Plantas Medicinais

Rhodiola rosea: Saiba para Que Serve

Conheça os benefícios estudados da Rhodiola rosea para estresse, fadiga e foco mental, a dosagem usada em pesquisas e as contraindicações da planta.

Por Conselho Editorial14 Min de Leitura
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Raiz-dourada - Rhodiola rosea
Rhodiola rosea (raiz-dourada) em floração: planta adaptógena reconhecida por suas propriedades medicinais no combate ao estresse e fadiga.

Rhodiola rosea, também conhecida como raiz-dourada, raiz-de-ouro e raiz-do-ártico (em inglês, golden root, roseroot), é uma planta perene da família Crassulaceae, nativa de regiões frias e de alta altitude do hemisfério norte, como Sibéria, Escandinávia, Tibete e outras áreas montanhosas da Ásia Central. É um dos adaptógenos mais estudados: uma categoria de plantas investigada por sua possível capacidade de ajudar o organismo a lidar com diferentes formas de estresse físico, químico e biológico.

As raízes concentram os compostos considerados responsáveis pelos efeitos da planta, entre eles as rosavinas e os salidrosídeos. É a partir desses compostos, e da capacidade estudada da Rhodiola rosea de modular o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (o principal sistema de resposta ao estresse do corpo), que a maior parte das pesquisas tenta explicar seus possíveis efeitos sobre energia, humor e desempenho físico e mental.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Rhodiola Rosea
  2. Como a Rhodiola Rosea Atua no Corpo
  3. Benefícios Estudados da Rhodiola Rosea
  4. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Rhodiola Rosea
  5. Como Usar a Rhodiola Rosea: Dosagem e Formas
  6. Sinergia da Rhodiola Rosea com Outros Suplementos
  7. História e Curiosidades
  8. Perguntas Frequentes sobre Rhodiola Rosea

O Que É a Rhodiola Rosea

A Rhodiola rosea cresce em solos rochosos e pobres, em altitudes elevadas e sob temperaturas extremas, condições que a levaram a desenvolver metabólitos protetores concentrados principalmente na raiz. É por isso que a raiz, e não as folhas ou as flores, é a parte usada tradicionalmente na fitoterapia.

As raízes concentram rosavinas e salidrosídeos, compostos considerados responsáveis pelas propriedades adaptogênicas atribuídas à planta. Com base neles, e na influência estudada da Rhodiola rosea sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, a maioria dos estudos tenta explicar os efeitos relatados sobre energia, humor e desempenho físico e mental.

Como a Rhodiola Rosea Atua no Corpo

O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (eixo HPA) regula a liberação de cortisol, o principal hormônio associado ao estresse. Estudos sugerem que a Rhodiola rosea ajuda a modular esse eixo, atenuando picos excessivos de cortisol em situações de estresse agudo. Como níveis cronicamente elevados de cortisol estão associados a diversos problemas de saúde, essa modulação é apontada como um dos mecanismos centrais por trás dos efeitos adaptogênicos da planta.

Outra linha de pesquisa investiga a influência da planta sobre neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, envolvidos na regulação do humor, da atenção e da memória. A hipótese estudada é que a Rhodiola rosea possa interferir na degradação desses neurotransmissores, o que ajudaria a explicar os efeitos relatados sobre concentração e bem-estar. Boa parte desses mecanismos foi observada em estudos de laboratório e em modelos animais, e a extrapolação direta para humanos ainda depende de mais pesquisa clínica.

Benefícios Estudados da Rhodiola Rosea

A seguir estão reunidas as áreas mais estudadas sobre o uso da Rhodiola rosea, sempre com a ressalva de que boa parte das pesquisas usa amostras pequenas e de que a planta deve ser vista como possível apoio complementar, nunca como substituto de diagnóstico ou tratamento médico.

Estresse e Fadiga

O uso da Rhodiola rosea para lidar com o estresse é um dos mais documentados. Estudos clínicos associam o extrato a uma redução de sintomas como ansiedade leve, irritabilidade e sensação de esgotamento, com participantes relatando maior sensação de calma ao longo do uso. Os protocolos desses ensaios, a comparação com a ashwagandha e as interações com medicamentos de uso contínuo estão detalhados em Rhodiola rosea para estresse.

