A anemia falciforme, também conhecida como anemia drepanocítica ou drepanocitose, é um tipo de anemia caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, sendo uma doença que surge de uma mutação genética, ou seja, é transmitida dos pais para os filhos. Ela afeta milhões de pessoas em todo o mundo e está entre as doenças genéticas mais comuns no Brasil, o que torna a informação clara e atualizada uma ferramenta essencial para pacientes e familiares lidarem com os desafios da condição.
Sumário do Artigo
- O Que É a Anemia Falciforme?
- Causas e Fatores de Risco da Anemia Falciforme
- Hemoglobina
- Fisiopatologia da Anemia Falciforme
- Sintomas e Complicações da Anemia Falciforme
- Diagnóstico da Anemia Falciforme
- Tratamentos Convencionais para Anemia Falciforme
- Terapias Naturais e Complementares
- Vivendo com Anemia Falciforme: Dicas e Cuidados
- Perguntas Frequentes sobre Anemia Falciforme
O Que É a Anemia Falciforme?
A anemia é denominada falciforme em função da forma que os glóbulos vermelhos se encontram no sangue, vez que as cadeias de hemoglobina ficam alongadas e rígidas, assemelhando-se a foice. A alteração nos genes responsáveis pela produção de hemoglobina faz com que sejam produzidos a hemoglobina S (HbS) ao invés da hemoglobina A, considerada normal. Células em forma de foice morrem muito mais rapidamente do que glóbulos vermelhos normais e o organismo não é capaz de criar reposições.
Os glóbulos vermelhos normais sobrevivem cerca de 120 dias na corrente sanguínea, já os glóbulos vermelhos em forma de foice duram apenas 12 dias em média. Como consequência, a corrente sanguínea sofre uma rápida perda de glóbulos vermelhos e, devido a essa escassez crônica, o paciente é acometido pela anemia falciforme. É de fundamental importância que tanto a família quanto o paciente sejam bem orientados para que todas as possíveis alterações sejam detectadas precocemente e tratadas. O fator emocional também deve ser priorizado, vez que as dores se mostram quase sempre presentes durante a vida do paciente.
Causas e Fatores de Risco da Anemia Falciforme
A causa da anemia falciforme é genética. A doença resulta de uma mutação no gene HBB, responsável por fornecer as instruções para a produção da beta-globina, um dos componentes da hemoglobina. Essa mutação faz com que o corpo produza a hemoglobina S (HbS) no lugar da hemoglobina A. Para desenvolver a doença, uma pessoa precisa herdar duas cópias do gene mutado, uma do pai e outra da mãe, em um padrão chamado de herança autossômica recessiva. Quem herda apenas uma cópia do gene tem o chamado traço falciforme e geralmente não apresenta sintomas, mas pode transmitir o gene para os filhos.
O principal fator de risco para a anemia falciforme é a ascendência. A mutação é mais comum em populações com ascendência africana e também é encontrada entre ascendentes do Mediterrâneo, do Oriente Médio e da Índia. A alta frequência do gene nessas regiões está ligada à malária, já que o traço falciforme oferece alguma proteção contra a doença, o que conferiu uma vantagem de sobrevivência em áreas onde a malária é endêmica.
Estudos apontam que, nos Estados Unidos, um em cada 12 afro-americanos é portador do traço falciforme e aproximadamente um em cada 500 bebês é diagnosticado com anemia falciforme. Em todo o mundo, estima-se que 250 mil crianças nasçam com a doença por ano. No Brasil, a grande miscigenação histórica faz com que a anemia falciforme não se restrinja a um único grupo étnico, podendo afetar pessoas de qualquer cor. A doença é considerada de grande relevância no país e por isso foi incluída nas ações da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra, do Ministério da Saúde, estando também no regulamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Se ambos os pais têm o traço falciforme, há 25% de chance de o filho nascer com a doença. O aconselhamento genético é recomendado para casais em risco, ajudando a entender as chances de transmissão antes mesmo da gestação.
