A hortênsia (Hydrangea macrophylla) é um arbusto ornamental nativo do Japão e da China, cultivado hoje em jardins de todo o mundo por suas flores exuberantes, que mudam de cor conforme o pH do solo. Além do valor ornamental, partes da planta, como raiz, rizomas e folhas, têm uso tradicional na medicina alternativa há séculos, sobretudo na Ásia. A espécie também acumula um composto tóxico, a hidrangina, o que torna o uso interno um tema que exige cautela e informação confiável antes de qualquer aplicação.
Sumário do Artigo
- Nomes Populares e Sinônimos Botânicos da Hortênsia
- Origem e História da Hortênsia
- Composição Química da Hortênsia
- Benefícios e Propriedades Medicinais da Hortênsia
- O Ama-cha e o Uso Cerimonial da Hortênsia
- Cultivo das Flores
- Contraindicações e Efeitos Colaterais da Hortênsia
- Curiosidades Sobre a Hortênsia
- Perguntas Frequentes sobre Hortênsia
Nomes Populares e Sinônimos Botânicos da Hortênsia
No Brasil, a planta é conhecida por nomes populares como granja, hidrangea, hidrângea, hortênsia, novelão e sete-cascas. Em outros idiomas, recebe nomes como Bauernhortensie e Gartenhortensie (alemão); hidrangea e hortensia (espanhol); hortensia e hydrangée (francês); bigleaf hydrangea, French hydrangea e mophead hydrangea (inglês); e ortensia (italiano).
Entre os sinônimos botânicos registrados para a espécie estão Hortensia opuloides, Hydrangea chungii, Hydrangea hortensia, Hydrangea hortensis, Hydrangea maritima, Hydrangea opuloides, Hydrangea otaksa e Viburnum macrophyllum. A espécie pertence à família Hydrangeaceae.
Origem e História da Hortênsia
Nativa do Japão e da China, a hortênsia acompanha a cultura asiática há séculos, tanto pelo valor ornamental quanto pelo uso tradicional. No Japão, é chamada de ajisai e está associada à gratidão e ao pedido de desculpas; uma lenda conta que um imperador japonês presenteou hortênsias à família de uma jovem que amava, como forma de reparar a negligência de tê-la deixado de lado.
A planta foi descrita para o mundo ocidental pelo botânico sueco Carl Peter Thunberg, que a encontrou durante viagens pelo Japão no fim do século XVIII. Introduzida inicialmente em jardins botânicos e estufas como espécie exótica, ganhou popularidade crescente na Europa, sobretudo na era vitoriana, quando as flores de hortênsia chegaram a simbolizar ostentação.
No Brasil, a hortênsia é a flor símbolo da cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, e dá nome à chamada Região das Hortênsias, que reúne Gramado e Canela e atrai turistas em busca das paisagens floridas, especialmente entre a primavera e o verão.
Composição Química da Hortênsia
A Hydrangea macrophylla concentra uma variedade de fitoquímicos. Entre as dihidroisocumarinas, destacam-se a filodulcina e o hidrangenol, além de seus glicosídeos, e isocumarinas do grupo thunberginol (A, B e F). O ácido hidrangeico, presente nas folhas processadas, tem sido estudado por seu possível papel no metabolismo da glicose. A mirtilina, uma antocianina que forma complexos com íons metálicos, responde por boa parte da variação de cor das flores. Nas raízes, já foram detectados ácido lunulárico, lunularina e 3,4′-dihidroxistilbeno.
A planta também contém ácido ferúlico, flavonoides, glicosídeos, óleos, resinas, rutina e saponinas, compostos associados às propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias atribuídas à espécie. Já a hidrangina, um glicosídeo cianogênico presente em todas as partes da planta, é a responsável pela toxicidade descrita na seção de contraindicações.
Benefícios e Propriedades Medicinais da Hortênsia
A raiz seca, os rizomas e as folhas da hortênsia têm uso tradicional na medicina alternativa, popularmente associado ao alívio de dores nas costas relacionadas a problemas renais, incluindo apoio na prevenção de pedras nos rins. O efeito costuma ser atribuído à ação diurética associada à planta; entre os povos Cherokee, na América do Norte, a raiz era tradicionalmente preparada em decocção para problemas renais e da bexiga.
