Plantas Medicinais

Da Huang: as Espécies Chinesas de Ruibarbo Usadas na Fitoterapia

Por Conselho Editorial8 Min de Leitura
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Ilustração botânica de Rheum palmatum L. (ruibarbo-chinês, da huang), planta perene da família Polygonaceae descrita por Lineu em 1753, nativa da China e Tibete, mostrando folhas basais palmatilobadas com lobos profundos, pecíolos avermelhados, flores esverdeadas em panículas, e rizoma carnoso com raízes (exterior marrom, interior amarelo-alaranjado), em estilo de enciclopédia botânica do século XIX.
Ruibarbo-Chinês (Rheum palmatum) - ilustração botânica detalhada evidenciando folhas, flores e raiz medicinal utilizada na medicina tradicional chinesa

O Da Huang, nome usado há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa, corresponde ao rizoma de três espécies do gênero Rheum: Rheum officinale, Rheum palmatum e Rheum tanguticum. As três compartilham o mesmo perfil farmacológico, dominado por antraquinonas de ação laxante, e são aceitas de forma intercambiável pelas farmacopeias chinesa, europeia e norte-americana. Nenhuma delas deve ser confundida com o ruibarbo de horta (Rheum rhabarbarum), cujos pecíolos avermelhados servem para tortas e compotas mas cuja raiz não tem uso farmacêutico padronizado. Para o guia completo sobre benefícios, preparo, dosagem e contraindicações do ruibarbo como planta medicinal, consulte o Ruibarbo: Guia Completo; este artigo aprofunda especificamente as três espécies chinesas por trás do Da Huang farmacopeico.

Sumário do Artigo
  1. As Três Espécies do Da Huang Farmacopeico
  2. Como Diferenciar o Da Huang do Ruibarbo Culinário
  3. Uso Tradicional na Medicina Chinesa
  4. Fitoquímica e Mecanismo de Ação
  5. Segurança e Contraindicações Específicas
  6. Perguntas Frequentes sobre o Da Huang

As Três Espécies do Da Huang Farmacopeico

Rheum officinale (da huang), espécie usada na medicina tradicional chinesa

A Farmacopeia da China reconhece oficialmente as três espécies como fontes de Da Huang, sem distinção prática de uso entre elas. Rheum officinale tem folhas com lóbulos rasos e bordas quase inteiras, e cresce em regiões mais baixas do oeste chinês, entre 1.500 e 3.000 metros de altitude. Rheum palmatum, a espécie mais citada na literatura farmacêutica, tem folhas profundamente palmatilobadas e ocorre no planalto tibetano e em províncias adjacentes. Já Rheum tanguticum cresce exclusivamente acima de 3.000 metros, no Tibete oriental, com folhas ainda mais recortadas que as de R. palmatum, e por isso alguns taxonomistas a tratam como simples variedade dessa última espécie. Onde as três coexistem, formas híbridas intermediárias são comuns, e a distinção botânica raramente afeta o uso medicinal: a droga comercial costuma reunir material das três espécies, colhido e processado da mesma maneira.

Como Diferenciar o Da Huang do Ruibarbo Culinário

A diferença mais confiável está no rizoma e nas folhas. Nas três espécies medicinais, as folhas são palmatilobadas ou levemente lobadas, enquanto no ruibarbo de horta elas são arredondadas e sem lóbulos profundos. Os pecíolos também mudam de função por completo entre as duas categorias: nas espécies medicinais, são fibrosos e verde-arroxeados, sem uso culinário; no ruibarbo de horta, são vermelhos, suculentos e ácidos, a única parte da planta que se come. O rizoma cortado das três espécies medicinais mostra um amarelo-alaranjado intenso, com estrias marmorizadas conhecidas como star spots, enquanto o rizoma do ruibarbo de horta tem teor de antraquinonas baixo demais para uso terapêutico padronizado. Em qualquer uma das quatro espécies, porém, as folhas concentram ácido oxálico em nível tóxico e não devem ser consumidas de forma alguma.

Uso Tradicional na Medicina Chinesa

O Da Huang figura entre os registros mais antigos da farmacobotânica chinesa, citado no Shennong Ben Cao Jing, tratado datado entre os séculos I e III depois de Cristo. O próprio nome significa “grande amarelo”, referência direta à cor viva do rizoma cortado. Na medicina tradicional chinesa, era prescrito como purgante potente e para o que a teoria clássica descreve como “mover o sangue estagnado”. Pela Rota da Seda, o Da Huang chegou à Europa ainda na Antiguidade: Dioscórides, no século I depois de Cristo, já mencionava uma raiz purgante vinda de além do Bósforo. Durante séculos o produto foi tão valorizado no comércio internacional que chegou a valer mais que o ouro em determinados períodos, e a Rússia czarista manteve monopólio comercial da rota siberiana de exportação ao longo do século XVIII.

