Produtos Naturais

Óleo de Calêndula: Saiba para Que Serve

Descubra para que serve o óleo de calêndula: seus benefícios com respaldo científico para pele, cabelo e cicatrização de feridas, além do modo de uso correto e das contraindicações.

Por Conselho Editorial12 Min de Leitura
10 Referências
Publicado em Atualizado em
Óleo de calêndula
Óleo de calêndula (Calendula officinalis) extraído das flores, usado há séculos na medicina natural para tratamentos dermatológicos e cicatrizantes

O óleo de calêndula (Calendula officinalis) é extraído das flores dessa planta da família Asteraceae, nativa da região do Mediterrâneo, e tem uso tradicional de séculos no cuidado da pele. Estudos científicos, incluindo ensaios clínicos randomizados em feridas e cicatrizes cirúrgicas, sustentam parte desse uso; ainda assim, trata-se de um produto de aplicação exclusivamente externa, seguro para a maioria das pessoas quando usado com as precauções adequadas.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Óleo de Calêndula
  2. Composição Química do Óleo de Calêndula
  3. Propriedades Terapêuticas do Óleo de Calêndula
  4. Cicatrização de Feridas: o Uso com Melhor Evidência Científica
  5. Acne e Saúde da Pele
  6. Eczema, Assaduras e Pele Sensível
  7. Hidratação e Cuidados da Pele
  8. Uso Capilar
  9. Como Usar o Óleo de Calêndula
  10. Contraindicações e Precauções
  11. Como Escolher e Armazenar o Óleo de Calêndula
  12. Perguntas Frequentes sobre o Óleo de Calêndula

O Que É o Óleo de Calêndula

Obtido pela maceração das flores da calêndula em um óleo carreador (azeite de oliva, óleo de coco ou óleo de girassol, entre outros), o óleo de calêndula é um extrato botânico da Calendula officinalis, planta da família Asteraceae, a mesma das margaridas. É nativa da região do Mediterrâneo e hoje é cultivada em diversas partes do mundo. Também é chamada de margarida-dourada, mas não deve ser confundida com a calêndula ornamental do gênero Tagetes, comum em hortas e jardins, que é uma planta diferente.

No processo de maceração a frio, as pétalas das flores são mergulhadas no óleo carreador escolhido e a mistura descansa por várias semanas em local escuro. Durante esse período, os compostos da planta se dissolvem no óleo, que depois é coado para remover os resíduos sólidos. O resultado é um óleo de cor entre o amarelo e o âmbar, com aroma suave e levemente herbáceo; a concentração de flores e o tipo de óleo carreador usado influenciam diretamente a qualidade do produto final.

Composição Química do Óleo de Calêndula

As flores da calêndula reúnem uma composição fitoquímica variada, com compostos que atuam de forma complementar. Os triterpenoides, entre eles as calendasaponinas e diversos álcoois triterpênicos, estão entre os constituintes mais associados à ação anti-inflamatória da planta. Flavonoides como quercetina e isorramnetina têm atividade antioxidante e ajudam a neutralizar radicais livres, o que pode contribuir para reduzir o estresse oxidativo na pele.

Os carotenoides, como licopeno e luteína, são responsáveis pela cor alaranjada das flores e também têm atividade antioxidante. O óleo ainda contém polissacarídeos, ácidos fenólicos e cumarinas, compostos associados à ação cicatrizante e antimicrobiana observada em estudos de laboratório. É essa combinação de substâncias, e não um único composto isolado, que sustenta o uso tradicional e o interesse científico pela calêndula.

Propriedades Terapêuticas do Óleo de Calêndula

O óleo de calêndula reúne um conjunto amplo de propriedades estudadas em laboratório e, em menor número, em ensaios clínicos. A ação anti-inflamatória é uma das mais documentadas e ajuda a explicar o uso tradicional em dermatites, assaduras e irritações da pele. Os triterpenoides e flavonoides presentes no óleo estão entre os compostos associados à modulação das vias inflamatórias.

A propriedade cicatrizante também é bastante estudada: pesquisas de laboratório e em modelos animais sugerem que os compostos da calêndula podem estimular a atividade dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno, além de favorecer a formação de novos vasos sanguíneos na região da lesão. Esses mecanismos ajudam a explicar por que o óleo é tradicionalmente usado para auxiliar a recuperação de pequenos cortes e arranhões.

Estudos de laboratório também apontam atividade antimicrobiana e antifúngica, o que pode contribuir para reduzir o risco de infecção em pequenas lesões cutâneas, além de ação antioxidante, que ajuda a proteger a pele dos danos causados por radicais livres.

Cicatrização de Feridas: o Uso com Melhor Evidência Científica

Calêndula (Calendula officinalis)

Entre os usos do óleo de calêndula, a cicatrização de feridas é o que reúne melhor respaldo clínico. Um ensaio clínico randomizado publicado no Journal of Wound Care (Buzzi et al., 2016) confirmou a eficácia da calêndula na cicatrização de feridas. Outro ensaio clínico, publicado no Journal of Family Medicine and Primary Care (Jahdi et al., 2018), mostrou benefício real da pomada de calêndula na cicatrização de feridas cirúrgicas de cesárea. Uma revisão sistemática (Leach, 2008) reuniu outros estudos sobre o tema, e pesquisas em modelos animais (Parente et al., 2011) e em úlceras venosas de perna (Duran et al., 2005) reforçam esses achados.