Um estudo preliminar encontrou, nas folhas processadas de Hydrangea macrophylla var. thunbergii, compostos com potencial antidiabético capazes de reduzir os níveis de glicose no sangue após duas semanas de uso em modelo experimental. É um achado inicial que ainda não confirma benefício clínico em humanos com diabetes, condição que exige diagnóstico e tratamento médico contínuo.
Extratos de folhas da planta também são estudados em laboratório por sua atividade contra o parasita da malária, uma linha de pesquisa preliminar que ainda não resultou em uso clínico estabelecido. Flavonoides e saponinas presentes na hortênsia são associados a um possível efeito anti-inflamatório, o que sustenta o uso tradicional da planta no alívio de sintomas de artrite, gota e reumatismo.
Estudos preliminares em modelos animais também sugerem que extratos de hortênsia podem ajudar a proteger o fígado de danos causados por toxinas, reduzindo marcadores de dano hepático no sangue; é um achado que ainda depende de confirmação em humanos e não deve substituir acompanhamento médico para doenças do fígado.
Outros usos tradicionais da planta incluem o alívio de irritações das mucosas e o apoio no tratamento de feridas, fraqueza capilar e queimaduras. Externamente, é usada popularmente em compressas para contusões, feridas e queimaduras. Já em alguns sistemas de terapia floral, a essência de hortênsia é associada à harmonização de relacionamentos e à superação de conflitos, um uso de natureza complementar, sem comprovação científica estabelecida.
O Ama-cha e o Uso Cerimonial da Hortênsia
No Japão, as folhas e pétalas processadas da Hydrangea macrophylla var. thunbergii dão origem ao ama-cha, uma tisana de sabor adocicado obtida por fermentação e secagem, de forma parecida com a produção do chá preto. O ama-cha é tradicionalmente servido em cerimônias budistas, entre elas o festival do aniversário de Buda, quando simboliza a purificação.
Por depender de processamento específico para reduzir a presença de compostos tóxicos, o ama-cha tem caráter cerimonial e não deve ser confundido com um chá medicinal de preparo caseiro. A planta crua ou preparada sem esse processamento mantém os riscos descritos na seção de contraindicações; por isso, o consumo interno da hortênsia fora desse contexto tradicional específico não é recomendado sem orientação profissional.
Cultivo das Flores
A espécie produz dois tipos de flores: as centrais, não ornamentais por não terem pétalas bem desenvolvidas, e as periféricas, ornamentais, com pétalas grandes e coloridas, que podem ter bordas arredondadas, recortadas, estreladas ou triangulares.
A cor das flores depende do pH do solo, que influencia a disponibilidade de alumínio absorvido pela planta: em solos ácidos, abaixo de pH 6, as flores tendem ao azul; em solos mais alcalinos, acima de pH 7, tendem ao rosa ou ao vermelho. É possível direcionar a cor adicionando sulfato de alumínio ao solo para obter tons de azul, ou calcário dolomítico para elevar o pH e favorecer o rosa.
As hortênsias devem ser cultivadas em solos úmidos, bem drenados e ricos em matéria orgânica, em local com sombra parcial e proteção do sol forte do meio-dia, com rega periódica. A poda deve ser feita no fim do inverno ou início da primavera, com cuidado para não ser excessiva, já que a maioria das variedades floresce nos brotos do ano anterior; uma poda muito drástica pode comprometer o florescimento da temporada seguinte. A propagação por estacas de cerca de 15 centímetros, retiradas de ramos sem flor no fim da primavera ou início do verão, é o método mais comum para multiplicar a planta.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Hortênsia
A Hydrangea macrophylla contém o glicosídeo cianogênico hidrangina, presente em todas as partes da planta, que pode ser tóxico quando ingerido em grandes quantidades e liberar cianeto no organismo. Os efeitos adversos possíveis incluem cianose, congestão torácica, convulsões, dores abdominais, flacidez muscular, irritação gastrointestinal, letargia, vertigem e vômitos; em casos graves, a intoxicação por cianeto pode levar a dificuldades respiratórias e coma, sobretudo se associada ao consumo de álcool.
