Produtos Naturais para Varizes: Alívio e Cuidados com as Pernas
Descubra quais produtos naturais podem ajudar a aliviar o inchaço e o desconforto das varizes. Veja plantas estudadas cientificamente e dicas práticas para cuidar das pernas.
Uma veia varicosa surge quando a parede do vaso perde parte da sua elasticidade e as válvulas internas, responsáveis por direcionar o sangue de volta ao coração, deixam de funcionar direito. Com isso, uma parte do sangue reflui e se acumula na veia, um processo chamado de estase venosa. Esse acúmulo é o que faz a veia se dilatar, alongar e ganhar o aspecto tortuoso característico das varizes.
Esse problema é mais comum nas pernas e nos pés porque a gravidade dificulta o retorno do sangue até o coração, aumentando a pressão dentro das veias dessa região. A predisposição genética é apontada como uma das causas mais consistentes: quem tem pais ou avós com varizes tende a ter um risco maior de desenvolver o mesmo quadro ao longo da vida.
Fatores de Risco para o Aparecimento de Varizes
Vários fatores, isolados ou combinados, aumentam a chance de uma pessoa desenvolver varizes. Em ordem alfabética, os principais são:
Envelhecimento, que reduz o colágeno e a elastina das paredes venosas e o desempenho das válvulas
Excesso de peso, que aumenta a pressão sobre as veias das pernas
Ficar muito tempo na mesma posição, parado em pé ou sentado, sem movimentar as pernas
Gravidez, pelo aumento de peso e pelas alterações hormonais
Histórico familiar de varizes
Sedentarismo, já que a falta de atividade física dificulta o bombeamento do sangue de volta ao coração
Sexo feminino, em parte por influência hormonal
Tabagismo, que prejudica a saúde geral dos vasos sanguíneos
Uso de pílulas anticoncepcionais ou de terapia de reposição hormonal
Produtos Naturais Estudados para Apoio na Circulação e nas Varizes
A fitoterapia oferece algumas opções bem estudadas para dar suporte à circulação e aliviar sintomas como inchaço e peso nas pernas. Elas não substituem o acompanhamento médico, mas podem ser um complemento útil.
Castanha-da-Índia
A castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum) é uma das plantas com evidência mais consistente desta lista. Sua semente contém um complexo de saponinas triterpênicas, com destaque para a aescina, composto estudado por seu possível papel no fortalecimento das paredes dos vasos sanguíneos e no aumento do tônus venoso. Uma revisão Cochrane associa o extrato padronizado em aescina à redução do inchaço e ao alívio de sintomas como dor, coceira e sensação de peso em pessoas com insuficiência venosa crônica.
Centelha Asiática (Centella asiatica)
Também conhecida como gotu kola, a centelha asiática é tradicionalmente utilizada há séculos na medicina ayurvédica para apoiar a microcirculação e a saúde da pele. É estudada por seu possível papel no fortalecimento do tecido conjuntivo que envolve as veias, contribuindo para maior sustentação estrutural dos vasos, além de um possível efeito na redução da permeabilidade capilar e do inchaço. Alguns estudos associam o extrato a melhora de sintomas de insuficiência venosa crônica.
Ginkgo Biloba
O Ginkgo biloba é estudado por seu possível papel na fluidez do sangue e no fluxo venoso, além de propriedades antioxidantes que ajudam a proteger os vasos contra danos causados por radicais livres. É essencial saber: o ginkgo tem efeito real sobre a coagulação sanguínea, o que exige cautela e orientação médica para quem usa anticoagulantes ou vai passar por cirurgia.
Hamamélis
O Hamamelis virginiana tem propriedades adstringentes estudadas por seu possível papel na tonificação das veias e na redução do inchaço, sendo geralmente usado topicamente, em cremes ou loções, sobre as áreas afetadas. Seus taninos também são associados a um possível efeito calmante sobre vermelhidão e coceira.
Uva (Sementes e Cascas)
Sementes e cascas de uva (Vitis vinifera) contêm proantocianidinas oligoméricas, antioxidantes estudados por seu possível papel no fortalecimento das paredes dos vasos sanguíneos e na redução da permeabilidade capilar, o que pode ajudar a diminuir o inchaço associado às varizes. Estudos clínicos associam o extrato padronizado em OPCs a alívio de sintomas como dor, peso e cãibras noturnas nas pernas.
Outros Remédios Caseiros para Apoio nas Varizes
Além das plantas com mais estudos, alguns remédios caseiros simples também podem ajudar a aliviar o desconforto do dia a dia. Eles não substituem o tratamento indicado por um médico, mas podem ser bons coadjuvantes.