Hemoglobina

A hemoglobina normal é composta por uma molécula heme e dois pares de proteínas chamadas globinas. Os seres humanos possuem genes para criar seis tipos diferentes de globinas: alfa, beta, gama, delta, épsilon e zeta, mas não necessariamente usa todas elas de uma só vez. O tipo de genes presentes depende do estágio de desenvolvimento: embrionário, fetal ou adulto. Praticamente toda a hemoglobina produzida em humanos a partir de 2 a 3 meses contém um par de moléculas alfa globina e beta globina.
Uma mudança ou mutação em um gene pode alterar toda a sua função. No caso da hemoglobina falciforme, o gene tem uma pequena alteração que a torna diferente do gene normal. Esta mutação afeta um único ácido nucleico ao longo de toda cadeia de DNA que compõe o gene da beta globina. Especificamente, o ácido nucleico, no caso a adenina, é substituída por um ácido nucleico chamado timina. Por causa dessa mutação aparentemente leve, chamada de mutação pontual, a molécula de beta globina acaba com uma única substituição de aminoácidos: a valina ocupa o lugar normalmente ocupado pelo ácido glutâmico.
Com essa alteração, ocorre a diminuição no transporte de oxigênio para os tecidos, fazendo com que as membranas se rompam com mais facilidade. A concentração de hemoglobina nos glóbulos vermelhos é influenciada pelo nível de hidratação do indivíduo. Se uma pessoa ficar desidratada, a hemoglobina torna-se mais concentrada nos glóbulos vermelhos. Dessa forma, a hemoglobina S tem uma maior tendência a se aglomerar e perder seu formato e flexibilidade.
Fisiopatologia da Anemia Falciforme
A polimerização da hemoglobina S é o evento central da fisiopatologia da doença. Em situações de baixa oxigenação, as moléculas de HbS se agrupam e formam estruturas rígidas dentro das hemácias, que perdem o formato arredondado e assumem a forma de foice característica da doença.
As hemácias em forma de foice são rígidas e pouco flexíveis, o que dificulta sua passagem pelos vasos sanguíneos menores e causa a oclusão da microcirculação. Essa obstrução do fluxo sanguíneo é a origem das crises de dor, marca registrada da anemia falciforme. Além disso, as hemácias falciformes têm vida útil mais curta e são destruídas mais rapidamente que as normais, um processo chamado hemólise, que leva à anemia crônica porque o corpo não consegue repor os glóbulos vermelhos na mesma velocidade em que são destruídos.
A oclusão vascular e a hemólise crônica causam danos progressivos aos órgãos. O baço, por exemplo, é frequentemente sobrecarregado ao tentar remover as hemácias anormais e, com o tempo, pode perder sua função, o que aumenta o risco de infecções graves. Outros órgãos, como pulmões, rins e cérebro, também podem ser danificados pela falta crônica de oxigênio nos tecidos. Compreender esses mecanismos é fundamental para o desenvolvimento de novas terapias voltadas a prevenir a polimerização da HbS e suas consequências.
Sintomas e Complicações da Anemia Falciforme
O processo de formação da anemia falciforme causa uma possível obstrução dos vasos sanguíneos devido ao formato das hemácias e leva o paciente a sentir fraqueza, além de dores no corpo que podem durar de quatro a seis dias ou até mesmo semanas, principalmente na região abdominal, pulmões, articulações e ossos. Alguns fatores tornam as crises mais frequentes, como temperaturas mais frias, desidratação, infecções e estresse.
Os sintomas mais comuns da doença são febre acima de 38 graus, desidratação, palidez, falta de ar, fadiga, vômitos recorrentes, aumento do volume articular, mãos e pés inchados, infecções frequentes, icterícia (olhos e pele amarelados, causada pelo acúmulo de bilirrubina liberada na destruição acelerada das hemácias), retardo no crescimento e atraso da puberdade. Geralmente a gravidade da doença está relacionada com a maior proporção de HbS; nos casos mais severos, o paciente sente dor generalizada e tem mais chances de sofrer um acidente vascular cerebral ou ter o sistema imunológico comprometido. Em caso de sintomas, o médico deve ser consultado para que o tratamento seja iniciado o mais breve possível. A doença, na maioria dos casos, não tem cura, mas o acompanhamento adequado pode trazer ao paciente uma vida praticamente normal.
