Plantas Medicinais

Erva-de-Santa-Maria (Mastruz): Para Que Serve e Riscos

A erva-de-Santa-Maria (mastruz) é conhecida como vermífugo tradicional, mas é uma planta tóxica que exige cuidado real. Veja para que serve, como preparar com segurança e quando evitar o uso.

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Dysphania ambrosioides / Chenopodium ambrosioides - ERVA-DE-SANTA-MARIA
Erva-de-santa-maria (Dysphania ambrosioides) em seu ambiente natural, destacando suas folhas características e flores agrupadas no centro da planta medicinal.

Dysphania ambrosioides (ainda citada em muitos estudos pelo nome antigo Chenopodium ambrosioides), é uma planta herbácea da família Amaranthaceae, nativa da América Central e do Sul e hoje espalhada por diversas regiões do mundo. Também chamada de mastruz, mentruz ou apazote, ela é reconhecida por um cheiro forte e pungente e por um longo histórico de uso como vermífugo na medicina popular latino-americana.

É também, e isso importa tanto quanto os usos tradicionais, uma planta genuinamente tóxica. A margem entre a quantidade usada tradicionalmente e a quantidade que causa intoxicação é estreita, o que torna informação sobre dose e contraindicação tão central neste texto quanto os benefícios estudados.

Dysphania ambrosioides, a erva-de-Santa-Maria, planta com folhas lanceoladas e cheiro forte

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Erva-de-Santa-Maria
  2. Para Que Serve a Erva-de-Santa-Maria
  3. O Composto por Trás da Toxicidade: o Ascaridol
  4. O Que a Ciência Diz Sobre a Erva-de-Santa-Maria
  5. Propriedades Medicinais da Erva-de-Santa-Maria
  6. Como a Planta É Usada Tradicionalmente
  7. Modo de Preparo do Chá de Erva-de-Santa-Maria
  8. Uso Culinário da Erva-de-Santa-Maria
  9. Efeitos Colaterais, Toxicidade e Contraindicações
  10. História e Curiosidades sobre a Erva-de-Santa-Maria
  11. Perguntas Frequentes sobre a Erva-de-Santa-Maria

O Que É a Erva-de-Santa-Maria

A planta é herbácea, anual ou perene de vida curta, podendo atingir cerca de um metro de altura, com folhas lanceoladas verde-escuras e pequenas flores agrupadas em inflorescências densas. Pertence à mesma família do amaranto (Amaranthaceae) e cresce espontaneamente em terrenos baldios, quintais e beiras de estrada, favorecida por solos ricos em nitrogênio. Seu cheiro pungente, quase mentolado, com uma nota que lembra gasolina, é a forma mais confiável de reconhecê-la no campo: folhas amassadas liberam esse aroma de imediato.

Os astecas já conheciam a planta como “epazotl”, nome em náuatle que significa “erva de cheiro forte”, e a usavam principalmente como vermífugo, um dos usos que atravessou séculos e chegou ao Brasil. Aqui, a erva-de-Santa-Maria está incluída na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) como objeto de estudo para o desenvolvimento de fitoterápicos regulamentados, não como indicação de uso caseiro livre. Por crescer sem cultivo intencional em muitos quintais brasileiros, seu consumo tende a ser feito sem controle real de dose, o que reforça a importância de tratá-la com o mesmo cuidado dado a um fitoterápico regulamentado.

Para Que Serve a Erva-de-Santa-Maria

Na medicina tradicional, a erva-de-Santa-Maria é usada sobretudo como vermífugo, para o controle de parasitas intestinais como lombrigas e ancilostomídeos. A planta não mata os vermes diretamente: o composto ascaridol, presente em seu óleo essencial, os paralisa, facilitando sua expulsão pelo organismo.

Além do uso antiparasitário, o chá das folhas é tradicionalmente associado a alívio de indigestão, gases e cólicas, graças a suas propriedades carminativas. A inalação do vapor das folhas também é um recurso popular contra tosse e congestão respiratória, embora, como será detalhado adiante, a inalação do óleo essencial concentrado ofereça risco real de toxicidade.

O Composto por Trás da Toxicidade: o Ascaridol

O principal responsável tanto pela atividade vermífuga quanto pela toxicidade da erva-de-Santa-Maria é o ascaridol, concentrado sobretudo no óleo essencial da planta. Historicamente, esse óleo foi usado na medicina para paralisar vermes intestinais e facilitar sua expulsão pelo organismo.

A margem entre a dose que age contra os parasitas e a dose que causa intoxicação é estreita. Foi exatamente essa margem estreita que levou a medicina convencional a abandonar o óleo de quenopódio como vermífugo desde meados do século passado, substituindo-o por antiparasitários sintéticos de perfil de segurança muito mais previsível, como albendazol e mebendazol. O uso do chá ou do óleo da planta com esse fim é hoje prática tradicional, não uma recomendação médica atual, e não deve ser feito sem orientação de um profissional de saúde.

