Plantas Medicinais

Condurango: Tradição Andina e Benefícios para a Digestão

O condurango (Marsdenia condurango) é uma trepadeira andina tradicionalmente usada para a digestão, hoje também estudada por seu potencial anti-inflamatório, antioxidante e anticâncer. Conheça composição química, formas de uso, dosagens e contraindicações.

Por Conselho Editorial20 Min de Leitura
Evidência Moderada10 Referências
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A Marsdenia condurango, conhecida como condurango, é uma trepadeira lenhosa sul-americana que se destaca pelo crescimento vigoroso e pela forma como se apoia em outras estruturas para subir. Seu nome costuma aparecer em conteúdos botânicos e tradicionais ligados às regiões andinas, o que reforça o interesse pela espécie em estudos sobre identificação vegetal e uso histórico.
Flores e folhas de Marsdenia condurango, planta trepadeira andina tradicionalmente usada para problemas digestivos e tratamentos naturais do câncer

Nas encostas andinas, o condurango ganhou fama muito antes de chegar a livros de botânica e laboratórios modernos. Povos indígenas já recorriam à planta quando o estômago pesava, o apetite desaparecia ou o corpo pedia um tônico amargo de ação marcante. Esse uso tradicional atravessou gerações e ajudou a transformar a espécie em uma das plantas sul-americanas mais estudadas da fitoterapia.

Conhecida cientificamente como Marsdenia condurango, a planta também é chamada de cipó-de-condor e condurango. O interesse por ela cresceu porque a casca concentra compostos amargos e outros constituintes bioativos associados, sobretudo, ao uso digestivo tradicional. Ao mesmo tempo, pesquisas mais recentes passaram a observar seu potencial antioxidante, anti-inflamatório e o comportamento de alguns extratos em estudos celulares relacionados ao câncer.

Entre tradição e ciência, o condurango ocupa um espaço singular. Ele segue ligado ao cuidado digestivo no uso popular, mas também desperta atenção em investigações que procuram entender melhor seus mecanismos de ação e seus limites de segurança. Observado com critério, sem exageros e sem promessas absolutas, o condurango se revela uma planta de grande interesse histórico, botânico e medicinal, cuja distribuição vai além dos Andes e alcança também trechos da Amazônia.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Marsdenia condurango?
  2. Composição Química e Princípios Ativos
  3. Benefícios do Condurango para a Digestão
  4. Potencial Anticancerígeno em Pesquisas Científicas
  5. Propriedades Anti-inflamatórias e Antioxidantes
  6. Uso Tradicional e Etnobotânica
  7. Formas de Uso e Dosagem do Condurango
  8. Contraindicações e Possíveis Efeitos Colaterais
  9. Perguntas Frequentes sobre o Condurango

O Que É a Marsdenia condurango?

As flores da Marsdenia condurango costumam ser pequenas, delicadas e reunidas em agrupamentos discretos, contribuindo para a aparência característica dessa trepadeira. Em registros botânicos, elas aparecem associadas a tons claros, amarelados ou esbranquiçados, formando um contraste sutil com a folhagem e ajudando no reconhecimento visual da espécie em fase de floração.

A Marsdenia condurango é uma trepadeira robusta, tradicionalmente associada às regiões montanhosas da América do Sul, com destaque para Colômbia, Equador e Peru. A planta pertence à antiga família Asclepiadaceae, hoje geralmente incluída em Apocynaceae em classificações modernas, e se desenvolve em ambientes úmidos e de altitude, embora também seja encontrada em trechos da floresta amazônica. Seu crescimento é vigoroso, podendo atingir até 30 metros de comprimento, e as folhas largas, em formato de coração, ajudam a reconhecer a espécie mesmo à distância. A casca é a parte mais valorizada no uso tradicional, tanto pelo sabor amargo marcante quanto pela presença dos compostos que despertaram interesse medicinal.

O nome popular cipó-de-condor vem da língua quíchua e se liga a uma imagem forte da paisagem andina. Uma lenda local conta que os condores, aves emblemáticas da cordilheira, se relacionavam de perto com a trepadeira, o que teria despertado o interesse das populações locais pela planta; essa história será retomada mais adiante, na seção sobre uso tradicional. Folhas largas, crescimento vigoroso e hábito trepador ajudam a reconhecer a espécie em seu ambiente natural, onde segue profundamente ligada ao território que a tornou um recurso popular para desconfortos digestivos.