Chá de Gengibre
O gengibre (Zingiber officinale) é uma raiz estudada por suas propriedades anti-inflamatórias, sendo o gingerol um dos compostos mais estudados quanto ao possível papel na circulação sanguínea. O consumo do chá pode ajudar a aliviar a sensação de peso nas pernas.
Como Preparar o Chá de Gengibre
Ferva 1 litro de água
Adicione cerca de 1 cm da raiz de gengibre fatiada ou ralada
Deixe em infusão por 5 a 10 minutos
Coe e beba ao longo do dia
Chá de Alecrim
O alecrim (Rosmarinus officinalis) é uma erva aromática com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, estudada por seu possível papel de apoio à saúde dos vasos sanguíneos. Para preparar, use um ramo fresco ou uma colher de chá das folhas secas por xícara de água quente, em infusão por alguns minutos.
Compressa de Couve
A couve é rica em compostos com propriedades anti-inflamatórias. Aplicar folhas levemente aquecidas, no vapor ou no micro-ondas, sobre a área das varizes é um remédio caseiro tradicional que pode ajudar a aliviar o desconforto local, como dor e inchaço.
Contraindicações e Interações
Ser natural não significa ser isento de risco, e isso vale especialmente para as plantas usadas em problemas de circulação: várias delas interferem na coagulação do sangue, exatamente o sistema que muitos medicamentos de uso contínuo também modulam. Antes de começar qualquer suplemento, converse com o médico ou o farmacêutico, sobretudo se você usa remédios diariamente, está grávida ou amamentando, tem alguma doença crônica ou vai passar por cirurgia.
Alecrim: como tempero e em chá ocasional, costuma ser bem tolerado, mas doses medicinais concentradas devem ser evitadas na gravidez, já que a planta tem uso tradicional como emenagogo e estimulante uterino. O óleo essencial não deve ser ingerido, pois em doses altas está associado a convulsões e irritação gastrintestinal, o que pede cautela redobrada em pessoas com epilepsia. Assim como outros chás ricos em polifenóis, também pode reduzir a absorção do ferro dos alimentos quando tomado durante as refeições, algo a considerar por quem trata anemia.
Castanha-da-Índia: use apenas o extrato padronizado em aescina e devidamente processado, nunca a semente crua, a casca ou a folha, que contêm esculina e são tóxicas se ingeridas. Pelo possível efeito sobre a coagulação, o extrato exige orientação médica em quem toma anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, e não é indicado na gravidez, na amamentação nem em quadros de doença renal ou hepática sem acompanhamento profissional.
Centelha Asiática: existem relatos de alteração de enzimas hepáticas e de lesão do fígado associados ao uso prolongado do extrato, motivo pelo qual agências reguladoras europeias recomendam limitar o tempo de tratamento. Não é indicada para quem tem doença hepática ou usa medicamentos que sobrecarregam o fígado, nem durante a gravidez e a amamentação.
Gengibre: a quantidade culinária e o chá leve são seguros para a maioria das pessoas, porém doses altas e extratos concentrados apresentam ação antiplaquetária que pode somar-se à de anticoagulantes como a varfarina e à de anti-inflamatórios, aumentando o risco de sangramento, inclusive no período próximo a uma cirurgia. Pode ainda piorar azia e refluxo, pede cautela em quem tem cálculos biliares, por estimular a liberação de bile, e na gravidez o consumo deve ficar em quantidades modestas, com orientação profissional, já que as referências costumam limitar o uso a cerca de 1 g de gengibre seco por dia.
Ginkgo Biloba: é o item que exige mais atenção nesta lista, porque interfere de fato na coagulação sanguínea. Deve ser suspenso com antecedência antes de cirurgias e procedimentos e não deve ser combinado com anticoagulantes, antiagregantes ou anti-inflamatórios sem liberação médica. Também pede cautela em pessoas com epilepsia ou histórico de convulsões, e sua segurança na gravidez e na amamentação não está bem estabelecida.
Hamamélis: neste contexto, é um produto de uso externo. Pode provocar irritação ou alergia de contato em pele sensível, então vale testar antes numa área pequena, e não deve ser aplicado sobre feridas abertas ou úlceras de perna sem orientação. O uso interno não é recomendado por causa da alta concentração de taninos.
Semente de Uva: costuma ser bem tolerada, mas o extrato concentrado em proantocianidinas tem leve ação antiplaquetária, o que pede atenção de quem usa anticoagulantes ou tem cirurgia marcada. A segurança em gestantes e lactantes não está bem estabelecida.
