Plantas Medicinais

Erva-Doce: Saiba para Que Serve o Chá

Veja para que serve a erva-doce (Pimpinella anisum): benefícios digestivos e hormonais do chá, contraindicações reais e o passo a passo completo de preparo.

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Erva-doce - Pimpinella anisum
Flores da erva-doce (Pimpinella anisum), planta medicinal utilizada no preparo de chás com propriedades digestivas e calmantes.

Pimpinella anisum é o nome científico da erva-doce, planta medicinal também conhecida como anis, anis-verde e pimpinela (em inglês, anise). Faz parte da família Apiaceae, a mesma da cenoura, da salsa e do aipo; suas sementes concentram os compostos mais estudados da espécie, entre eles o anetol, principal responsável pelo aroma adocicado e por boa parte das propriedades atribuídas à planta.

Sumário do Artigo
  1. A Origem e a História da Erva-Doce
  2. O Que É a Erva-Doce (Pimpinella anisum)?
  3. Composição Química e Nutricional da Erva-Doce
  4. Benefícios da Erva-Doce para a Saúde Digestiva
  5. Efeitos da Erva-Doce no Sistema Nervoso
  6. Suporte da Erva-Doce ao Sistema Respiratório
  7. Erva-Doce como Aliada da Saúde da Mulher
  8. Potencial Antioxidante e Anti-Inflamatório da Erva-Doce
  9. Ação Antimicrobiana e Antifúngica da Erva-Doce
  10. Anetol e o Óleo Essencial: um Ponto de Atenção Real
  11. Como Preparar o Chá de Erva-Doce
  12. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Erva-Doce
  13. Perguntas Frequentes sobre Erva-Doce

A Origem e a História da Erva-Doce

O uso da erva-doce remonta a pelo menos quatro mil anos. No Egito Antigo, as sementes eram empregadas como tempero e em preparações medicinais, com registros de uso também em práticas de embalsamamento. Gregos e romanos apreciavam a planta por suas propriedades digestivas: os romanos serviam, ao final dos banquetes, um bolo condimentado chamado mustaceum, considerado um precursor dos bolos de casamento modernos, justamente para auxiliar a digestão depois de refeições fartas.

Durante a Idade Média, a erva-doce se tornou presença comum em mosteiros e jardins de plantas medicinais na Europa, de onde se espalhou pelo mundo com as grandes navegações. Hoje a planta integra misturas de especiarias na Índia, aromatiza pães e doces no Oriente Médio e é a base de licores como o ouzo grego e a sambuca italiana. Na cultura popular, também existe a crença de que sementes de erva-doce dentro do travesseiro ajudam a afastar pesadelos, um costume sem comprovação científica, mas que ilustra a longa relação entre a planta e o cotidiano das pessoas.

O nome do gênero Pimpinella deriva do latim bipinnula, referência à disposição simétrica das folhas da planta.

O Que É a Erva-Doce (Pimpinella anisum)?

A Pimpinella anisum é uma planta herbácea de ciclo anual, que pode atingir até um metro de altura. Suas folhas são finamente divididas e suas flores, pequenas e brancas, se organizam em inflorescências chamadas umbelas, que lembram um guarda-chuva. É originária da bacia do Mediterrâneo Oriental e do Sudoeste Asiático, mas se adaptou bem a climas temperados e hoje é cultivada em boa parte da Europa, das Américas e da Ásia; para um bom desenvolvimento, precisa de solo fértil, bem drenado e de exposição direta ao sol.

As sementes, colhidas cerca de quatro meses após o plantio e secas antes de serem separadas dos cachos, são a parte da planta com maior concentração de compostos ativos; é a partir delas que se prepara o chá tradicional de erva-doce. Vale não confundir a erva-doce com plantas de nome ou aroma parecidos: o funcho (Foeniculum vulgare) e o anis-estrelado (Illicium verum) também devem seu sabor ao anetol, mas são espécies botanicamente distintas, de famílias diferentes, com perfis químicos próprios.

Composição Química e Nutricional da Erva-Doce

O componente majoritário do óleo essencial da erva-doce é o trans-anetol, responsável por mais de 80% do seu volume e pelo sabor e aroma adocicados característicos da planta. Outros compostos voláteis presentes em menor quantidade incluem anisaldeído, aniscetona, estragol e linalol, que atuam em conjunto com o anetol potencializando os efeitos da planta.

As sementes também contêm flavonoides como apigenina, kaempferol, luteolina e quercetina, além de ácidos fenólicos, todos com reconhecida atividade antioxidante. Do ponto de vista nutricional, são fonte de minerais como cálcio, ferro, fósforo, magnésio, manganês e potássio, de pequenas quantidades de vitamina B6 e de ácidos graxos como o linoleico e o oleico. A presença de cumarinas, como a bergapteno, também já foi documentada, e é um dos motivos pelos quais a erva-doce merece atenção quanto a possíveis interações medicamentosas, tratadas mais adiante.