Quanto à fadiga, um estudo conduzido com médicos em plantões noturnos observou melhor desempenho mental e menor percepção de cansaço entre quem tomou o extrato, mesmo sob privação de sono. Pesquisadores associam esse efeito à participação da planta na produção de ATP, a principal molécula de energia celular, e na utilização de oxigênio pelo organismo, embora os mecanismos exatos ainda estejam em estudo.

Desempenho Cognitivo e Memória

Estudantes e profissionais sob alta demanda intelectual costumam recorrer à Rhodiola rosea em busca de mais concentração e clareza mental. Um estudo com universitários em período de provas associou o uso do extrato a melhor desempenho em tarefas cognitivas e a menor fadiga mental percebida, quando comparado a placebo.

Pesquisas pré-clínicas também investigam um possível papel protetor da planta sobre a função de aprendizado e memória, atribuído em parte à sua influência sobre serotonina e dopamina. Esses achados ainda são preliminares e vêm principalmente de estudos em animais, mas ajudam a explicar por que a Rhodiola rosea é estudada como possível apoio à saúde cognitiva.

Recuperação Após Exercício Físico

Estudos preliminares associam o uso da Rhodiola rosea a possível melhora na resistência ao esforço físico e no tempo de recuperação após exercício intenso. Um estudo com ciclistas relacionou a suplementação a um maior tempo até a exaustão, e outra pesquisa observou sinais de menor dano muscular e recuperação mais rápida após o treino.

Entre os mecanismos propostos estão uma possível melhora na eficiência do uso de oxigênio pelo músculo e um efeito sobre os níveis de lactato sanguíneo, associado à sensação de fadiga muscular. Ainda assim, os estudos disponíveis usam amostras pequenas, e atletas com objetivos de performance específicos devem buscar orientação de um profissional antes de incluir a planta na rotina de treino.

Suporte ao Sistema Imunológico

O estresse crônico pode reduzir a eficiência do sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível a infecções comuns. Como a Rhodiola rosea é estudada por seu papel na modulação da resposta ao estresse, pesquisadores investigam também um possível efeito indireto sobre a imunidade.

Alguns estudos apontam estímulo à atividade de células natural killer (NK), importantes na defesa contra vírus, além de uma possível regulação da produção de citocinas inflamatórias. São achados que sugerem um papel coadjuvante da planta no equilíbrio do sistema imunológico, mas não a colocam como tratamento para infecções ou doenças do sistema imune.

Possível Papel em Sintomas Depressivos

Pesquisas associam o uso da Rhodiola rosea a possível alívio de sintomas depressivos leves, atribuído em parte à sua influência sobre serotonina e dopamina, neurotransmissores envolvidos na regulação do humor. Um pequeno ensaio clínico controlado chegou a comparar o extrato a um antidepressivo convencional em quadros leves a moderados, com resultados parecidos entre os grupos quanto à resposta ao tratamento; a amostra reduzida e as limitações do desenho do estudo, porém, não permitem considerar a planta equivalente a um medicamento antidepressivo.

A Rhodiola rosea nunca deve substituir o tratamento médico da depressão diagnosticada. Ela é estudada apenas como possível apoio complementar, sempre com acompanhamento profissional, já que a depressão é uma condição que exige diagnóstico e conduta individualizada.

Uso Estudado em Disfunção Sexual

Alguns estudos pequenos, realizados na Rússia com poucas dezenas de participantes, associam a Rhodiola rosea a possível melhora na função sexual e na fertilidade em contextos específicos. São amostras reduzidas e sem o rigor metodológico dos ensaios clínicos atuais, e não substituem avaliação médica de disfunção sexual ou infertilidade, condições que podem ter causas diversas e exigem diagnóstico próprio.