Crises de Dor (Crises Vaso-Oclusivas)
As crises de dor são o sintoma mais debilitante da anemia falciforme. São imprevisíveis e podem durar horas ou dias, resultando da isquemia tecidual: a falta de oxigênio nos tecidos causa inflamação e dor intensa. O tratamento envolve hidratação e analgésicos potentes e, em casos graves, pode exigir hospitalização. Manter-se hidratado e evitar gatilhos conhecidos ajuda a prevenir novas crises.
Síndrome Mão-Pé (Dactilite)
A síndrome mão-pé costuma ser o primeiro sinal da doença em bebês, manifestando-se como um inchaço doloroso das mãos e dos pés causado pelo bloqueio dos pequenos vasos sanguíneos, podendo vir acompanhado de febre. O tratamento geralmente envolve analgésicos e hidratação. Embora seja mais comum em crianças pequenas, pode ocorrer em qualquer idade e é um indicador precoce importante para o diagnóstico.
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
O AVC é uma das complicações mais graves da anemia falciforme e pode ocorrer em crianças e adultos. Costuma se manifestar com fraqueza súbita, dormência em um lado do corpo, perda ou dificuldade da fala, perda súbita de visão, confusão ou tontura. Crianças entre 1 e 15 anos com anemia falciforme têm risco de cerca de 30% de sofrer um derrame ao longo da vida. Transfusões de sangue regulares podem prevenir a ocorrência de AVC em crianças de alto risco, e a triagem com Doppler transcraniano ajuda a identificar quem precisa desse acompanhamento. O diagnóstico e o tratamento rápidos são essenciais para minimizar os danos, já que o bloqueio dos vasos sanguíneos no cérebro pode ter consequências graves ou fatais.
Síndrome Torácica Aguda
A síndrome torácica aguda pode ocorrer em qualquer idade e é causada por células falciformes que bloqueiam os pequenos vasos sanguíneos dos pulmões, assemelhando-se a uma pneumonia. Infecções ou embolia gordurosa podem funcionar como gatilhos. Os sintomas incluem febre, tosse, dor no peito e falta de ar. O tratamento requer hospitalização imediata, com oxigenoterapia, antibióticos e, frequentemente, transfusões de sangue. Ataques recorrentes podem levar a danos pulmonares permanentes, por isso a detecção precoce é fundamental para um bom desfecho.
Priapismo
Homens com a doença podem apresentar uma condição chamada priapismo, caracterizada por uma ereção persistente e dolorosa do pênis. Isso ocorre devido ao bloqueio dos vasos sanguíneos pelas células falciformes, fazendo com que o sangue se acumule no tecido do pênis. Os danos causados a esse tecido podem resultar em impotência permanente em adultos.
Problemas de Visão
Alguns indivíduos com anemia falciforme podem apresentar problemas de visão. Os vasos sanguíneos que alimentam a retina, tecido na parte de trás do globo ocular, podem ser bloqueados por células falciformes. Novos vasos sanguíneos podem se formar em torno dos bloqueios, mas costumam ser frágeis ou defeituosos, o que pode causar descolamento de retina e, eventualmente, levar à cegueira.
Diagnóstico da Anemia Falciforme
O diagnóstico da anemia falciforme começa pelo hemograma, exame que permite detectar a presença de HbS e sua associação com outras frações de hemoglobina. Para confirmar o diagnóstico, é realizado o exame de eletroforese de hemoglobina, que identifica os diferentes tipos de hemoglobina presentes no sangue e quantifica a porcentagem de cada um, ajudando a diferenciar a anemia falciforme do traço falciforme.
No Brasil, o diagnóstico precoce é uma prioridade e é feito logo após o nascimento pelo Teste do Pezinho, programa de triagem neonatal obrigatório e gratuito em todo o território nacional desde 2001. O exame é realizado a partir de uma pequena amostra de sangue do calcanhar do bebê, coletada entre o terceiro e o quinto dia de vida, e verifica os genes e hemoglobinas presentes. Caso o bebê seja portador da anemia falciforme, o acompanhamento médico já pode começar imediatamente, o que reduz consideravelmente a morbimortalidade da doença.