Esse nível de evidência clínica em humanos é incomum entre fitoterápicos de uso tópico, o que sustenta o uso do óleo para feridas leves, fissuras nos seios durante a amamentação e cicatrizes em geral, sempre como complemento e nunca em substituição ao acompanhamento médico em feridas mais extensas ou profundas. A calêndula, aliás, integra a RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS) e é usada em pomada em unidades básicas de saúde brasileiras para feridas e queimaduras leves.

Acne e Saúde da Pele

Estudos de laboratório sugerem potencial benefício do extrato de calêndula na prevenção e no cuidado da acne vulgar, atribuído à ação antibacteriana e anti-inflamatória sobre a pele. Há também indícios de que o óleo possa ajudar a equilibrar a oleosidade local, o que pode contribuir para reduzir a obstrução dos poros associada às espinhas. A confirmação clínica específica para acne ainda é mais limitada do que a existente para cicatrização de feridas, mas o óleo é considerado de baixo potencial comedogênico e pode ser aplicado no rosto todo ou apenas nas áreas mais propensas a espinhas.

Eczema, Assaduras e Pele Sensível

As propriedades antibacterianas, antifúngicas e anti-inflamatórias da calêndula sustentam o uso tradicional para eczema e assaduras, inclusive em bebês e crianças, sempre com um teste de contato prévio. O óleo também é usado para auxiliar na hidratação de peles ressecadas e no alívio de rachaduras nos calcanhares.

Hidratação e Cuidados da Pele

O óleo penetra com facilidade nas camadas mais externas da pele e ajuda a repor a barreira natural de umidade, deixando a pele mais macia e flexível; por isso, também é usado como sérum noturno ou misturado a cremes hidratantes e máscaras faciais de argila. Depois da depilação, pode ajudar a acalmar a região e reduzir a irritação e a foliculite, e também é usado no cuidado da pele após queimaduras solares leves, ajudando a amenizar o desconforto. O uso contínuo também é associado a uma aparência mais uniforme da pele ao longo do tempo, embora o óleo não seja um agente clareador potente como outros ativos cosméticos específicos.

Uso Capilar

Quando aplicado nos cabelos, o óleo de calêndula pode agir como hidratante leave-in e ajudar a controlar o frizz, aproveitando sua propriedade emoliente. No couro cabeludo, o uso regular pode ajudar a reduzir o ressecamento e a descamação, contribuindo para o alívio da coceira associada à caspa leve; um couro cabeludo mais equilibrado favorece o ambiente para o crescimento capilar saudável. O óleo também pode formar uma película protetora nos fios, reduzindo o efeito de agressões externas como sol, poluição e calor de ferramentas térmicas.

Como Usar o Óleo de Calêndula

Aplique algumas gotas diretamente na pele ou no couro cabeludo, massageando suavemente até a absorção, ou dilua o óleo em cremes, loções e máscaras faciais de argila. No couro cabeludo, deixe agir por ao menos trinta minutos antes de lavar os cabelos. O óleo de calêndula também pode ser usado puro ou diluído em outros óleos vegetais como óleo de massagem corporal.

Para uso em feridas ou fissuras mamárias durante a amamentação, prefira produtos formulados especificamente para essa finalidade e consulte um profissional de saúde antes de usar durante a gravidez ou a amamentação, já que as evidências de segurança nessas fases ainda são limitadas.

Contraindicações e Precauções

Assim como a maioria dos óleos fitoterápicos, o uso do óleo de calêndula é exclusivamente externo; evite o contato com os olhos e mucosas. A reação adversa mais comum é a dermatite de contato alérgica, que pode ocorrer em pessoas sensíveis a outras plantas da família Asteraceae, como camomila, arnica e crisântemo, pelo risco de reação alérgica cruzada.

Antes de aplicar em áreas maiores da pele, faça um teste de contato: coloque uma pequena quantidade do óleo no interior do pulso ou do cotovelo e aguarde 24 a 48 horas, observando sinais como vermelhidão, coceira, inchaço ou erupção cutânea. Suspenda o uso em caso de irritação e procure um médico se os sintomas persistirem. Por precaução, evite o uso durante a gravidez e a amamentação sem orientação de um profissional de saúde, já que os estudos de segurança nessas fases ainda são escassos. Conserve o óleo em recipiente hermético, ao abrigo de luz, calor e umidade.

Como Escolher e Armazenar o Óleo de Calêndula

A qualidade do óleo de calêndula varia bastante entre os produtos disponíveis no mercado. Prefira óleos orgânicos e extraídos a frio, método que preserva melhor os compostos mais sensíveis ao calor; a certificação orgânica também ajuda a garantir que a planta foi cultivada sem o uso de pesticidas.