Composição Química e Princípios Ativos

A casca do condurango concentra os compostos mais estudados da planta. Entre eles, ganham destaque os glicosídeos amargos, frequentemente reunidos sob o nome condurangina, além de taninos, resinas, fitoesteróis, alcaloides em menor quantidade e um óleo essencial, que contribuem em conjunto para o perfil bioativo da espécie. O conjunto desses elementos ajuda a explicar por que a planta se associou, por tanto tempo, ao estímulo digestivo e ao uso tradicional como tônico.

O sabor amargo é um dado importante porque, em plantas medicinais, ele costuma estar ligado à estimulação de secreções digestivas, e no condurango essa característica se tornou uma marca central da espécie. Ao lado disso, estudos também identificaram compostos de interesse em investigações sobre atividade antioxidante, inflamação e comportamento celular, o que ajuda a sustentar o interesse científico atual pela planta.

A planta também produz látex, uma substância cáustica que não deve ser ingerida. Tradicionalmente, esse látex era aplicado apenas de forma tópica, em pequenas quantidades, para remover verrugas e calosidades, um uso bem distinto do emprego digestivo da casca e que não deve ser confundido com ele.

Condurangina e Glicosídeos Amargos

A condurangina é frequentemente citada como o principal grupo de compostos ligados ao uso tradicional do condurango. Trata-se, na prática, de uma mistura de glicosídeos pregnânicos, uma classe de esteroides conhecida por diversas atividades biológicas. Esses glicosídeos amargos ajudam a explicar por que a planta se tornou tão associada ao estímulo do apetite e ao conforto digestivo. Em termos práticos, o amargor aciona respostas fisiológicas relacionadas à salivação e à secreção gástrica, o que reforça o papel histórico do condurango como tônico digestivo.

Outros Compostos Relevantes

Além dos glicosídeos, a planta apresenta taninos, resinas e outros constituintes que podem participar de seus efeitos gerais. Taninos, por exemplo, costumam ser relacionados a ação adstringente, o que no uso tradicional também foi associado a diarreias leves, enquanto fitoesteróis e compostos fenólicos aparecem com frequência em discussões sobre proteção antioxidante. Ainda que nem todos os mecanismos estejam plenamente esclarecidos, esse conjunto químico mostra que o condurango vai além de um amargo simples e isolado.

Benefícios do Condurango para a Digestão

O uso mais tradicional do condurango está ligado ao sistema digestivo, e esse continua sendo o campo em que a planta é lembrada com mais frequência. O sabor amargo da casca favorece a estimulação das secreções digestivas e ajuda a explicar seu emprego popular em casos de digestão lenta, sensação de peso depois das refeições e perda de apetite. Ao entrar em contato com o paladar, substâncias amargas desencadeiam respostas que envolvem saliva, suco gástrico e outras secreções importantes para o processo digestivo, o que faz do condurango um clássico entre os tônicos amargos.

Ação no Estômago e no Intestino

No estômago, o uso tradicional do condurango é associado ao aumento da secreção de ácido clorídrico e pepsina, o que favoreceria a quebra de proteínas e a digestão como um todo. No intestino, a planta também é tradicionalmente relacionada à estimulação dos movimentos peristálticos, contribuindo para regular o trânsito intestinal. Na tradição popular, o condurango também foi usado em espasmos estomacais, náuseas leves, sensação de estômago pesado e vômitos ocasionais, sempre como recurso complementar e nunca como substituto de diagnóstico. Em quadros persistentes, dor intensa ou sintomas repetidos, a avaliação médica continua indispensável, porque planta medicinal não substitui acompanhamento profissional.

Comparação com Outros Tônicos Amargos

A fitoterapia reúne diversos tônicos amargos, como o boldo e a genciana, todos ligados historicamente ao estímulo digestivo. Dentro desse grupo, o condurango costuma ser descrito na tradição popular como um amargo de ação mais equilibrada, o que pode explicar por que segue sendo bem tolerado mesmo por quem tem maior sensibilidade estomacal. Ainda assim, a tolerância individual varia bastante, e essa comparação não substitui a avaliação de um profissional para quem sofre de desconforto digestivo persistente.