Um cuidado extra vale para quem já usa anticoagulante ou antiagregante: boa parte dos produtos citados neste guia age sobre a coagulação, e combinar dois ou três deles ao mesmo tempo aumenta o risco de sangramento mesmo quando cada um parece inofensivo isoladamente. Sempre informe ao seu médico todos os chás, extratos e suplementos que você toma, incluindo os que comprou sem receita.
Quando Procurar um Médico
Varizes que causam dor intensa, inchaço significativo, mudança de cor da pele, feridas que não cicatrizam ou sinais de trombose, como dor súbita, inchaço localizado e vermelhidão em uma perna, exigem avaliação médica urgente. Produtos naturais são um apoio complementar; casos mais avançados de insuficiência venosa podem precisar de tratamento médico específico, incluindo procedimentos como escleroterapia ou cirurgia.
Perguntas Frequentes sobre Produtos Naturais para Varizes
Produtos Naturais Eliminam Varizes Já Formadas?
Não costumam eliminar varizes já visíveis; eles atuam mais como apoio à circulação e ao alívio de sintomas como inchaço e desconforto. Casos mais avançados costumam exigir procedimentos médicos, como escleroterapia ou cirurgia.
Castanha-da-Índia Tem Evidência Científica Real?
Sim, é uma das plantas mais estudadas para insuficiência venosa, com uma revisão Cochrane associando o extrato padronizado em aescina a melhora de sintomas como inchaço e dor.
Quem Toma Anticoagulante Pode Usar Ginkgo Biloba?
Deve consultar o médico antes: o ginkgo tem efeito real sobre a coagulação sanguínea, podendo potencializar o efeito do medicamento.
Varizes São Só um Problema Estético?
Não necessariamente; casos mais avançados podem causar dor, inchaço significativo e aumentar o risco de complicações circulatórias, o que exige avaliação médica.
Grávidas Podem Usar Produtos Naturais para Varizes?
Devem consultar o médico antes de qualquer suplementação, já que a gravidez em si já é fator de risco para varizes e alguns produtos não têm segurança bem estabelecida nesse período.
Quanto Tempo Leva para Notar Resultado com Produtos Naturais?
Costuma variar de pessoa para pessoa, dependendo da gravidade do quadro e da constância do uso. Em geral, semanas de uso contínuo são necessárias para perceber alguma melhora nos sintomas como dor e inchaço.
A Alimentação Interfere nas Varizes?
Sim. Uma dieta rica em fibras ajuda a evitar a constipação, que aumenta a pressão abdominal e pode piorar as varizes. Alimentos fonte de flavonoides, como frutas vermelhas e vegetais de folhas escuras, também são associados ao fortalecimento das paredes das veias.
Exercício Físico Ajuda no Tratamento das Varizes?
Sim, atividades de baixo impacto como caminhada, natação e hidroginástica estimulam a musculatura da panturrilha, que funciona como uma bomba auxiliar no retorno do sangue para o coração.
Quando uma Varize É Emergência Médica?
Dor súbita, inchaço localizado e vermelhidão em uma perna podem indicar trombose e exigem atendimento médico urgente.
Existe Prevenção Real para Varizes?
Manter peso saudável, evitar longos períodos parado na mesma posição e praticar atividade física regular ajudam a reduzir o risco, especialmente em quem já tem predisposição familiar.
Referências
9 Referências Citadas
Baseado em 9 Referências Citadas (9 Complementares).
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2020 García-Giménez, José Luis, and Jose Viña. Ginkgo biloba in the treatment of vascular diseases. Archivos de Bronconeumología, 2020.
2021 Winter, Max, et al. Witch hazel (Hamamelis virginiana) extract: a multi-functional ingredient with several therapeutic properties. Planta Medica, 2021;87(7):554-563.
1993 Korting, Hans Christian, et al. Anti-inflammatory activity of hamamelis distillate applied topically to the skin. European Journal of Clinical Pharmacology, 1993.
2003 Bagchi, Debasis, et al. Effects of grape seed proanthocyanidin extract on oxidative stress and cardiovascular endpoints. Nutrition Research, 2003;23(9):1211-1221.
2018 Belcaro, Gianni, Maria Rosaria Cesarone, and Andrea Ledda. 1-Year follow-up of the effects of a proprietary grape seed procyanidin extract on the symptoms of chronic venous insufficiency. Minerva Cardioangiologica, 2018.
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Equipe Medicina Natural
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