Queijos estão entre os alimentos mais antigos e versáteis da culinária humana, unindo tradição milenar a um perfil nutricional que continua sendo estudado por pesquisadores em todo o mundo. Feitos a partir do leite de vaca, cabra, ovelha ou búfala, concentram proteínas completas e cálcio biodisponível em uma porção pequena, o que explica seu lugar constante na dieta de tantas culturas ao redor do planeta.
Ainda assim, nem todo queijo pode ser consumido livremente por todas as pessoas. Queijos macios de casca florescida, como brie e camembert, exigem atenção redobrada de gestantes, pelo risco de listeriose associado a esse tipo específico de produto quando não pasteurizado. Este guia percorre a história do queijo, o processo por trás de sua fabricação, os principais tipos disponíveis, os benefícios e mitos mais discutidos, e os cuidados que merecem atenção real antes de colocá-lo na mesa.
Sumário do Artigo
- A Fascinante História do Queijo
- Como o Queijo É Fabricado
- Tipos de Queijo
- Guia Rápido por Tipo de Queijo
- Benefícios do Queijo para a Saúde
- Mitos e Verdades sobre o Queijo
- Como Escolher e Armazenar Queijos
- Harmonização de Queijos com Vinhos e Outros Acompanhamentos
- Queijos Macios de Casca Florescida: um Alerta na Gravidez
- Contraindicações
- Perguntas Frequentes sobre Queijos
A Fascinante História do Queijo
A história do queijo remonta a mais de sete mil anos, um período anterior à própria escrita, e provavelmente nasceu de um acidente feliz: leite guardado em recipientes feitos de estômago de animais, cujo coalho natural coagulava o leite e dava origem aos primeiros queijos. O que começou como uma forma de conservar o leite foi se transformando ao longo dos séculos em técnicas cada vez mais elaboradas, à medida que diferentes povos desenvolviam seus próprios métodos de fabricação.
O Império Romano teve papel decisivo nessa disseminação, já que os romanos aperfeiçoaram técnicas de maturação e faziam do queijo um alimento essencial para suas tropas, valorizado pela durabilidade e pelo valor nutritivo em longas campanhas militares. Com a queda do império, a produção não diminuiu; pelo contrário, se diversificou ainda mais pela Europa medieval, sobretudo dentro dos mosteiros, onde monges refinaram receitas que deram origem a variedades clássicas como parmesão e roquefort. Cada região passou a imprimir suas próprias características ao queijo, refletindo o clima, o tipo de leite disponível e as tradições locais, o que explica a enorme diversidade que conhecemos hoje.
Como o Queijo É Fabricado
A fabricação do queijo combina ciência e técnica artesanal, começando pela escolha do leite, que pode ser de vaca, cabra, ovelha ou búfala, cada um conferindo características distintas ao produto final. Depois de aquecido a uma temperatura específica, o leite recebe culturas bacterianas que iniciam a acidificação, convertendo a lactose em ácido lático e começando a definir o sabor e a textura que o queijo terá.
Em seguida vem a coagulação: o coalho, uma enzima que solidifica as proteínas do leite, é adicionado para separar a coalhada, parte sólida, do soro, parte líquida. O tamanho dos grãos de coalhada, definido no corte, determina boa parte da textura final, já que grãos menores expulsam mais soro e resultam em queijos mais secos e duros, enquanto grãos maiores mantêm mais umidade e originam queijos macios. Depois de cortada, mexida e aquecida para expulsar o soro restante, a coalhada é salgada, o que soma sabor e também atua como conservante, e prensada em moldes, etapa que dá forma ao queijo e finaliza a drenagem do soro.
Tipos de Queijo
Existem centenas de tipos de queijo ao redor do mundo, geralmente classificados pela textura e pelo teor de umidade, que varia de acordo com o processo de fabricação e o tempo de maturação.
Queijos Frescos e Macios
Queijos frescos, como ricota, cottage e cream cheese, não passam por maturação e são consumidos logo após a fabricação, com sabor suave e textura cremosa que os torna versáteis tanto em pratos doces quanto salgados. Já os queijos macios, como brie e camembert, passam por uma maturação curta que desenvolve uma casca aveludada e um interior cremoso, com sabor mais complexo, sendo bastante procurados para tábuas de queijo.