Potencial Anticancerígeno em Pesquisas Científicas

Entre os temas mais investigados atualmente, o potencial anticancerígeno do condurango chama bastante atenção. Estudos in vitro e em modelos animais observaram o comportamento de extratos da planta em diferentes linhagens celulares, com destaque para mecanismos ligados a estresse oxidativo, apoptose e limitação da proliferação celular. Um desses estudos avaliou o efeito combinado do condurango com Barbadensis miller (babosa) sobre células de câncer cervical e de fígado, encontrando resultado mais expressivo na combinação do que nos extratos isolados, o que sugere um possível efeito sinérgico entre os compostos. Esses resultados são relevantes, mas precisam ser lidos com prudência e sem extrapolações indevidas: pesquisa em laboratório não equivale, por si só, a tratamento validado em humanos.

Mecanismos de Ação Apoptótica

Algumas pesquisas relatam que extratos de condurango podem induzir apoptose, processo de morte celular programada, em determinadas células tumorais, inclusive por meio da ativação da caspase-3, enzima central nesse processo. Também aparecem observações sobre aumento de espécies reativas de oxigênio e ativação de vias relacionadas ao dano celular controlado. Um estudo mais recente investigou o comportamento de extratos de Gonolobus condurango como possível inibidor de histona desacetilase em células de câncer de mama triplo-negativo. Esses achados são promissores no contexto experimental, mas ainda não autorizam o uso da planta como terapia oncológica autônoma ou substitutiva.

Ação em Diferentes Tipos de Câncer

O potencial investigado para o condurango não se limita a um único tipo de câncer. Estudos in vitro já observaram extratos da planta em linhagens de câncer de pulmão, cervical, de fígado e de mama, sempre em contexto de laboratório. Até preparações homeopáticas derivadas da planta, como uma diluição chamada Condurango 30C, já foram avaliadas em modelos in vitro de câncer cervical, embora esse tipo de estudo exija ainda mais cautela na interpretação e esteja longe de validar qualquer uso clínico. Esse espectro mais amplo de investigação sustenta o interesse contínuo pela espécie, mas o caminho até qualquer aplicação clínica depende de ensaios em humanos que ainda não existem para o condurango.

Mesmo quando os resultados laboratoriais parecem fortes, ainda faltam estudos clínicos robustos para definir eficácia, dose, segurança e aplicabilidade real em pessoas. Por isso, o uso do condurango em contexto oncológico deve ser visto apenas como tema de pesquisa, nunca como solução pronta; em saúde, especialmente quando o assunto é câncer, entusiasmo sem critério pode se transformar em desinformação perigosa.

Propriedades Anti-inflamatórias e Antioxidantes

Outro campo de interesse envolvendo o condurango é sua possível atividade anti-inflamatória e antioxidante. Compostos fenólicos, fitoesteróis e outros constituintes presentes na casca ajudam a sustentar essa linha de investigação. Em termos gerais, antioxidantes são importantes porque ajudam a neutralizar radicais livres, enquanto a modulação inflamatória é relevante em contextos de dor, desconforto e processos crônicos de baixa intensidade. Essas propriedades não transformam o condurango em solução universal, mas ampliam o entendimento sobre a planta, que passa a ser observada em um cenário mais amplo de proteção celular e resposta inflamatória.

Combate ao Estresse Oxidativo

O estresse oxidativo é o desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes, associado ao envelhecimento e a diversas doenças crônicas. Compostos do condurango, como flavonoides e fitoesteróis, atuariam como doadores de elétrons, neutralizando radicais livres antes que danifiquem células, DNA e proteínas. Esse tipo de ação protetora sustenta boa parte do interesse por plantas com perfil antioxidante, embora a extensão real desse efeito em humanos ainda dependa de mais estudos.

Mecanismos da Ação Anti-inflamatória

A inflamação é uma resposta natural do organismo a lesões, mas se torna preocupante quando se cronifica. Extratos de condurango foram associados, em estudos preliminares, à inibição de citocinas pró-inflamatórias e à modulação de enzimas como a ciclo-oxigenase (COX), mecanismos que lembram, em parte, os de alguns anti-inflamatórios convencionais. Isso não significa equivalência de eficácia ou segurança entre a planta e esses medicamentos; significa apenas que os mecanismos estudados apontam para uma direção semelhante e merecem investigação adicional.