O Que a Ciência Diz Sobre a Erva-de-Santa-Maria

Atividade Antiparasitária

O mecanismo de ação do ascaridol contra vermes intestinais é bem descrito na literatura: o composto paralisa o parasita, facilitando sua eliminação. Apesar da eficácia documentada, o uso terapêutico direto da planta esbarra na estreita janela de segurança já descrita. Por isso, o tratamento de verminose hoje deve ser feito com medicação prescrita por um médico, com dose e duração calculadas para o peso e a idade da pessoa, não com chá caseiro de dose incerta.

Atividade Antimicrobiana e Anti-Inflamatória

Estudos de laboratório mostram atividade da planta contra bactérias, fungos e alguns vírus, além de efeito anti-inflamatório documentado em modelo animal de osteoartrite. Separadamente, ensaios in vitro mostraram que o óleo essencial da planta inibe fungos que produzem aflatoxinas em grãos armazenados, uma aplicação estudada para segurança alimentar e conservação de alimentos, não uma proteção comprovada do organismo humano. São resultados pré-clínicos, úteis para entender o mecanismo por trás de usos tradicionais como o cataplasma para inflamações leves de pele, mas que não substituem tratamento médico para infecções ou doenças articulares diagnosticadas.

Pesquisa Pré-Clínica em Câncer: o Que Já Se Sabe e o Que Ainda Não

Estudos em camundongos encontraram redução de tumores induzidos experimentalmente (modelo de tumor de Ehrlich) após tratamento com a planta, e ensaios em células de câncer de cólon cultivadas em laboratório mostraram efeito citotóxico do óleo essencial. São achados de pesquisa básica, em estágio inicial, que não foram testados em ensaios clínicos com pessoas: a erva-de-Santa-Maria não é tratamento para câncer, e ninguém com diagnóstico oncológico deve substituir ou adiar terapia médica por conta desses resultados preliminares.

Propriedades Medicinais da Erva-de-Santa-Maria

Estudos pré-clínicos, em laboratório ou em modelo animal, atribuem à erva-de-Santa-Maria uma composição fitoquímica com diversas propriedades. Esses achados ajudam a entender a base dos usos tradicionais da planta; não confirmam, por si só, eficácia clínica em pessoas.

  • Antibacteriana: atividade documentada contra o crescimento de diversas bactérias em laboratório.
  • Antifúngica: inibição do desenvolvimento de fungos observada em ensaios in vitro.
  • Anti-inflamatória: redução de marcadores de inflamação em modelo animal.
  • Antioxidante: neutralização de radicais livres observada em ensaios de laboratório.
  • Antiparasitária: ação contra parasitas intestinais, sobretudo vermes.
  • Antiviral: atividade contra alguns vírus observada em estudos in vitro.
  • Carminativa: uso tradicional no alívio de gases do trato digestivo.
  • Cicatrizante: uso tradicional em cataplasma para auxiliar a cicatrização da pele.
  • Expectorante: uso tradicional para facilitar a expulsão de secreções brônquicas.
  • Vermífuga: paralisia e expulsão de vermes intestinais pelo ascaridol.

Como a Planta É Usada Tradicionalmente

O chá das folhas, em infusão de cerca de dez minutos, é a forma mais tradicional de uso da erva-de-Santa-Maria, sempre em quantidade moderada.

Folhas de erva-de-Santa-Maria usadas no preparo tradicional do chá

Modo de Preparo do Chá de Erva-de-Santa-Maria

  1. Use cerca de uma colher de chá de folhas frescas ou secas de erva-de-Santa-Maria.
  2. Adicione as folhas a uma xícara de água já fervida.
  3. Deixe em infusão por cerca de dez minutos, tampado, e depois coe.
  4. Beba em quantidade moderada; não exceda essa dose nem a frequência de uso, e não ofereça o chá a crianças pequenas sem orientação de um profissional de saúde.

Cataplasma para Feridas e Inflamações

Cataplasmas de folhas amassadas são usados topicamente em feridas e picadas de inseto. Um alerta necessário: o uso tradicional da planta como cataplasma para picada de cobra não tem respaldo científico como tratamento e não deve, em hipótese alguma, substituir o atendimento de emergência. Picada de cobra peçonhenta é urgência médica que exige avaliação hospitalar imediata e, quando indicado, soro antiofídico específico; ligue para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox, 0800 722 6001) ou para o SAMU (192) e procure o pronto-socorro mais próximo sem demora, sem aplicar remédio caseiro no lugar do atendimento.

Inalação para Problemas Respiratórios

A inalação do vapor das folhas é um recurso popular para congestão respiratória, mas a inalação prolongada do óleo essencial concentrado também oferece risco de toxicidade e não deve ser praticada sem cautela.