Em casos de histórico familiar, o diagnóstico pode ser feito ainda antes do nascimento, por meio da análise do DNA fetal obtido por amniocentese ou biópsia de vilo corial. Esses procedimentos são invasivos e apresentam alguns riscos, por isso são indicados apenas para casais com alto risco de ter um filho com a doença. Nesses casos, o aconselhamento genético é essencial para auxiliar na tomada de decisão, fornecendo informações sobre os riscos e benefícios de cada opção.
Tratamentos Convencionais para Anemia Falciforme
O tratamento da anemia falciforme visa aliviar os sintomas, prevenir complicações e prolongar a vida. O manejo é multidisciplinar e contínuo, envolvendo hematologistas, enfermeiros e outros especialistas, com um plano individualizado que leva em conta a gravidade da doença e a idade do paciente. A educação do paciente e da família sobre a condição é um pilar fundamental do tratamento, ajudando a gerenciar melhor as crises e a aderir ao acompanhamento.
Hidroxiureia

A hidroxiureia é um medicamento oral originalmente concebido para tratamento antineoplásico, com a finalidade de inibir o crescimento e a disseminação de tumores, mas que se mostrou muito eficaz no tratamento da anemia falciforme. Ela aumenta a produção de hemoglobina fetal (HbF), que interfere na polimerização da HbS e reduz a formação de células em foice. Como consequência, diminui a frequência de crises dolorosas e de síndrome torácica aguda, além de reduzir a necessidade de transfusões de sangue.
Os principais efeitos colaterais da droga incluem diminuição da produção de plaquetas, glóbulos vermelhos e alguns tipos de glóbulos brancos. Um estudo concluído em 2013, com duração de nove anos e participação de 299 adultos com crises de dor frequentes que tomaram hidroxiureia, apontou uma redução de 40% na mortalidade entre os participantes, embora os efeitos de longuíssimo prazo do tratamento ainda sejam objeto de pesquisa.
Transfusões de Sangue
As transfusões de sangue são usadas para tratar complicações agudas e prevenir problemas futuros. A transfusão aumenta o número de glóbulos vermelhos normais, o que melhora o transporte de oxigênio e dilui as células falciformes. São indicadas em casos de anemia grave, síndrome torácica aguda e antes de cirurgias, e um programa de transfusão crônica é usado para prevenir o AVC em crianças de alto risco. Como as transfusões podem levar ao acúmulo de ferro no corpo, a terapia de quelação de ferro é frequentemente necessária.
Transplante de Medula Óssea
O transplante de medula óssea, ou transplante de células-tronco hematopoiéticas, é um dos únicos meios de cura da doença. O procedimento substitui a medula óssea do paciente pela de um doador saudável, que passa a produzir glóbulos vermelhos normais, e costuma ser mais bem-sucedido quando o doador é um irmão compatível. Por envolver quimioterapia intensiva e apresentar riscos, o transplante não é indicado para todos os casos e é cuidadosamente selecionado pelo médico, sendo geralmente reservado para quadros mais graves, principalmente em crianças e jovens.
Novas Terapias
A pesquisa sobre a anemia falciforme tem avançado e novos medicamentos foram aprovados nos últimos anos. O crizanlizumabe é um anticorpo monoclonal que reduz a frequência de crises de dor. O voxelotor aumenta a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, prevenindo a falcização. A terapia gênica, por sua vez, é uma área de pesquisa promissora que busca corrigir diretamente a mutação genética que causa a doença, com vários ensaios clínicos em andamento.
Terapias Naturais e Complementares
Além dos tratamentos convencionais, muitas pessoas com anemia falciforme recorrem a terapias naturais e complementares que ajudam a gerenciar os sintomas e a melhorar o bem-estar geral. Essas abordagens não substituem o tratamento médico e devem ser usadas como complemento, sempre com o conhecimento e a aprovação da equipe de saúde que acompanha o paciente.