Uso Tradicional e Etnobotânica

O condurango entrou na medicina popular andina como uma planta de uso prático, principalmente para o trato digestivo. Comunidades indígenas e populações locais recorriam à casca em infusões e preparações amargas voltadas ao apetite, à digestão difícil e a desconfortos estomacais recorrentes. Além do uso digestivo, que sempre foi o mais difundido, o condurango também aparece em registros etnobotânicos como tônico geral para fortalecer o corpo e, historicamente, em preparações voltadas a outras doenças, incluindo a sífilis. Esses usos têm hoje interesse sobretudo histórico e não correspondem a indicações reconhecidas na fitoterapia atual, que segue concentrada principalmente no campo digestivo e nas linhas de pesquisa mais recentes.

A Chegada do Condurango à Europa

No século XIX, viajantes e botânicos que exploravam a região andina levaram amostras da casca para a Europa, onde o condurango ganhou popularidade rápida como remédio para problemas estomacais. Farmácias europeias passaram a vender extratos e tônicos à base da planta, que acabou incluída em compêndios e monografias fitoterápicas oficiais voltados ao uso digestivo, reconhecimento que ajudou a consolidar sua reputação fora do continente americano.

A Lenda do Condor e a Origem do Nome

O termo condurango vem da língua quíchua e costuma ser traduzido como cipó-de-condor. A tradição oral andina conta que os condores, aves emblemáticas da cordilheira, pousavam sobre a trepadeira e a usavam na construção de seus ninhos, e que populações locais teriam observado esse comportamento antes de passar a usar a planta por conta própria. É uma lenda, não um dado botânico comprovado, mas ela ilustra bem como a observação da natureza ajudou a guiar boa parte do conhecimento tradicional sobre plantas medicinais na região andina.

Formas de Uso e Dosagem do Condurango

A casca da Marsdenia condurango é uma das partes mais associadas ao reconhecimento tradicional da espécie, tanto pelo aspecto da trepadeira quanto pela relevância histórica que ganhou ao longo do tempo. Em descrições botânicas, ela aparece ligada a ramos lenhosos e a uma estrutura mais robusta, reforçando o perfil rústico e singular dessa planta andina.

O condurango aparece com mais frequência em cápsulas, chá, decocção e tintura. A escolha da forma de uso depende do objetivo, da padronização do produto e da orientação profissional disponível. Como a casca é a parte tradicionalmente empregada, a maioria das preparações gira em torno dela, e mesmo em produtos industrializados a origem, a concentração e a qualidade da matéria-prima fazem diferença importante.

Chá ou Infusão da Casca

O chá é a forma mais conhecida no uso doméstico. Em geral, utiliza-se cerca de uma colher de chá da casca seca para uma xícara de água quente, com repouso de 10 a 15 minutos antes do consumo, tradicionalmente tomado antes das principais refeições. O resultado é uma bebida marcadamente amarga, associada ao estímulo digestivo, e costuma ser a porta de entrada de quem conhece a planta pela primeira vez.

Tintura e Extratos

A tintura concentra os princípios da planta em meio alcoólico e costuma ser usada em pequenas quantidades diluídas em água, geralmente entre 20 e 30 gotas, algumas vezes ao dia, conforme a orientação do fabricante ou de um profissional. Essa forma é prática, mas exige atenção à concentração do produto e à procedência. Como se trata de um extrato mais concentrado do que o chá, o uso sem orientação pode aumentar o risco de exagero ou desconforto, especialmente em pessoas sensíveis.

Cápsulas e Preparações Manipuladas

As cápsulas oferecem praticidade e padronização relativa, o que pode facilitar o uso para quem não tolera bem o sabor amargo da casca. As doses variam conforme o fabricante, mas costumam ficar na faixa de uma a duas cápsulas por dia. Ainda assim, a facilidade da forma não elimina a necessidade de cautela: produtos manipulados ou industrializados devem trazer composição clara, dose recomendada e origem confiável, porque em fitoterapia conveniência não pode vir antes de segurança e rastreabilidade.

