A distribuição real centra-se na África e no sul da Ásia. Apesar do equívoco nomenclatural, o nome é mantido por prioridade taxonômica.

A espécie é conhecida por diversos nomes populares conforme a região: “gharaf” no Sudão, “lattan” no Rajastão (Índia), “marer” na Somália e “mkamasi” na Tanzânia.

Identificação Visual

  • Cordia lutea: flores amarelas (não brancas), folhas maiores e menos coriáceas, distribuição sul-americana
  • Cordia myxa: porte maior (até 12 metros), folhas maiores e mais largas, frutos maiores e mais suculentos
  • Ziziphus mauritiana (Jujuba): arbusto espinhoso de zonas áridas semelhantes, mas com espinhos pareados e folhas com 3 nervuras basais. Família Rhamnaceae

Referências e Estudos Científicos

4 Referências Citadas

Baseado em 4 Referências Citadas (1 Peer-Reviewed, 3 Complementares).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)

  1. DOI2009 Ata, A., et al. Phytochemical and biological studies on Cordia sinensis. Natural Product Research, 23(16), 1418-1425. 2009.

Leituras Complementares (3)

  1. 2004 Arbonnier, M. Trees, Shrubs and Lianas of West African Dry Zones. CIRAD, Margraf, MNHN. 2004.
  2. 1994 Beentje, H. J. Kenya Trees, Shrubs and Lianas. National Museums of Kenya. 1994.
  3. Lamarck, J.-B. Encyclopédie Méthodique, Botanique. Paris. 1791.

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