Possível Papel como Apoio em Tratamento Oncológico

Estudos pré-clínicos, em laboratório e em animais, investigam se a Rhodiola rosea pode aumentar a sensibilidade de células tumorais a agentes quimioterápicos e reduzir alguns efeitos tóxicos do tratamento sobre medula óssea e fígado. São achados preliminares que não confirmam benefício estabelecido em pacientes humanos: qualquer pessoa em tratamento oncológico deve conversar com o oncologista responsável antes de usar Rhodiola rosea ou qualquer outro suplemento, pela possibilidade real de interação com a quimioterapia.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Rhodiola Rosea

A Rhodiola rosea não deve ser usada à noite, pois pode perturbar o sono, nem durante a gravidez ou a amamentação. Pessoas com transtorno bipolar não devem usar a planta, pelo risco real de agravar variações de humor. Pessoas com outros transtornos psiquiátricos ou com doenças autoimunes devem consultar o médico antes de associar a Rhodiola rosea ao tratamento. A segurança do uso em crianças não está bem estabelecida, o que também torna o uso não recomendado nessa faixa etária. Quem faz uso de antidepressivos deve consultar o médico antes de associar a planta ao tratamento, pelo risco de interação.

Doses altas ou uso por pessoas mais sensíveis podem causar insônia, irritabilidade, palpitações e sintomas semelhantes ao excesso de cafeína; tomar a planta junto com alimento pode reduzir esse efeito. A orientação de um profissional de saúde é sempre recomendada para definir a dose adequada e evitar efeitos colaterais.

Como Usar a Rhodiola Rosea: Dosagem e Formas

Chá de Rhodiola rosea

A Rhodiola rosea costuma ser encontrada em cápsulas, comprimidos e extratos líquidos padronizados, além do chá preparado a partir da raiz seca. Extratos padronizados são geralmente preferidos porque garantem uma concentração mais previsível de rosavinas e salidrosídeos, os compostos associados aos efeitos da planta.

As faixas de dosagem mais citadas em estudos ficam entre 200 mg e 600 mg por dia, geralmente começando por doses menores e ajustando de forma gradual conforme a resposta individual. Tomar a planta pela manhã ou no início da tarde é a orientação mais comum, já que o uso à noite pode interferir no sono. Alguns profissionais sugerem períodos de pausa após alguns meses de uso contínuo, embora não haja consenso rígido sobre essa prática. Em qualquer caso, a definição da dose e da duração do uso deve ser feita com orientação de um profissional de saúde, considerando o histórico e os objetivos de cada pessoa.

Sinergia da Rhodiola Rosea com Outros Suplementos

A Rhodiola rosea costuma ser usada isoladamente, mas também é combinada com outros suplementos em busca de efeitos complementares. As combinações abaixo estão entre as mais discutidas, sempre com a ressalva de que qualquer associação de suplementos deve ser avaliada por um profissional de saúde, especialmente diante de outras condições ou medicamentos em uso.

Rhodiola Rosea e Ashwagandha

A combinação da Rhodiola rosea com a ashwagandha (Withania somnifera) é uma das mais populares entre os adaptógenos. Enquanto a Rhodiola tende a ser mais estimulante, a ashwagandha é tradicionalmente associada a um efeito mais calmante, o que leva algumas pessoas a considerar a dupla um suporte equilibrado para quadros de estresse com sintomas mistos, como cansaço associado a agitação.

Rhodiola Rosea e Vitaminas do Complexo B

As vitaminas do complexo B participam de reações do metabolismo energético celular, o que leva parte da literatura popular a associar sua combinação com a Rhodiola rosea a um possível reforço do efeito sobre a energia e a resistência à fadiga. Pessoas com deficiência de vitaminas do complexo B podem ter mais a ganhar dessa combinação, mas a suplementação de vitaminas também deve ser orientada por exames e avaliação profissional, evitando o uso indiscriminado.

Rhodiola Rosea e L-Teanina

A L-teanina é um aminoácido presente principalmente no chá verde, estudado por sua associação ao aumento de ondas cerebrais alfa e a uma sensação de calma alerta. Combinada com a Rhodiola rosea, é discutida como possível suporte à concentração em tarefas que exigem foco prolongado, unindo o efeito mais energizante da raiz-dourada a um efeito calmante que, segundo relatos, reduziria a sensação de agitação.