Decocção da Casca

A decocção é uma alternativa à infusão simples e extrai os compostos da casca de forma mais intensa, por isso costuma ser preferida quando se quer aproveitar melhor os componentes mais lenhosos da planta. Nesse método, a casca é colocada em água fria, levada à fervura por cerca de 5 a 10 minutos e depois deixada em repouso, tampada, por mais alguns minutos antes de coar. Como se trata de uma extração mais concentrada que o chá simples, vale redobrar a atenção à quantidade usada.

Vinho de Condurango

Uma preparação menos comum, mas de raiz tradicional, é o vinho de condurango, feito macerando a casca em vinho branco ou tinto por várias semanas, até que o álcool extraia parte dos princípios ativos. O resultado é descrito na tradição popular como uma bebida tônica e digestiva, consumida em pequena quantidade antes das refeições. Por reunir os efeitos do álcool aos da planta, essa forma pede ainda mais moderação do que as demais.

Contraindicações e Possíveis Efeitos Colaterais

Embora o condurango tenha longa tradição de uso, isso não significa ausência de riscos. O consumo excessivo pode provocar desconforto intestinal, diarreia, irritação digestiva, náuseas ou vômitos, e em casos extremos a literatura tradicional chega a mencionar paralisia do sistema nervoso central. Pessoas com maior sensibilidade gastrointestinal precisam de atenção especial, sobretudo ao iniciar o uso. Como acontece com outras plantas amargas, o problema geralmente não está em um uso cuidadoso, mas em exagero, automedicação ou concentração inadequada.

Crianças, gestantes e lactantes não devem usar o condurango sem orientação profissional. Pessoas com histórico de alergia ao látex ou sensibilidade a compostos vegetais específicos também merecem cautela, já que reações podem se manifestar como coceira, inchaço e vermelhidão e, em casos mais graves, dificuldade para respirar. Em qualquer caso de uso contínuo, doença pré-existente ou suspeita de interação com tratamentos em andamento, a avaliação de um profissional de saúde é a conduta mais segura.

Perguntas Frequentes sobre o Condurango

O Que É Marsdenia condurango?

A Marsdenia condurango é uma planta trepadora sul-americana, conhecida popularmente como cipó-de-condor e condurango. Sua casca é a parte mais usada em práticas tradicionais, principalmente em preparações voltadas ao sistema digestivo. Ao longo do tempo, a planta também passou a chamar atenção em pesquisas laboratoriais que investigam seu potencial bioativo.

De Onde Vem o Nome Condurango?

O nome vem da língua quíchua e costuma ser traduzido como cipó-de-condor, em referência a uma lenda andina segundo a qual os condores usavam a trepadeira em seus ninhos. É uma tradição oral, não um dado botânico comprovado, mas ajuda a explicar o forte simbolismo que o nome popular carrega na cultura da região.

Para Que Serve o Condurango?

O uso mais tradicional do condurango está ligado ao estímulo digestivo, ao apetite e ao alívio de desconfortos estomacais leves. Em pesquisas, a planta também vem sendo observada por seu potencial antioxidante, anti-inflamatório e pelo comportamento de alguns extratos em estudos celulares. Ainda assim, seu emprego deve ser entendido com prudência e sem promessas terapêuticas absolutas.

Como a Marsdenia condurango Funciona?

Boa parte do interesse pela planta se concentra em seus glicosídeos amargos, especialmente os associados à condurangina. Esses compostos ajudam a estimular secreções digestivas e explicam sua reputação como tônico amargo. Outros constituintes, como taninos e fitoesteróis, contribuem para o interesse científico atual, sobretudo em pesquisas sobre proteção celular, inflamação e atividade biológica mais ampla.

A Marsdenia condurango Emagrece?

Não há base científica sólida para afirmar que o condurango provoque emagrecimento direto. A planta é mais tradicionalmente ligada ao sistema digestivo do que ao controle de peso. Melhorar digestão ou apetite não equivale a queimar gordura, e qualquer promessa nesse sentido simplifica demais a questão. Emagrecimento saudável depende de contexto alimentar, rotina e acompanhamento apropriado.

Existem Efeitos Colaterais?

Sim. O uso excessivo pode causar desconforto intestinal, irritação digestiva, náuseas e vômitos. Pessoas mais sensíveis podem reagir mesmo com quantidades menores, principalmente em extratos mais concentrados. Como ocorre com várias plantas de perfil amargo, a dose faz diferença. Por isso, o uso responsável e a avaliação profissional são medidas importantes para reduzir riscos desnecessários.