Nutrição e Suplementação

A alimentação também deve ser avaliada, já que existem alimentos que ajudam a aumentar a imunidade e evitar infecções. Os mais indicados são batata-doce, broto de bambu, feijões-de-lima, mandioca, milho e rábano. Esses alimentos contêm glicosídeos cianogênicos, que interagem com bactérias no intestino grosso e auxiliam o organismo a produzir um tipo de hemoglobina capaz de transportar oxigênio pelas células do sangue, ajudando a diminuir a dor.
Uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras é recomendada, assim como a hidratação adequada, já que beber bastante água ajuda a prevenir a desidratação, um gatilho comum para as crises de dor. Alguns nutrientes merecem atenção especial: o ácido fólico é essencial para a produção de novas hemácias e sua suplementação diária costuma ser recomendada; a vitamina D também é importante, pois muitos pacientes apresentam deficiência; e antioxidantes como as vitaminas C e E podem ajudar a reduzir o estresse oxidativo. A suplementação de ferro, por outro lado, deve ser evitada a menos que prescrita por um médico, já que o excesso de ferro pode ser prejudicial.
Fitoterapia

Algumas plantas medicinais têm sido estudadas por seus potenciais benefícios na anemia falciforme. O extrato de Ginkgo biloba, por exemplo, pode melhorar o fluxo sanguíneo, e o alho tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. A pesquisa sobre fitoterápicos ainda é limitada e a segurança de muitas plantas não foi totalmente estabelecida, por isso é fundamental usar produtos de fontes confiáveis e sob orientação profissional; a automedicação pode ser perigosa e interagir com os medicamentos convencionais.
De acordo com pesquisadores do British Journal of Haematology, o extrato de ginseng-brasileiro (Pfaffia paniculata), vegetal nativo da América do Sul, mostrou resultados promissores em estudos preliminares para restaurar a forma normal das células sanguíneas características da anemia falciforme. No Brasil, o vegetal é amplamente acessível e suas propriedades medicinais são associadas à revitalização do organismo, ao combate à fadiga e a dores em geral, além de atuar como oxigenador e protetor celular.
Acupuntura e Massagem

A acupuntura é uma técnica da medicina tradicional chinesa que envolve a inserção de agulhas finas em pontos específicos do corpo. Estudos sugerem que ela pode ser eficaz no alívio da dor crônica, ajudando a reduzir a frequência e a intensidade das crises. Para resultados mais duradouros, os acupunturistas indicam que o tratamento atua sobre as energias sutis do corpo, manipulando o chi para remover bloqueios.

A massagem terapêutica também pode ser benéfica, promovendo relaxamento muscular e melhora da circulação sanguínea. Um estudo piloto publicado em 1999 indicou que pacientes que receberam massagem relataram menos percepção de dor em relação ao grupo controle, o que reforça a massagem como um tratamento complementar na gestão da doença crônica. Ambas as terapias são consideradas seguras quando realizadas por profissionais qualificados e podem ser uma adição valiosa ao plano de manejo da dor.
Vivendo com Anemia Falciforme: Dicas e Cuidados
Viver com anemia falciforme exige cuidados diários e um estilo de vida adaptado. O autocuidado é essencial para prevenir complicações e manter a qualidade de vida, e é importante que pacientes e familiares trabalhem em conjunto com a equipe de saúde, conhecendo os gatilhos das crises e sabendo como agir diante deles.
Mantenha-se Hidratado
A hidratação é talvez o cuidado mais importante na anemia falciforme. Beber bastante líquido, principalmente água, ajuda a manter o sangue fluido e dificulta a aglomeração das células falciformes; a desidratação é um dos principais gatilhos para as crises de dor. Recomenda-se beber de 8 a 10 copos de água por dia, com atenção redobrada em dias quentes ou durante a prática de exercícios. Bebidas alcoólicas e com cafeína devem ser evitadas, pois podem causar desidratação.
Evite Temperaturas Extremas
Mudanças bruscas de temperatura podem desencadear crises de dor: o frio causa constrição dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação, enquanto o calor excessivo pode levar à desidratação. É importante se proteger em climas frios com roupas quentes e adequadas e, em dias muito quentes, procurar ambientes frescos e evitar a exposição direta ao sol. Nadar em água fria também deve ser evitado, e o planejamento de atividades ao ar livre deve levar em conta as condições climáticas.
