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Óleo de Urucum: Propriedades Terapêuticas

Benefícios do óleo de urucum para pele e cabelo, sua composição rica em antioxidantes e tocotrienóis, o modo de uso correto e as contraindicações a conhecer.

Por Conselho Editorial9 Min de Leitura
Evidência Moderada7 Referências
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Óleo de urucum
Urucum (Bixa orellana): frutos com suas características sementes vermelhas, fonte natural do óleo rico em carotenoides e propriedades antioxidantes.

Bixa orellana, conhecida popularmente como urucum ou urucuzeiro, cujo nome em tupi, “ru-ku”, significa vermelho, uma referência direta à tonalidade intensa de suas sementes. A bixina, principal carotenoide da planta, responde pela cor e por boa parte das propriedades atribuídas ao óleo. Comunidades indígenas da América tropical usam a planta há séculos, macerando as sementes em óleo vegetal para pintura corporal, proteção da pele contra o sol e os insetos, e cuidados com o cabelo e o couro cabeludo. É dessa mesma tradição que vem o uso cosmético do óleo de urucum, hoje estudado por suas propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e antioxidantes.

Sumário do Artigo
  1. Origem e História do Urucum
  2. Sobre a Bixa orellana
  3. Composição do Óleo de Urucum
  4. Benefícios e Usos do Óleo de Urucum
  5. Usos Tradicionais do Urucum
  6. Como Usar o Óleo de Urucum
  7. Contraindicações do Óleo de Urucum
  8. Perguntas Frequentes sobre Óleo de Urucum

Origem e História do Urucum

Muito antes de qualquer uso comercial, o urucuzeiro já ocupava um lugar central na vida dos povos originários da América do Sul, sobretudo na região amazônica. O nome vermelho remete à cor extraída das sementes, usada havia gerações em pinturas corporais durante rituais, como marca de identidade tribal e como forma de expressão artística. Além do significado cultural, a pasta obtida da maceração das sementes oferecia proteção física contra a radiação solar intensa dos trópicos e contra a picada de insetos, um uso que antecede em muito o atual óleo cosmético.

Com a chegada dos colonizadores europeus no século XVI, o urucum foi um dos primeiros produtos do Novo Mundo a despertar interesse comercial, sendo levado à Europa como corante têxtil e, mais tarde, consolidado como corante alimentício amplamente usado até hoje. O nome científico da planta, Bixa orellana, homenageia o navegador espanhol Francisco de Orellana, o primeiro europeu a percorrer o rio Amazonas.

Sobre a Bixa orellana

A Bixa orellana é uma árvore ou arbusto perene da família Bixaceae, nativo da América tropical e hoje cultivado também na América Central, no México, no Caribe e em partes da África e da Ásia. Atinge de 3 a 6 metros de altura, podendo chegar a 10 metros, com tronco curto e casca acinzentada marcada por lenticelas dispostas em fileiras verticais. Suas folhas são alternadas, em formato de coração, com 10 a 20 centímetros de comprimento e coloração verde brilhante. As flores, grandes e hermafroditas, têm pétalas rosadas ou brancas e numerosos estames amarelos, surgindo geralmente no verão e sendo polinizadas principalmente por abelhas.

O fruto é uma cápsula bivalve coberta por espinhos moles, que passa do verde ao avermelhado e se torna marrom quando madura. Cada cápsula contém entre 30 e 60 sementes pequenas e piramidais, envoltas por um arilo, uma fina camada de polpa vermelho intensa da qual se extrai a bixina, o carotenoide que representa cerca de 80% dos pigmentos totais das sementes e que dá nome ao óleo e ao corante conhecidos popularmente como urucum.

Composição do Óleo de Urucum

O óleo de urucum concentra os principais compostos bioativos presentes no arilo das sementes: a bixina (C25H30O4), carotenoide lipossolúvel responsável pela cor avermelhada, e a norbixina, seu derivado hidrossolúvel, presente em menor proporção. O óleo também é considerado uma das fontes naturais mais ricas em tocotrienóis, forma de vitamina E com ação antioxidante superior à dos tocoferóis mais comuns. Completam a composição outros carotenoides, como betacaroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina, além de ácidos graxos poli-insaturados, flavonoides e minerais como cálcio, fósforo, magnésio e potássio.

Esses compostos ajudam a neutralizar radicais livres, associados ao envelhecimento celular, e sustentam as propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas já documentadas para o óleo e os extratos de urucum.

Benefícios e Usos do Óleo de Urucum

A alta concentração de carotenoides e tocotrienóis do óleo de urucum sustenta seu uso cosmético mais tradicional: proteger a pele e os cabelos contra os danos da radiação ultravioleta e combater sinais de envelhecimento cutâneo. A vitamina A presente nas sementes reforça essa ação antioxidante contra os radicais livres. Já os ácidos graxos poli-insaturados têm ação adstringente sobre a pele, ajudando a controlar a oleosidade e reduzir a formação de cravos.

O apelido em inglês da árvore, lipstick tree, ou árvore do batom, vem desse uso ancestral: os povos indígenas maceravam as sementes para obter uma pasta vermelha vibrante, aplicada nos lábios e na pele como uma espécie de batom natural muito antes da invenção do produto industrializado. Hoje, extratos e óleo de urucum aparecem em formulações cosméticas como bronzeadores, cremes, óleos corporais e protetores solares, valorizados por sua ação antioxidante, cicatrizante e emoliente, além de estudos preliminares sobre suas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas na pele.

