Perfis Botânicos

Crataegus pubescens (Tejocote): Perfil Botânico Completo

Por Conselho Editorial6 Min de Leitura
4 Referências
Publicado em

A Crataegus pubescens é o espinheiro nativo do México e da América Central, conhecido localmente como “tejocote”, um fruto profundamente enraizado na culinária e nas tradições festivas mexicanas. Pertence à família Rosaceae, a mesma família botânica da maçã, da rosa e do morango. Esta página é um perfil botânico aprofundado da espécie, focado em taxonomia formal, identificação morfológica, cultivares, importância cultural, espécies relacionadas, conservação e fitoquímica.

Sumário do Artigo
  1. Taxonomia Formal da Crataegus pubescens
  2. Identificação Botânica Detalhada
  3. Cultivares e Seleções
  4. Cultivo Técnico Detalhado
  5. Outras Espécies de Crataegus nas Américas
  6. Geografia e Distribuição
  7. Fitoquímica Principal
  8. Pragas e Doenças Comuns
  9. Conservação e Status Ambiental
  10. História Botânica
  11. Identificação Visual

Taxonomia Formal da Crataegus pubescens

A Crataegus pubescens pertence à família Rosaceae. A classificação completa segue abaixo:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta (angiospermas)
  • Classe: Magnoliopsida (dicotiledôneas)
  • Ordem: Rosales
  • Família: Rosaceae
  • Subfamília: Amygdaloideae
  • Tribo: Maleae
  • Gênero: Crataegus
  • Espécie: Crataegus pubescens (Kunth) Steud., 1840

Sinônimos Taxonômicos Históricos

  • Crataegus mexicana DC.
  • Crataegus stipulosa (Kunth) Steud.
  • Mespilus pubescens Kunth

O epíteto pubescens refere-se à pubescência (pilosidade) presente nas folhas jovens, pecíolos e inflorescências. O nome popular “tejocote” vem do náhuatl “texocotl” (pedra de fruta), referência à dureza das sementes.

Identificação Botânica Detalhada

Morfologia Geral

A Crataegus pubescens é uma árvore pequena a média, atingindo 5 a 10 metros de altura (excepcionalmente até 15 metros). Possui copa arredondada e densa, tronco com casca cinza-escura e escamosa, e ramos com espinhos robustos (1 a 3 centímetros). É a maior espécie de Crataegus das Américas.

Folhas

  • Comprimento: 4 a 10 centímetros
  • Cor: verde-escura na face superior, mais clara e pubescente na inferior
  • Forma: ovadas a rômbicas, com 3 a 5 lobos rasos a médios, margem serreada
  • Indumento: pubescência densa quando jovem, tornando-se glabrescente na maturidade
  • Largura: 3 a 8 centímetros
  • Pecíolo: 1 a 3 centímetros, pubescente

Flores

  • Cor: branca
  • Diâmetro: 15 a 20 milímetros
  • Estiletes: 2 a 5
  • Floração: março a maio (primavera mexicana)
  • Inflorescência: corimbo com 5 a 15 flores
  • Pétalas: 5, brancas, arredondadas
  • Polinização: entomófila (abelhas, especialmente Apis mellifera)

Frutos (Tejocotes)

Os frutos são a parte mais economicamente importante da espécie:

  • Cor: amarelo-alaranjado a vermelho quando maduro
  • Diâmetro: 15 a 25 milímetros (maiores que os frutos das Crataegus europeias)
  • Formato: subgloboso a piriforme
  • Maturação: outubro a dezembro (coincidindo com as festividades do Dia de los Muertos e Natal)
  • Polpa: firme, ácida a levemente adocicada, aromática
  • Sementes (pirenos): 2 a 5, grandes e duros
  • Usos culinários: ponche de frutas natalino (ponche navideño), ate de tejocote (doce), conservas, rajas en almíbar

Cultivares e Seleções

  • ‘Chapingo’: seleção do INIFAP com frutos maiores e polpa mais espessa
  • ‘Chapeado’: frutos grandes com coloração vermelha intensa
  • ‘Criollón’: variedade crioula mexicana de frutos grandes

Cultivo Técnico Detalhado

Requisitos Edafoclimáticos

  • Altitude: 1.500 a 3.000 metros (terras altas mexicanas)
  • Luminosidade: sol pleno
  • Pluviosidade: 500 a 1.200 milímetros anuais
  • Solo: fértil, profundo, bem drenado. pH 5,5 a 7,5. Tolera solos vulcânicos e pedregosos
  • Temperatura: subtropical de altitude. Tolera geadas leves (-5ºC). Ideal entre 12ºC e 22ºC