Pratique Exercícios com Moderação
A atividade física regular é benéfica para a saúde geral, mas exercícios extenuantes podem levar à desidratação e à falta de oxigênio, desencadeando uma crise de dor. Por isso, é importante escolher atividades de intensidade leve a moderada, como caminhada, natação em piscina aquecida e ioga, ouvindo o próprio corpo e descansando quando necessário. Conversar com o médico antes de iniciar um novo programa de exercícios é sempre recomendado.
Prevenção de Infecções
Pessoas com anemia falciforme, especialmente crianças, têm risco aumentado de infecções, porque o baço, órgão importante do sistema imunológico, pode não funcionar corretamente. Manter as vacinas em dia (incluindo pneumococo, meningococo e influenza) é a medida mais importante de prevenção, assim como a higiene das mãos. Ao primeiro sinal de febre, é importante procurar atendimento médico imediatamente.
Apoio Psicossocial
Viver com uma doença crônica como a anemia falciforme pode ser desafiador, e o impacto emocional e social da doença não deve ser negligenciado. A dor crônica, as hospitalizações frequentes e as limitações físicas podem levar ao estresse, à ansiedade e à depressão. Conversar com um psicólogo ou terapeuta pode ajudar a desenvolver estratégias de enfrentamento, e grupos de apoio também são um recurso valioso, permitindo a troca de experiências com outras pessoas que vivem a mesma realidade.
Perguntas Frequentes sobre Anemia Falciforme
O Que Causa a Anemia Falciforme?
A anemia falciforme é causada por uma mutação genética hereditária. A pessoa herda duas cópias de um gene defeituoso da hemoglobina, uma de cada pai. Esse gene faz com que o corpo produza hemoglobina S, que deforma os glóbulos vermelhos.
A Anemia Falciforme Tem Cura?
Atualmente, a única cura para a anemia falciforme é o transplante de medula óssea. No entanto, é um procedimento de risco e nem todos os pacientes são elegíveis. Novas terapias, como a terapia gênica, estão em desenvolvimento e são promissoras.
Quais São os Principais Sintomas da Anemia Falciforme?
Os principais sintomas incluem anemia crônica (fadiga, palidez), icterícia e crises de dor intensa. Outras complicações graves são a síndrome torácica aguda, o acidente vascular cerebral (AVC) e uma maior suscetibilidade a infecções.
Como É Feito o Diagnóstico da Anemia Falciforme?
O diagnóstico é feito principalmente pela eletroforese de hemoglobina, um exame de sangue. No Brasil, a doença é detectada na triagem neonatal, através do Teste do Pezinho, realizado logo após o nascimento.
Quais São as Complicações Mais Comuns da Anemia Falciforme?
As complicações mais comuns são as crises vaso-oclusivas (dor), anemia hemolítica crônica, infecções bacterianas graves, síndrome torácica aguda, AVC, problemas renais e danos a múltiplos órgãos ao longo do tempo.
Qual a Expectativa de Vida de uma Pessoa com Anemia Falciforme?
A expectativa de vida melhorou significativamente com os avanços no tratamento. Muitos pacientes vivem até os 50 anos ou mais. O acompanhamento médico regular e o manejo adequado da doença são cruciais para aumentar a longevidade e a qualidade de vida.
A Anemia Falciforme É Contagiosa?
Não, a anemia falciforme não é contagiosa. É uma doença genética, o que significa que é herdada dos pais. Não pode ser transmitida de uma pessoa para outra através do contato.
Qual a Importância do Acompanhamento Médico Regular?
O acompanhamento médico regular é vital. Ele permite monitorar a doença, prevenir complicações, ajustar o tratamento e receber as vacinas necessárias. Consultas regulares com um hematologista ajudam a garantir o melhor manejo possível da condição.
Referências
Ver Todas as 18 Referências Citadas
Fontes Institucionais (1)
Leituras Complementares (17)
- Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). 7 verdades sobre anemia falciforme.
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