Usos Tradicionais do Urucum

Além do uso cosmético, o urucuzeiro tem um papel amplo na cultura de povos indígenas da América do Sul e Central, que utilizam a pasta das sementes em rituais, pinturas corporais e como marca de identidade tribal. As sementes moídas também deram origem ao colorau, condimento tradicional em pratos de arroz, carnes e sopas em diversas cozinhas latino-americanas, e à bixina hoje empregada como corante natural na indústria de alimentos, cosméticos e têxteis.

É importante diferenciar esses usos tradicionais mais amplos do óleo cosmético descrito neste artigo: o óleo de urucum, extraído por maceração das sementes em óleo vegetal, como detalhado a seguir, é indicado exclusivamente para uso externo, na pele e no couro cabeludo.

Como Usar o Óleo de Urucum

  1. Utilize um óleo de urucum obtido por maceração das sementes em óleo vegetal, de procedência confiável; ao escolher onde comprar, prefira fornecedores que informem a origem e o controle de qualidade da matéria-prima, como as sementes de urucum da Loja Medicina Natural.
  2. Aplique algumas gotas diretamente na pele ou no couro cabeludo.
  3. Alternativamente, dilua algumas gotas em cremes, loções ou óleos corporais já utilizados na rotina de cuidados.
  4. Evite o contato do óleo com os olhos e as mucosas.
  5. Utilize apenas por via externa; o óleo de urucum não é indicado para ingestão.

Contraindicações do Óleo de Urucum

O óleo de urucum é de uso exclusivamente externo; evite o contato com os olhos. Em caso de irritação ou vermelhidão na pele, suspenda o uso e procure um médico se os sintomas persistirem. Por conter compostos da mesma família do corante alimentício, reações alérgicas ao urucum, embora raras, já foram descritas na literatura; pessoas com histórico de alergia a corantes naturais devem fazer um teste de contato antes do uso regular. Gestantes e lactantes devem usar o produto apenas com orientação profissional. Conserve o óleo em recipiente hermético, protegido de calor, luz e umidade.

Perguntas Frequentes sobre Óleo de Urucum

Óleo de Urucum Pode Ser Ingerido?

Não, o óleo de urucum é indicado apenas para uso externo, na pele e no couro cabeludo.

Óleo de Urucum Serve para Proteger do Sol?

Tem propriedades antioxidantes que ajudam a proteger a pele contra danos dos raios ultravioleta, mas não substitui o protetor solar.

Óleo de Urucum Ajuda a Controlar a Oleosidade da Pele?

Sim, os ácidos graxos poli-insaturados presentes no óleo têm ação adstringente, ajudando a reduzir a oleosidade e os cravos.

Como Devo Guardar o Óleo de Urucum?

Em recipiente hermético, protegido de calor, luz e umidade, para preservar suas propriedades.

Óleo de Urucum Pode Irritar a Pele?

Em caso de irritação, suspenda o uso; se os sintomas persistirem, procure um médico.

Óleo de Urucum Serve para o Cabelo?

Sim, tem uso cosmético documentado para proteger os fios contra danos dos raios ultravioleta e ajudar na hidratação do couro cabeludo.

Urucum É a Mesma Planta do Corante Alimentício?

Sim, a bixina extraída das sementes é o mesmo pigmento usado como corante natural em alimentos industrializados, como queijos, manteigas e produtos de panificação.

Óleo de Urucum Tem Ação Anti-Inflamatória?

Estudos preliminares documentam propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas nos compostos do urucum, mas são necessárias mais pesquisas para confirmar seu uso terapêutico.

Óleo de Urucum Pode Causar Alergia?

Embora raras, reações alérgicas ao urucum já foram relatadas, com sintomas como coceira, inchaço ou vermelhidão no local de aplicação. Por isso, recomenda-se testar o óleo em uma pequena área da pele antes do uso regular.

Óleo de Urucum É Rico em Vitamina E?

Sim, o óleo de urucum é considerado uma das fontes naturais mais ricas em tocotrienóis, uma forma de vitamina E com forte ação antioxidante.

Referências

7 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 7 Referências Citadas (6 Peer-Reviewed, 1 Complementar).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (6)

  1. PMC2014 Vilar, D. A., Vilar, M. S. A., Moura, T. F. A. L., Raffin, F. N., Oliveira, M. R., Franco, C. F. O., et al. (2014). Traditional uses, chemical constituents, and biological activities of Bixa orellana L.: a review. The Scientific World Journal, 2014.
  2. PEER2016 Rivera-Madrid, R., Aguilar-Espinosa, M., Cárdenas-Conejo, Y., & Martin-Mex, R. (2016). Achiote (Bixa orellana L.): a natural source of pigment and vitamin E. Journal of Food Science and Technology, 53(9), 3583-3593.
  3. PEER2012 Chisté, R. C., & Mercadante, A. Z. (2012). Identification and quantification of carotenoids from a new hybrid of Bixa orellana L. by HPLC-DAD-MS/MS. Food Research International, 48(2), 678-683.
  4. PMC2016 Rather, L. J., & Mohammad, F. (2016). Phytochemistry, biological activities and potential of annatto in natural colorant production for industrial applications: a review. Journal of Advanced Research, 7(3), 499-514.
  5. PEER2009 Scotter, M. J. (2009). The chemistry and analysis of annatto food colouring: a review. Food Additives & Contaminants: Part A, 26(8), 1123-1145.
  6. PMC1991 Nish, W. A., Whisman, B. A., Goetz, D. W., & Ramirez, D. A. (1991). Anaphylaxis to annatto dye: a case report. Annals of Allergy, 66(2), 129-131.

Leituras Complementares (1)

  1. 2015 Fabri, E. G., & Teramoto, J. R. S. (2015). Urucum: fonte de corantes naturais. Horticultura Brasileira, 33(1), 4-9.

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