Quem Não Pode Usar Condurango?

Crianças, gestantes, lactantes e pessoas com maior sensibilidade a compostos vegetais ou histórico de alergia ao látex devem evitar o uso sem orientação profissional. Também é prudente ter cautela em casos de doenças crônicas, uso contínuo de medicamentos ou sintomas digestivos persistentes. Nessas situações, a planta não deve ser escolhida sem avaliação individualizada.

Como Usar o Condurango?

As formas mais comuns são cápsulas, chá, decocção e tintura. O chá com a casca seca é o uso doméstico mais tradicional, enquanto tinturas e cápsulas aparecem em versões padronizadas ou manipuladas. A melhor escolha depende da finalidade, da tolerância individual e da qualidade do produto disponível. Em todos os casos, a moderação continua sendo essencial.

Onde Comprar Marsdenia condurango?

O condurango pode ser encontrado em farmácias de manipulação, fornecedores especializados em ervas medicinais e lojas de produtos naturais. O mais importante é verificar procedência, identificação correta da planta e integridade do material. Quando o produto é mal rotulado, muito antigo ou sem informação clara de origem, a segurança e a qualidade ficam comprometidas.

Referências

10 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 10 Referências Citadas (6 Peer-Reviewed, 4 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (6)

  1. DOI2021 Maqbool, T., Hadi, F., Razzaq, S., Naz, S., Aftab, S., Khurshid, S., Awan, S. J., Nawaz, A., Abid, F., & Malik, A. Synergistic Effect of Barbadensis miller and Marsdenia Condurango Extracts Induces Apoptosis Promotes Oxidative Stress by Limiting Proliferation of Cervical Cancer and Liver Cancer Cells. Asian Pacific Journal of Cancer Prevention, 22(3), 843-852. 2021.
  2. DOI2014 Sikdar, S., Mukherjee, A., Ghosh, S., & Khuda-Bukhsh, A. R. Condurango glycoside-rich components stimulate DNA damage-induced cell cycle arrest and ROS-mediated caspase-3 dependent apoptosis through inhibition of cell-proliferation in lung cancer, in vitro and in vivo. Environmental Toxicology and Pharmacology, 37(1), 300-314. 2014.
  3. DOI2025 Vajen, B., Schäffer, V., Eilers, M., Schlegelberger, B., & Skawran, B. Exploring the potential of Gonolobus condurango as a histone deacetylase inhibitor in triple-negative breast cancer cell lines: in vitro study. BMC Complementary Medicine and Therapies, 25(1), 177. 2025.
  4. DOI2018 Wang, X., Yan, Y., Chen, X., Zeng, S., Qian, L., Ren, X., Wei, J., Yang, X., Zhou, Y., Gong, Z., & Xu, Z. The Antitumor Activities of Marsdenia tenacissima. Frontiers in Oncology, 8, 473. 2018.
  5. DOI2014 Sikdar, S., Mukherjee, A., & Khuda-Bukhsh, A. R. Ethanolic Extract of Marsdenia condurango Ameliorates Benzo[a]pyrene-induced Lung Cancer of Rats: Condurango Ameliorates BaP-induced Lung Cancer in Rats. Journal of Pharmacopuncture, 17(2), 7-17. 2014.
  6. DOI2015 Bishayee, K., Mondal, J., Sikdar, S., & Khuda-Bukhsh, A. R. Condurango (Gonolobus condurango) Extract Activates Fas Receptor and Depolarizes Mitochondrial Membrane Potential to Induce ROS-dependent Apoptosis in Cancer Cells in vitro: CE-treatment on HeLa: a ROS-dependent mechanism. Journal of Pharmacopuncture, 18(3), 32-41. 2015.

Leituras Complementares (4)

  1. The Usage of Marsdenia condurango 30C, a Homeopathic (Potentized) Drug Demonstrates Some Cancer Inhibiting Outcomes in In Vitro Assessment of Human Cervical Cancer Cell Lines.
  2. Condurango Bark. American Botanical Council, HerbalGram.
  3. Condurango cortex. Summary Report, Committee for Veterinary Medicinal Products. European Medicines Agency.
  4. Marsdenia cundurango. Useful Tropical Plants Database.

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