Benefícios da Erva-Doce para a Saúde Digestiva

O chá de erva-doce, feito a partir das sementes, é um dos mais consumidos no Brasil e tem uso tradicional consagrado para a saúde digestiva. Suas propriedades carminativas ajudam a reduzir a formação de gases no trato gastrointestinal, aliviando o inchaço e a flatulência, e seu efeito antiespasmódico relaxa a musculatura lisa do intestino, o que explica o uso popular do chá para cólicas intestinais e espasmos.

A ingestão das sementes ou do chá após as refeições também tem uso tradicional para estimular a digestão, por sua possível ação sobre a produção de enzimas digestivas e o fluxo biliar. Alguns estudos preliminares investigam ainda um possível papel protetor da planta sobre a mucosa gástrica, mas essa ainda é uma linha de pesquisa em desenvolvimento, que não substitui o acompanhamento médico em quadros digestivos persistentes.

Efeitos da Erva-Doce no Sistema Nervoso

Além do uso digestivo, a erva-doce é tradicionalmente associada a um efeito calmante. O chá de suas sementes é usado de forma popular em momentos de ansiedade e tensão nervosa, e uma xícara antes de deitar costuma ser indicada como apoio para uma noite de sono mais tranquila, sem o efeito de sonolência residual associado a alguns sedativos sintéticos.

Alguns estudos preliminares, em sua maioria com modelos animais, têm investigado um possível efeito da erva-doce sobre o humor. Os resultados ainda são iniciais e não permitem afirmar que a planta trate ou substitua o tratamento de transtornos de ansiedade ou depressão; quem enfrenta esses quadros deve buscar acompanhamento profissional.

Suporte da Erva-Doce ao Sistema Respiratório

A erva-doce tem ação expectorante tradicional bem estabelecida, e por isso o chá é um remédio caseiro popular para o tratamento sintomático de bronquite, gripes, resfriados e sinusite: ele ajuda a fluidificar o muco acumulado nas vias aéreas, facilitando a expectoração e aliviando a sensação de peito congestionado. A inalação do vapor do chá quente também é usada de forma tradicional para desobstruir as narinas em casos de congestão nasal.

O óleo essencial de erva-doce, rico em anetol, tem atividade antimicrobiana documentada em estudos de laboratório contra diferentes micro-organismos, o que ajuda a explicar seu uso tradicional em quadros respiratórios; ele nunca deve, no entanto, ser ingerido sem diluição ou orientação profissional, como fica mais claro na seção de contraindicações.

Erva-Doce como Aliada da Saúde da Mulher

A erva-doce é tradicionalmente usada em diferentes fases da saúde feminina. Suas propriedades antiespasmódicas são associadas ao alívio das cólicas menstruais, pelo relaxamento da musculatura uterina, e algumas mulheres relatam melhora ao consumir o chá nos dias que antecedem e durante o período menstrual.

A planta também contém fitoestrogênios, compostos vegetais capazes de mimetizar parcialmente a ação do estrogênio no corpo; por isso, alguns estudos clínicos associam o consumo de extrato de erva-doce à redução da frequência e da intensidade das ondas de calor da menopausa. Outra propriedade tradicionalmente atribuída à planta é a ação galactagoga, ou seja, o possível estímulo à produção de leite materno, atribuído principalmente ao anetol.

Justamente por essa atividade estrogênica documentada, mulheres com condições hormonais sensíveis, como endometriose ou câncer de mama hormônio-dependente, e gestantes ou lactantes devem consultar um médico antes do uso regular do chá.

Potencial Antioxidante e Anti-Inflamatório da Erva-Doce

As sementes de erva-doce reúnem uma combinação de flavonoides, ácidos fenólicos e anetol com reconhecida atividade antioxidante, capaz de ajudar a neutralizar radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular e ao chamado estresse oxidativo. O consumo regular do chá é, por isso, visto como um hábito complementar interessante para a saúde a longo prazo.

O anetol também demonstrou, em estudos de laboratório, capacidade de inibir vias inflamatórias como a do fator nuclear kappa B (NF-κB), o que sustenta o uso tradicional da erva-doce como apoio complementar em quadros inflamatórios crônicos leves. Essa propriedade não substitui o tratamento indicado por um médico para doenças inflamatórias diagnosticadas, como artrite reumatoide ou osteoartrite.

Ação Antimicrobiana e Antifúngica da Erva-Doce

Estudos de laboratório confirmam parte do uso tradicional da erva-doce como agente de proteção natural: seu óleo essencial mostrou atividade contra diferentes bactérias e fungos, incluindo espécies de Candida. Por esse motivo, a planta também entra na composição de pastas de dente e outros produtos de higiene bucal, tanto pela ação antimicrobiana quanto pelo aroma característico.