Queijos Semiduros e Duros
Queijos semiduros, como gouda, cheddar e suíço, têm umidade intermediária e textura firme, ainda elástica, com sabor que varia de suave a intenso, o que os torna boas opções para sanduíches e pratos gratinados. Os queijos duros, como parmesão e asiago, passam por maturação prolongada, resultando em baixa umidade, textura granulosa e sabor forte e concentrado, ideais para ralar sobre massas e sopas.
Guia Rápido por Tipo de Queijo
Entre as opções com melhor custo-benefício nutricional estão cottage, feta e cheddar: cottage pelo alto teor de proteína e baixa caloria, feta pelo cálcio e pela vitamina B12 aliados a menos calorias, e cheddar pela combinação de cálcio, proteína e vitamina A a um preço acessível. O guia abaixo resume as principais variedades.
- Brie: rico em vitamina A e proteína; porção recomendada de 30 a 50g ao dia; gestantes devem verificar a pasteurização.
- Camembert: boa fonte de cálcio, proteína e vitamina B12; porção de cerca de 30g ao dia; mesma atenção de gestantes que o brie.
- Cheddar: rico em cálcio, proteína e vitamina A; porção de cerca de 30g ao dia, moderando pelo teor de gordura saturada.
- Cottage: alto teor de proteína e baixa caloria; porção de meia xícara (110g) ao dia.
- Feta: fonte de cálcio e vitamina B12, moderadamente calórico; porção de 30 a 60g ao dia, com atenção ao teor de sódio.
- Gouda: rico em cálcio, proteína e vitamina K2; porção de cerca de 30g ao dia.
- Mussarela: boa fonte de cálcio e proteína, relativamente leve; porção de cerca de 50g ao dia.
- Parmesão: extremamente rico em cálcio e proteína; porção de cerca de 20g ao dia, pelo sabor intenso e alto teor de sódio.
- Ricota: leve, rica em proteína; porção de meia xícara (125g) ao dia.
Benefícios do Queijo para a Saúde
O queijo é uma fonte concentrada de nutrientes essenciais. Suas proteínas são completas, contendo todos os aminoácidos essenciais, o que contribui para a manutenção muscular e para a sensação de saciedade. O cálcio, presente em boa quantidade e com biodisponibilidade elevada, tem papel bem estabelecido na saúde óssea e dental, contribuindo para a prevenção da osteoporose quando o consumo é regular e equilibrado.

Queijos como cottage e ricota se destacam por concentrar proteína com baixo teor calórico, sendo boas opções para quem busca aumentar a ingestão proteica sem excesso de gordura, enquanto variedades como cheddar e parmesão estão entre as mais ricas em cálcio. O queijo também fornece vitaminas importantes, como a vitamina A, relevante para a visão e a imunidade, e a vitamina B12, associada à função neurológica; algumas variedades, como o gouda, ainda contêm vitamina K2, nutriente estudado por seu possível papel em direcionar o cálcio para os ossos em vez das artérias.
Uma metanálise de estudos observacionais associou o consumo moderado de queijo, em torno de 35 a 40 gramas por dia, a menor risco de mortalidade geral e cardiovascular, além de menor risco de diabetes tipo 2, resultados que contrariam a ideia antiga de que o queijo seria necessariamente prejudicial ao coração. Ainda assim, esses achados dizem respeito a padrões de consumo populacional e não substituem orientação individualizada, sobretudo para quem já tem fatores de risco cardiovascular.
Mitos e Verdades sobre o Queijo
Ao redor do queijo circulam alguns mitos persistentes, quase sempre baseados em meias verdades.
Queijo Engorda?
É verdade que várias variedades são ricas em gordura e calorias, mas o consumo moderado não leva necessariamente ao ganho de peso: as proteínas do queijo promovem saciedade, o que ajuda a controlar o apetite, e existem opções de baixo teor de gordura, como cottage e ricota, para quem busca uma dieta mais leve. O segredo está no equilíbrio entre a variedade escolhida e o tamanho da porção.