Fitoquímica e Mecanismo de Ação

O rizoma seco das três espécies concentra entre 3% e 6% de antraquinonas, presentes sobretudo na forma de glicosídeos, os chamados sennosídeos, que a microbiota intestinal hidrolisa para liberar os compostos ativos. A emodina é o composto majoritário, com ação laxante, anti-inflamatória e antimicrobiana documentada, seguida por crisofanol e aloe-emodina, ambas também associadas a atividade anti-inflamatória. A reína e a fisciona aparecem em concentrações menores, com efeitos nefroprotetor e hepatoprotetor relatados em estudos pré-clínicos. Além dessas antraquinonas, o rizoma reúne entre 5% e 12% de taninos, responsáveis por uma ação adstringente que se opõe, em parte, ao efeito laxante do restante da composição. Essa combinação entre antraquinonas laxantes e taninos adstringentes explica por que a dose determina o efeito: em quantidade baixa, o Da Huang tende à ação antidiarreica, e em dose mais alta predomina o efeito laxante.

Segurança e Contraindicações Específicas

Apesar do uso tradicional milenar, o Da Huang exige cautela. Um estudo publicado no Journal of Ethnopharmacology encontrou sinais de hepatotoxicidade leve mesmo em animais saudáveis após uso prolongado do extrato de ruibarbo, ao lado de um efeito protetor documentado em modelos de insuficiência renal crônica, o que reforça que benefício e risco convivem na mesma planta conforme dose e tempo de uso. Assim como no ruibarbo de horta, as folhas das três espécies medicinais concentram ácido oxálico em nível tóxico e nunca devem ser consumidas, apenas o rizoma processado. As contraindicações gerais do ruibarbo como laxante antraquinônico, entre elas gravidez, obstrução intestinal e doença renal preexistente, aplicam-se igualmente às três espécies do Da Huang. Para orientação completa de dosagem e uso seguro, consulte o guia principal de ruibarbo.

Perguntas Frequentes sobre o Da Huang

Da Huang e Ruibarbo São a Mesma Coisa?

Da Huang é o nome usado na medicina tradicional chinesa para o rizoma de três espécies específicas de ruibarbo, Rheum officinale, Rheum palmatum e Rheum tanguticum. Todas pertencem ao mesmo gênero botânico do ruibarbo comum, mas são cultivadas e usadas exclusivamente pela raiz, nunca pelos pecíolos.

Existe Diferença de Potência entre as Três Espécies?

As farmacopeias tratam as três como equivalentes, sem distinção de uso. Pequenas variações no teor de antraquinonas ocorrem entre populações e mesmo entre plantas de altitudes diferentes, mas não há consenso científico de que uma espécie seja consistentemente mais potente que as outras.

O Ruibarbo de Horta Pode Substituir o Da Huang?

Não é recomendado. A raiz do ruibarbo de horta tem teor de antraquinonas baixo demais para reproduzir o efeito terapêutico documentado nas espécies farmacopeicas, e por isso raramente é comercializada com essa finalidade.

As Folhas do Ruibarbo Medicinal Podem Ser Aproveitadas?

Não. Em todas as espécies do gênero Rheum, as folhas concentram ácido oxálico em nível tóxico e não têm indicação de uso, nem culinário nem medicinal.

O Que Significa “Da Huang” em Português?

A tradução literal é “grande amarelo”, referência direta à cor alaranjada e intensa do rizoma quando cortado ao meio, uma das características mais usadas para reconhecer material de boa qualidade.

Como a Raiz do Da Huang É Processada Antes da Venda?

Depois da colheita, o rizoma é lavado, descascado e cortado em fatias ou cubos, secos ao sol ou em estufa até atingir umidade abaixo de 12%. O processo de secagem costuma levar entre 15 e 30 dias.

Onde o Da Huang É Cultivado Hoje em Dia?

A China concentra mais de 80% da produção mundial, com destaque para Sichuan, Gansu, Qinghai e Tibete. Pequenos cultivos e coleta silvestre também existem no Himalaia, em Nepal e Butão, além de um histórico já encerrado de produção na Sibéria.

Por Que Há Tanta Divergência sobre os Nomes Botânicos do Ruibarbo Chinês?

Porque a distinção entre Rheum palmatum e Rheum tanguticum é sutil e depende principalmente do grau de recorte das folhas e da altitude nativa, o que gera divergência entre taxonomistas. Algumas referências tratam R. tanguticum como espécie própria e outras como variedade de R. palmatum, mas essa diferença não afeta o uso farmacêutico.

Referências

6 Referências Citadas

Baseado em 6 Referências Citadas (6 Complementares).

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