A combustão de partes da planta também libera cianeto de hidrogênio, e mesmo a evaporação da substância pode causar confusão mental, dor de cabeça, náuseas e sonolência; por isso, práticas informais de fumar partes da hortênsia representam risco real e devem ser evitadas. Animais de estimação, como cães e gatos, também são suscetíveis à intoxicação caso ingiram a planta.
Por todos esses motivos, o uso interno da hortênsia para fins medicinais deve ser evitado fora de preparos tradicionais específicos, como o ama-cha ritual, e mesmo assim apenas sob orientação profissional. A segurança do uso na gravidez e na amamentação não está estabelecida, e por isso o consumo deve ser evitado nessas fases. Pessoas com sensibilidade gastrointestinal devem ter cautela redobrada, já que distúrbios digestivos podem ocorrer mesmo com doses consideradas moderadas.
Curiosidades Sobre a Hortênsia
A hortênsia é um arbusto caducifólio de base lenhosa, com ramos jovens de consistência sub-herbácea e casca mais castanha e fibrosa nos ramos antigos. As folhas são simples, ovais e membranosas, com até 20 centímetros de comprimento e bordos serrilhados; a planta produz amplas inflorescências no início do verão e no fim do outono.
Embora seja uma espécie ornamental muito apreciada, a hortênsia é considerada invasora em algumas regiões, como os Açores, onde suas densas florações formam extensas manchas coloridas que ameaçam a flora nativa. No Japão, a planta segue associada à gratidão, e no Brasil segue como marca registrada da paisagem de Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul.
Perguntas Frequentes sobre Hortênsia
A Hortênsia É Tóxica?
Sim. Todas as partes da planta contêm o glicosídeo cianogênico hidrangina, que pode ser tóxico em grandes quantidades e liberar cianeto no organismo. O uso interno exige cautela e orientação profissional.
A Hortênsia Trata Diabetes?
Não. Há um achado preliminar de compostos com potencial antidiabético nas folhas processadas de uma variedade da planta, mas isso não substitui diagnóstico e tratamento médico da doença.
Por Que a Cor das Flores de Hortênsia Muda?
Depende do pH do solo, que altera a disponibilidade de alumínio absorvido pela planta: solos ácidos tendem a produzir flores azuis, e solos alcalinos, flores rosadas.
A Hortênsia Serve para Pedras nos Rins?
Há uso tradicional popular nesse sentido, atribuído à ação diurética da planta, mas o diagnóstico e o tratamento de cálculos renais exigem acompanhamento médico.
Quais Partes da Hortênsia São Usadas Tradicionalmente?
A raiz seca, os rizomas e as folhas são as partes mais associadas ao uso tradicional; no Japão, folhas e pétalas processadas também dão origem ao ama-cha.
O Que É o Ama-cha?
É uma tisana japonesa de sabor adocicado, feita a partir de folhas e pétalas fermentadas e secas de uma variedade da hortênsia, consumida em cerimônias budistas e que exige processamento específico para reduzir a toxicidade da planta.
A Hortênsia É a Flor Símbolo de Alguma Cidade Brasileira?
Sim, é a flor símbolo de Gramado, no Rio Grande do Sul, e um ícone da Região das Hortênsias, que também inclui a cidade de Canela.
Quando Devo Podar a Hortênsia?
No fim do inverno ou início da primavera, evitando cortes excessivos, já que a maioria das variedades floresce nos brotos formados no ano anterior.
A Hortênsia Pode Ser Usada em Compressas?
Sim, há uso tradicional externo em compressas para contusões, feridas e queimaduras.
Grávidas e Lactantes Podem Usar Hortênsia?
Não é recomendado. A segurança do uso durante a gravidez e a amamentação não está estabelecida, o que reforça a necessidade de evitar o consumo interno da planta nessas fases.
Referências
Ver Todas as 12 Referências Citadas
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