A cor e o aroma são bons indicadores de qualidade: o óleo deve variar do amarelo-dourado ao laranja, com aroma suave e levemente herbáceo, sem cheiro rançoso ou artificial. Prefira frascos de vidro escuro, como âmbar ou cobalto, que protegem o óleo da degradação causada pela luz.

Guarde o óleo em local fresco e escuro, longe do calor e da luz solar direta; a exposição a esses fatores oxida os compostos ativos e reduz a vida útil do produto. Na geladeira, o óleo pode solidificar em temperaturas baixas, mas volta ao estado líquido em temperatura ambiente sem perder suas propriedades.

Perguntas Frequentes sobre o Óleo de Calêndula

O Óleo de Calêndula Serve para Acne?

Estudos de laboratório sugerem potencial benefício, pela ação antibacteriana e anti-inflamatória, embora a confirmação clínica específica para acne ainda seja mais limitada que para cicatrização de feridas.

O Óleo de Calêndula Pode Ser Ingerido?

Não. As formulações e recomendações desta página referem-se exclusivamente ao uso externo do óleo.

Posso Usar Óleo de Calêndula na Amamentação ou na Gravidez?

É tradicionalmente usado para fissuras mamárias, mas as evidências de segurança na gravidez e na amamentação ainda são limitadas; por precaução, prefira produtos formulados especificamente para essa finalidade e consulte um profissional de saúde antes de usar.

Qual a Diferença Entre Óleo e Extrato de Calêndula?

O óleo é obtido pela maceração das flores em um óleo carreador, como azeite ou óleo de coco. O extrato costuma ser preparado em base alcoólica ou glicólica. Ambos contêm compostos ativos semelhantes, mas a escolha depende da finalidade de uso e do tipo de pele.

O Óleo de Calêndula Obstrui os Poros?

É considerado de baixo potencial comedogênico, ou seja, tem baixa probabilidade de obstruir os poros, embora a reação possa variar de pessoa para pessoa.

Crianças e Bebês Podem Usar Óleo de Calêndula?

Em uso tópico e moderado, costuma ser considerado seguro até para a pele delicada de bebês, sendo tradicionalmente usado para aliviar assaduras e irritações leves; ainda assim, faça sempre um teste de contato antes de aplicar em áreas maiores da pele e consulte o pediatra em caso de dúvida.

Quem Tem Alergia a Camomila Pode Usar Calêndula?

Deve ter cautela e fazer um teste de contato antes: ambas pertencem à família Asteraceae, e existe risco de reação alérgica cruzada.

O Óleo de Calêndula Serve para Cicatrizes Cirúrgicas?

Sim, há ensaio clínico randomizado mostrando benefício real na cicatrização de feridas cirúrgicas, incluindo cesárea.

Qual a Diferença Entre Calêndula e a Flor de Tagetes da Horta?

São gêneros botânicos diferentes; a calêndula ornamental comum em hortas costuma ser do gênero Tagetes, não a Calendula officinalis usada na fitoterapia.

Como Devo Armazenar o Óleo de Calêndula?

Em recipiente hermético, ao abrigo de luz, calor e umidade, de preferência em frasco de vidro escuro, para preservar suas propriedades.

Referências

10 Referências Citadas

Baseado em 10 Referências Citadas (10 Complementares).

Ver Todas as 10 Referências Citadas
  1. 2016 Buzzi M, et al. Therapeutic effectiveness of Calendula officinalis. Journal of Wound Care, 2016;25(12):732-739.
  2. 2018 Jahdi F, et al. The impact of calendula ointment on caesarean wound healing: a randomized control clinical trial. Journal of Family Medicine and Primary Care, 2018;7(5):893-897.
  3. 2008 Leach MJ. Calendula officinalis and wound healing: a systematic review. Wounds, 2008;20(8):236-243.
  4. 2005 Duran V, et al. Results of the clinical examination of an ointment with marigold (Calendula officinalis) extract in the treatment of venous leg ulcers. International Journal of Tissue Reactions, 2005;27(3):101-106.
  5. 2011 Parente LML, et al. Wound healing and anti-inflammatory effect in animal models of Calendula officinalis L. growing in Brazil. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2011.
  6. 2009 Fronza M, et al. Triterpene, flavonoid and polysaccharide compounds from Calendula officinalis. Planta Medica, 2009;75(09):1015-1021.
  7. 2006 Ukiya M, et al. Anti-inflammatory, anti-tumor-promoting, and cytotoxic activities of constituents of pot marigold (Calendula officinalis) flowers. Journal of Natural Products, 2006;69(12):1692-1696.
  8. 2013 Arora D, Rani A, Sharma A. A review on phytochemistry and ethnopharmacological aspects of genus Calendula. Pharmacognosy Reviews, 2013;7(14):179.
  9. 2023 Shahane K, et al. An updated review on the multifaceted therapeutic potential of Calendula officinalis L. Pharmaceuticals, 2023;16(4):611.
  10. 2018 Mishra AK, Mishra A, Chattopadhyay P. Herbal drugs for the treatment of wounds: a review. Indian Journal of Pharmaceutical Sciences, 2018;80(1):12-23.

Este conteúdo foi útil?

O que você achou deste artigo?

Continue Lendo Neste Tópico

Pode Interessar