Propagação

  • Enxertia: método preferido para cultivares selecionados, sobre porta-enxerto de semente
  • Sementes: dormência tegumentar. Estratificação fria (2 a 3 meses) necessária. Germinação lenta

Manejo

  • Colheita: outubro a dezembro, quando os frutos atingem coloração amarelo-alaranjada
  • Espaçamento: 5 a 8 metros entre árvores em pomares comerciais
  • Uso como Porta-Enxerto: amplamente usado como porta-enxerto para macieiras (Malus domestica) nas terras altas mexicanas

Outras Espécies de Crataegus nas Américas

  • Crataegus gracilior J. B. Phipps: espécie mexicana de menor porte
  • Crataegus mollis (Torr. & A. Gray) Scheele: espécie norte-americana com frutos avermelhados grandes
  • Crataegus monogyna Jacq.: espécie europeia introduzida e naturalizada nas Américas
  • Crataegus tracyi Ashe: espécie do Texas e México setentrional

Geografia e Distribuição

A Crataegus pubescens é nativa das terras altas do México e da América Central:

  • Guatemala: terras altas ocidentais
  • México: eixo neovolcânico (Estados do México, Puebla, Tlaxcala, Hidalgo, Michoacán, Jalisco). Altitudes de 1.500 a 3.000 metros

O centro de diversidade e produção comercial é o planalto central mexicano, especialmente os estados de Puebla, Tlaxcala e Estado do México.

Fitoquímica Principal

  • Ácido ursólico e oleanólico: triterpenos nas folhas e frutos
  • Flavonoides: vitexina, hiperosídeo, quercetina (perfil semelhante às Crataegus europeias)
  • Pectinas: alto teor nos frutos (base para produção de ate e geleias)
  • Procianidinas: nos frutos e folhas
  • Vitamina C: 40 a 60 miligramas por 100 gramas de fruto fresco

Pragas e Doenças Comuns

  • Fire Blight (Erwinia amylovora): doença bacteriana que pode afetar severamente pomares
  • Mosca-da-Fruta (Rhagoletis spp.): larvas danificam frutos
  • Sarna (Venturia inaequalis): manchas escuras nos frutos e folhas

Conservação e Status Ambiental

A Crataegus pubescens não está classificada como ameaçada:

  • Importância Cultural: o tejocote é ingrediente essencial do ponche navideño mexicano e está associado às festividades de posadas e Dia de los Muertos
  • Produção Comercial: México produz mais de 30.000 toneladas anuais de tejocote, concentradas nos estados de Puebla, Chiapas e Estado do México
  • Porta-Enxerto: sua resistência a solos vulcânicos e altitude torna-a porta-enxerto valioso para fruticultura de clima temperado tropical

História Botânica

A espécie foi descrita originalmente por Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland como Mespilus pubescens durante sua expedição ao México (1803-1804), publicada por Kunth em Nova Genera et Species Plantarum. A reclassificação para Crataegus pubescens foi feita por Ernst Gottlieb von Steudel em 1840.

O uso do tejocote pelos povos mesoamericanos é pré-colombiano: os astecas consumiam os frutos como alimento e utilizavam a casca e as raízes na medicina tradicional náhuatl. O nome “texocotl” aparece no Códice Florentino de Bernardino de Sahagún (séc. XVI).

Identificação Visual

  • Crataegus monogyna: frutos menores (6 a 10 milímetros) com 1 semente, espinhos mais longos e finos, folhas mais profundamente lobadas
  • Malus domestica (Maçã): porte semelhante, mas sem espinhos, frutos muito maiores (5 a 10 centímetros) e folhas sem lobos

Referências e Estudos Científicos

4 Referências Citadas

Baseado em 4 Referências Citadas (1 Peer-Reviewed, 3 Complementares).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)

  1. DOI1997 Phipps, J. B. A review of Crataegus section Mexicanae (Rosaceae). Canadian Journal of Botany, 75(10), 1693-1709. 1997.

Leituras Complementares (3)

  1. 2007 Nieto-Ángel, R. Frutales nativos, un recurso fitogenético de México. Universidad Autónoma Chapingo. 2007.
  2. Kunth, K. S. Nova Genera et Species Plantarum. Paris. 1823-1824.
  3. Sahagún, B. de. Historia General de las Cosas de Nueva España (Códice Florentino). México. c. 1577.

Este conteúdo foi útil?

O que você achou deste artigo?

Continue Lendo Neste Tópico

Pode Interessar