Uso Culinário da Erva-de-Santa-Maria

Na culinária, sobretudo mexicana, a planta é usada como tempero em pequena quantidade, tradicionalmente no cozimento do feijão, por sua suposta ação de reduzir a flatulência; também aparece em sopas e em pratos com milho e cogumelos. A planta mantém seus compostos tóxicos mesmo depois de cozida, o que reforça a necessidade de usá-la em quantidade mínima, como tempero, nunca como ingrediente principal.

Efeitos Colaterais, Toxicidade e Contraindicações

A toxicidade da erva-de-Santa-Maria é dependente da dose. Em quantidades excessivas, pode causar náuseas, vômitos e dor de cabeça; em doses mais altas, já foram relatadas tontura, vertigem e alterações de audição e visão; e casos graves de intoxicação podem evoluir para convulsão e morte, especialmente em crianças, historicamente o grupo mais vulnerável a acidentes com o óleo essencial da planta.

Gestantes e lactantes devem evitar completamente o uso, pela possibilidade de estímulo a contrações uterinas, assim como crianças pequenas e pessoas com doença hepática ou renal, órgãos que podem ser sobrecarregados pela planta. Qualquer uso medicinal da erva-de-Santa-Maria, além do tempero culinário em pequena quantidade, deve ser conversado com um profissional de saúde antes de começar.

História e Curiosidades sobre a Erva-de-Santa-Maria

A história da planta remonta às civilizações pré-colombianas da América Latina: os astecas já a conheciam como “epazotl”, nome que significa “erva de cheiro forte”, e a usavam principalmente como vermífugo. Com a chegada dos colonizadores europeus, o conhecimento sobre a planta se espalhou; jesuítas tiveram papel importante nessa disseminação, levando-a para a Europa, o que deu origem a um de seus nomes populares, “chá-dos-jesuítas”.

No Brasil, a erva-de-Santa-Maria está incluída na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), o que significa que ela é estudada para o desenvolvimento de fitoterápicos regulamentados, não que seu uso caseiro livre seja recomendado. Outra curiosidade é seu uso como repelente doméstico: folhas secas eram tradicionalmente colocadas em sachês para afastar pulgas e outros insetos de roupas e colchões, aproveitando o mesmo cheiro forte que marca a planta.

Perguntas Frequentes sobre a Erva-de-Santa-Maria

O Que É a Erva-de-Santa-Maria?

É uma planta medicinal nativa da América Central e do Sul, cientificamente Dysphania ambrosioides, conhecida por seu cheiro forte e por seu uso tradicional como vermífugo.

A Erva-de-Santa-Maria É a Mesma Coisa Que Mastruz?

Sim. Mastruz, mentruz e apazote são nomes populares da mesma planta, Dysphania ambrosioides.

Como Reconhecer a Erva-de-Santa-Maria na Natureza?

Pelas folhas lanceoladas verde-escuras, pelas pequenas flores em inflorescências densas e, principalmente, pelo cheiro forte e pungente que as folhas liberam quando amassadas.

Para Que Serve o Chá de Erva-de-Santa-Maria?

Tradicionalmente, para vermes intestinais, indigestão, gases e cólicas, e como recurso popular para tosse e congestão respiratória. Esses usos são tradicionais e não substituem diagnóstico e tratamento médico.

Como a Erva-de-Santa-Maria Age Contra Vermes?

O ascaridol, presente no óleo essencial da planta, paralisa os vermes intestinais, facilitando sua eliminação pelo corpo. Hoje esse uso é histórico, não uma recomendação médica atual, dado o risco de intoxicação com dose incerta.

É Seguro Usar a Erva-de-Santa-Maria?

Requer cuidado real. É uma planta tóxica, com margem estreita entre a dose tradicionalmente usada e a dose que causa intoxicação, por isso qualquer uso medicinal deve ter orientação profissional e não deve ser tentado como automedicação, sobretudo em crianças.

A Erva-de-Santa-Maria Serve para Picada de Cobra?

Não. O uso tradicional da planta como cataplasma para picada de cobra não tem respaldo científico e não deve substituir o atendimento de emergência. Picada de cobra peçonhenta exige avaliação hospitalar imediata; ligue para o CIATox (0800 722 6001) ou para o SAMU (192).

Quais São os Principais Efeitos Colaterais da Erva-de-Santa-Maria?

Em excesso, náusea, vômito e dor de cabeça; em doses mais altas, tontura e alterações de audição e visão; e em casos graves, convulsão e risco de morte, sobretudo em crianças.

Quem Não Pode Usar a Erva-de-Santa-Maria?

Gestantes, lactantes, crianças pequenas e pessoas com doença hepática ou renal devem evitar completamente o uso medicinal da planta.

Posso Usar a Erva-de-Santa-Maria na Culinária?

Sim, em pequena quantidade, como tempero, sobretudo em pratos como feijão na culinária mexicana. A planta mantém a toxicidade mesmo cozida, por isso a quantidade deve ser mínima.

Referências

10 Referências Citadas

Baseado em 10 Referências Citadas (10 Complementares).

Ver Todas as 10 Referências Citadas
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