Anetol e o Óleo Essencial: um Ponto de Atenção Real

O óleo essencial de erva-doce é, de fato, uma forma muito concentrada de anetol, diferente do chá tradicional feito com as sementes inteiras. Em altas doses, o óleo essencial puro é tóxico e nunca deve ser ingerido sem diluição ou orientação profissional; há relatos de intoxicação, incluindo em crianças pequenas, por uso de óleo essencial sem diluição adequada. Por isso, o chá tradicional, preparado com as sementes, tem um perfil de segurança bem diferente e mais favorável.

Como Preparar o Chá de Erva-Doce

  1. Aqueça de 200 a 250 ml de água filtrada até o ponto de pré-fervura, quando pequenas bolhas começam a se formar no fundo da chaleira.
  2. Enquanto a água aquece, macere levemente cerca de 2 a 3 gramas (uma colher de chá) de sementes de erva-doce com um pilão ou o verso de uma colher, para romper a casca e facilitar a liberação dos óleos.
  3. Coloque as sementes maceradas em uma xícara ou em um infusor e despeje a água quente por cima.
  4. Abafe o recipiente com um pires ou uma tampa e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
  5. Coe o chá para remover as sementes e beba ainda morno, de preferência após as principais refeições.

Uma a três xícaras por dia costumam ser suficientes para o uso tradicional do chá.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Erva-Doce

O consumo do chá é considerado seguro para a maioria dos adultos e, em pequenas quantidades, para crianças, mas alguns grupos merecem atenção redobrada:

  • Alérgicos a plantas da família Apiaceae, como aipo, cenoura, coentro ou endro, podem apresentar sensibilidade cruzada à erva-doce e devem evitar seu uso.
  • Bebês e crianças pequenas só devem receber o chá, em quantidades bem reduzidas, com orientação de um pediatra.
  • Gestantes e lactantes devem consultar um médico antes do uso regular, por causa da atividade estrogênica documentada da planta.
  • Mulheres com condições hormonais sensíveis, como endometriose ou câncer de mama hormônio-dependente, também devem buscar orientação médica antes de consumir o chá com regularidade.
  • Pessoas em uso de anticoagulantes, anticoncepcionais ou terapias de reposição hormonal devem conversar com um médico ou farmacêutico, já que a erva-doce pode interagir com esses medicamentos.

O óleo essencial em altas doses é tóxico e não deve ser usado internamente sem orientação profissional, nem aplicado sem diluição adequada na pele de bebês e crianças pequenas. O consumo excessivo do chá ou do óleo essencial também já foi associado a náuseas, vômitos e, em casos extremos, reações neurológicas.

Perguntas Frequentes sobre Erva-Doce

Óleo Essencial de Erva-Doce Pode Ser Ingerido?

Não sem diluição e orientação profissional: em altas doses, o óleo essencial é tóxico, com relatos de intoxicação, inclusive em crianças pequenas.

Chá de Erva-Doce É Seguro para Crianças?

Em pequenas quantidades e com orientação de um pediatra, sim; o óleo essencial concentrado é diferente do chá e não deve ser usado em crianças sem acompanhamento médico.

Erva-Doce Interfere em Hormônios?

Sim, tem atividade estrogênica documentada; mulheres com condições hormonais sensíveis devem ter cautela e consultar um médico antes do uso regular.

Qual a Diferença entre Erva-Doce e Anis-Estrelado?

São plantas de famílias botânicas diferentes (Apiaceae e Schisandraceae, respectivamente, esta última antes classificada como Illiciaceae), com sabor parecido pelo anetol presente em ambas, mas não são a mesma espécie.

Qual a Diferença entre Erva-Doce e Funcho?

Embora sejam da mesma família botânica, são espécies distintas: a erva-doce (Pimpinella anisum) é menor e mais delicada, enquanto o funcho (Foeniculum vulgare) tem bulbo comestível e aroma mais suave.

Erva-Doce Ajuda na Digestão?

Há uso tradicional bem estabelecido nesse sentido, atribuído principalmente ao anetol presente nas sementes e à ação carminativa da planta.

Posso Usar Erva-Doce na Pele?

O óleo essencial é usado topicamente contra piolhos, sarna e psoríase, mas deve ser sempre diluído antes da aplicação, para evitar irritação.

Erva-Doce Serve para Tosse?

O chá tem uso tradicional expectorante para tosse e bronquite, mas não substitui avaliação médica em quadros persistentes.

O Chá de Erva-Doce Ajuda a Emagrecer?

Pode ser um coadjuvante em uma rotina de emagrecimento, por seu efeito diurético leve e por facilitar a digestão, mas não promove perda de peso por si só; precisa vir acompanhado de dieta equilibrada e atividade física regular.

O Chá de Erva-Doce Contém Cafeína?

Não; o chá de erva-doce é naturalmente isento de cafeína, o que o torna uma opção adequada para ser consumida a qualquer hora do dia, inclusive à noite.

Referências

12 Referências Citadas

Baseado em 12 Referências Citadas (12 Complementares).

Ver Todas as 12 Referências Citadas
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  12. National Capital Poison Center. Essential oil safety in children.

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