Queijo e Colesterol
O queijo contém gordura saturada, capaz de elevar o colesterol LDL, mas estudos mais recentes sugerem que o efeito do queijo sobre a saúde cardiovascular é mais complexo do que se pensava, possivelmente porque a matriz alimentar do queijo, isto é, a forma como gordura, proteína e cálcio se organizam no alimento, influencia a absorção de gordura. Isso não significa consumo livre: pessoas com colesterol elevado devem manter moderação e conversar com um profissional de saúde sobre sua dieta específica.
Queijo e Intolerância à Lactose
Nem toda pessoa com intolerância à lactose precisa abrir mão do queijo. Durante a fabricação e a maturação, boa parte da lactose é removida junto com o soro, o que faz com que queijos duros e bem maturados, como cheddar e parmesão, contenham quantidades muito baixas do açúcar do leite e sejam, em geral, bem tolerados. Já os queijos frescos concentram mais lactose, então o ideal é começar com pequenas porções e observar a resposta do próprio corpo.
Como Escolher e Armazenar Queijos
Escolher o queijo certo depende do uso que você pretende dar a ele: para ralar sobre massas, um queijo duro como o parmesão é a escolha natural, enquanto uma tábua pede variedade, combinando um queijo macio, um semiduro, um duro e, se for do gosto de quem vai servir, um azul. Provar antes de comprar, quando a loja oferecer essa opção, ajuda a garantir que o produto escolhido realmente agrada.
Dicas de Armazenamento
O ideal é embrulhar o queijo em papel manteiga ou papel encerado, que permite que ele respire; o filme plástico, ao contrário, pode sufocar o queijo e transferir sabores indesejados. Depois de embrulhado, a gaveta de legumes da geladeira costuma oferecer a temperatura e a umidade mais estáveis para a conservação, e queijos de casca mofada, como o brie, se beneficiam da troca do papel a cada dois dias. Antes de servir, vale tirar o queijo da geladeira com 30 a 60 minutos de antecedência, tempo suficiente para que seus sabores e aromas se desenvolvam plenamente. Se surgir um mofo indesejado na superfície de um queijo duro ou semiduro, basta cortar a parte afetada; já em queijos macios ou frescos, o aparecimento de mofo é sinal para descartar o produto.
Harmonização de Queijos com Vinhos e Outros Acompanhamentos
A combinação certa entre queijo e bebida pode realçar os sabores de ambos. Uma regra prática é aproximar queijos e vinhos da mesma região de origem: vinhos brancos e mais ácidos cortam bem a gordura de queijos cremosos, enquanto tintos encorpados harmonizam melhor com queijos duros e envelhecidos. A cerveja também acompanha bem o queijo, com opções leves, como pilsen, combinando com queijos suaves, e cervejas mais escuras e robustas complementando queijos defumados e azuis; a carbonatação ajuda a limpar o paladar entre uma mordida e outra.
Para montar uma tábua completa, os acompanhamentos fazem diferença: castanhas e nozes trazem textura crocante, frutas frescas e frutas secas equilibram com um contraponto doce, geleias e méis somam uma camada extra de sabor, e pães e torradas servem de base neutra para experimentar as combinações.
Queijos Macios de Casca Florescida: um Alerta na Gravidez
Brie e camembert são queijos macios de casca florescida tradicionalmente associados a maior risco de contaminação por Listeria monocytogenes quando não pasteurizados adequadamente; queijos azuis, pela mesma razão, merecem a mesma atenção. Gestantes devem evitar esse tipo de queijo, a menos que confirmem que o produto foi feito com leite pasteurizado e vem de um fabricante confiável, já que a listeriose na gravidez pode causar complicações graves, incluindo aborto espontâneo e parto prematuro. Na dúvida sobre a pasteurização de um produto específico, a orientação mais segura é evitar o consumo.