História e Curiosidades

A Rhodiola rosea tem folhas verde-azuladas e flor amarela que floresce no curto verão ártico, crescendo em solos rochosos e frios de países como China, Rússia, Noruega e Islândia. Seu uso medicinal remonta a Dioscórides, médico grego do século I, e também é registrado na medicina tradicional chinesa, que a associa ao aumento da vitalidade e da longevidade. Os primeiros estudos científicos modernos começaram por volta de 1960, na então União Soviética e na Escandinávia, com pesquisadores soviéticos investigando a planta como possível recurso para melhorar a performance de atletas e cosmonautas. É considerada um dos primeiros adaptógenos estudados, ao lado de plantas como o ginseng e a ashwagandha.

Perguntas Frequentes sobre Rhodiola Rosea

Rhodiola Rosea Pode Ser Usada Durante Tratamento de Câncer?

Só com autorização do oncologista responsável: há apenas estudos pré-clínicos sobre possível interação com quimioterapia, sem confirmação de segurança em humanos.

Quem Tem Transtorno Bipolar Pode Usar Rhodiola Rosea?

Não é recomendado, pelo risco real de a planta agravar variações de humor associadas ao transtorno.

Grávidas Podem Tomar Rhodiola Rosea?

Não. O uso não é recomendado durante a gravidez nem durante a amamentação.

Rhodiola Rosea Pode Ser Tomada à Noite?

Não é recomendado, já que a planta pode perturbar o sono; o ideal é usá-la pela manhã ou no início da tarde.

Rhodiola Rosea Substitui Tratamento para Depressão?

Não. Ela é estudada apenas como possível apoio complementar, e a depressão diagnosticada exige acompanhamento profissional.

Rhodiola Rosea Trata Disfunção Erétil?

Há apenas estudos pequenos e antigos sugerindo possível melhora em contextos específicos; eles não substituem o diagnóstico e o tratamento médico da causa da disfunção.

Quais os Efeitos Colaterais Mais Comuns da Rhodiola Rosea?

Insônia, irritabilidade e palpitações, mais comuns em doses altas ou em pessoas sensíveis; tomar a planta com alimento pode reduzir esse efeito.

A Rhodiola Rosea Vicia?

Não há evidências de que o uso da Rhodiola rosea cause dependência. Ainda assim, alguns profissionais recomendam fazer pausas periódicas ao longo do uso contínuo.

Posso Combinar Rhodiola Rosea com Outros Suplementos?

Em geral sim, e combinações com ashwagandha, vitaminas do complexo B e L-teanina estão entre as mais discutidas. Ainda assim, qualquer combinação, principalmente com estimulantes ou outros medicamentos, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Quanto Tempo Leva para a Rhodiola Rosea Fazer Efeito?

Alguns efeitos sobre energia e clareza mental podem ser percebidos em poucas horas de uso, mas benefícios mais consistentes, como a redução do estresse, costumam exigir uso contínuo por algumas semanas. A resposta varia de pessoa para pessoa.

Referências

11 Referências Citadas

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Baseado em 11 Referências Citadas (8 Peer-Reviewed, 3 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (8)

  1. PEER2010 Panossian, Alexander, G. Wikman, and Jerome Sarris. Rosenroot (Rhodiola rosea): traditional use, chemical composition, pharmacology and clinical efficacy. Phytomedicine, 2010;17(7):481-493. Ler artigo
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  7. PEER Stress management and the role of Rhodiola rosea: a review. Ler artigo
  8. PMC Rhodiola rosea as an adaptogen to enhance exercise performance and recovery: a narrative review. Ler artigo

Leituras Complementares (3)

  1. 2005 Khanum, Farhath, Amarinder Singh Bawa, and Brahm Singh. Rhodiola rosea: a versatile adaptogen. Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety, 2005;4(3):55-62.
  2. 2019 Tao, Hongxun, et al. Rhodiola species: a comprehensive review of traditional use, phytochemistry, pharmacology, toxicity, and clinical study. Phytotherapy Research, 2019;33(4):1112-1148.
  3. Rhodiola rosea L. Improves Learning and Memory Function: Preclinical Evidence and Possible Mechanisms. Ler artigo

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