Contraindicações
Gestantes devem evitar queijos macios de casca florescida, como brie e camembert, e queijos azuis não pasteurizados, pelo risco real de listeriose. Pessoas com hipertensão devem moderar queijos maturados e salgados, como parmesão e feta, pelo alto teor de sódio. Quem tem intolerância à lactose costuma tolerar melhor queijos maturados, com menos lactose, do que queijos frescos, mas a tolerância varia de pessoa para pessoa e vale testar com cautela. De modo geral, todos os queijos são calóricos e ricos em gordura, e o consumo deve respeitar as porções recomendadas dentro de uma dieta equilibrada.
Perguntas Frequentes sobre Queijos
Grávidas Podem Comer Brie, Camembert e Queijos Azuis?
Devem evitar, a menos que confirmem que o produto é pasteurizado e vem de um fabricante confiável, pelo risco real de listeriose associado a esse tipo de queijo quando não pasteurizado.
Qual Queijo Tem Mais Proteína?
O parmesão está entre as maiores concentrações de proteína por porção nos queijos comuns, seguido de perto por cheddar e gouda.
Queijos Fazem Mal para Quem Tem Pressão Alta?
Queijos maturados e salgados, como parmesão e feta, devem ser consumidos com moderação por pessoas hipertensas, pelo alto teor de sódio.
Quem Tem Intolerância à Lactose Pode Comer Queijo?
Queijos maturados costumam ter menos lactose que os frescos, sendo geralmente mais bem tolerados, mas a tolerância individual varia e o ideal é testar aos poucos.
Qual a Porção Ideal de Queijo por Dia?
A porção varia por tipo, entre 20 e 60 gramas ao dia conforme a variedade, equilibrando valor nutricional com teor calórico e de sódio; estudos populacionais apontam a faixa de 35 a 40 gramas diários como associada aos melhores resultados em termos de risco cardiovascular.
Queijo Cottage Engorda?
É uma das opções mais leves entre os queijos, com baixo teor calórico e alto teor de proteína, adequado para dietas de controle de peso quando consumido nas porções recomendadas.
Todo Queijo Tem Cálcio Suficiente para os Ossos?
A maioria oferece boa quantidade de cálcio biodisponível, mas queijos maturados, como parmesão e gouda, costumam concentrar as quantidades mais altas por porção.
Queijos Ajudam na Saúde Cardiovascular?
O gouda contém vitamina K2, estudada por seu possível papel em direcionar o cálcio para os ossos em vez das artérias, mas o teor de gordura saturada presente em todos os queijos ainda exige moderação geral no consumo.
O Mofo no Queijo É Perigoso?
Depende do tipo de queijo e do mofo: em queijos como o azul e o brie, o mofo é intencional e faz parte do produto. Se um mofo indesejado aparecer em um queijo duro, basta cortar a parte afetada; já em queijos macios ou frescos, o aparecimento de mofo é sinal para descartar o produto.
Qual a Diferença entre Queijo Artesanal e Queijo Industrial?
O queijo artesanal costuma ser produzido em pequena escala, com métodos tradicionais e leite de rebanhos locais, o que tende a resultar em sabores mais complexos e únicos; o queijo industrial é feito em grande escala, com processos automatizados voltados à consistência do produto.
Referências
Ver Todas as 14 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (2)
- PMC Cheese consumption and multiple health outcomes: an umbrella review and updated meta-analysis of prospective studies
- PMC Health benefits and risks of cheese consumption – PubMed
Fontes Institucionais (1)
Leituras Complementares (11)
- 2002 Birkett A, Russell K. Cheese: Chemistry, Physics and Microbiology. Academic Press, 2002.
- 2007 Haug A, et al. Bovine milk and health benefits with a focus on the effects of cheese. Nutrition Research Reviews, 2007.
- 2008 Walther B, et al. Cheese in nutrition and health. Dairy Science & Technology, 2008.
- Cheese: Types, health benefits, and risks – Medical News Today
- Is Cheese Bad for You? Benefits, Risks, Nutrition Facts – Healthline
- Cheese: Are There Health Benefits? – WebMD
- History of Cheese – Wikipedia
- History of Cheese – International Dairy Foods Association
- How Is Cheese Made? A Comprehensive Guide – Wisconsin Cheese
- List of Different Types of Cheese & Their Names – U.S. Dairy
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Listeria and pregnancy: foods to avoid.






