Plantas Medicinais

Raiz-de-Rim: Saiba para Que Serve o Chá

Descubra para que serve o chá de raiz-de-rim, seus benefícios tradicionais para a saúde urinária, o modo de preparo correto e os riscos hepáticos que exigem atenção antes de usar essa planta rica em alcaloides pirrolizidínicos.

Por Conselho Editorial9 Min de Leitura
6 Referências
Publicado em Atualizado em
Eutrochium purpureum - JOE-PYE-WEED, RAIZ-DE-RIM
Raiz-de-rim (Eutrochium purpureum) em floração. A planta medicinal é tradicionalmente usada em chás para saúde renal e urinária.

A raiz-de-rim (Eutrochium purpureum), conhecida também como eupatório, raiz-de-cascalho e rainha-do-prado, é uma planta norte-americana da família Asteraceae com longo uso tradicional para a saúde urinária e articular. A planta contém, porém, alcaloides pirrolizidínicos com toxicidade hepática documentada, o que exige uso por tempo limitado, nunca contínuo, e atenção redobrada por parte de quem tem qualquer doença do fígado.

Sumário do Artigo
  1. Nomes Populares e Internacionais
  2. Sinônimos Botânicos da Raiz-de-Rim
  3. Família e Partes Usadas
  4. Usos Tradicionais e Etnobotânicos
  5. Propriedades Medicinais da Raiz-de-Rim
  6. Fitoquímicos e o Ponto de Segurança Central
  7. Ação Anti-Inflamatória e Articular
  8. Como Preparar o Chá de Raiz-de-Rim
  9. Tintura de Raiz-de-Rim para Dores Articulares
  10. Sinergia com Outras Plantas
  11. Curiosidades e Fatos Históricos sobre a Raiz-de-Rim
  12. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Raiz-de-Rim
  13. Perguntas Frequentes sobre a Raiz-de-Rim

Nomes Populares e Internacionais

  • Português: eupatório, rainha-do-prado, raiz-de-cascalho, raiz-de-rim.
  • Chinês: pei lan.
  • Inglês: Gravel Root, Hempweed, Joe-Pye Weed, kidney root, Purple Boneset, purple Joe-Pye weed, queen of the meadow, sweetscented Joe-Pye weed.

Sinônimos Botânicos da Raiz-de-Rim

  • Cunigunda purpurea (L.) Lunell
  • Eupatoriadelphus purpureus (L.) R.M. King & H. Rob.
  • Eupatorium falcatum Michx.
  • Eupatorium fistulosum
  • Eupatorium purpureum L.
  • Eutrochium fistulosum

Família e Partes Usadas

A raiz-de-rim pertence à família Asteraceae. As partes tradicionalmente usadas para chás e outras preparações são:

  • Flores
  • Raízes
  • Rizomas

Usos Tradicionais e Etnobotânicos

A raiz-de-rim tem longo histórico de uso etnobotânico, empregada por diferentes gerações para o que se acreditava aliviar afecções que vão de problemas do sistema urinário a quadros inflamatórios e febris. Esse uso tradicional reflete a sabedoria popular acumulada ao longo dos séculos, mas não substitui avaliação médica para nenhuma dessas condições.

  • Amenorreia
  • Cistite
  • Dismenorreia
  • Gota
  • Gripe
  • Inflamação renal
  • Leucorreia
  • Lumbago
  • Pedras na bexiga
  • Pedras no rim
  • Prostatite
  • Reumatismo
  • Tifo
  • Uretrite

O uso para pedras no rim e na bexiga é uma crença tradicional antiga, e é a origem do nome em inglês gravel root (“raiz do cascalho”). A evidência clínica moderna para esse efeito específico, porém, é limitada: cálculos renais já formados exigem avaliação e tratamento médico, não substituição pelo chá.

Propriedades Medicinais da Raiz-de-Rim

As propriedades atribuídas à raiz-de-rim vêm de sua composição fitoquímica variada, que sustenta um conjunto de usos tradicionais na fitoterapia.

  • Adstringente: contrai tecidos e vasos capilares, com efeito de constrição sobre mucosas.
  • Antirreumático: tradicionalmente usado para ajudar a aliviar dores articulares associadas ao reumatismo.
  • Carminativo: ajuda a reduzir gases intestinais.
  • Diurético: aumenta o volume e o fluxo da urina.
  • Emenagogo: tradicionalmente associado ao estímulo do fluxo menstrual.
  • Nervino estimulante: atua como estimulante sobre o sistema nervoso.

Fitoquímicos e o Ponto de Segurança Central

O perfil fitoquímico da raiz-de-rim inclui carboidratos, euparina, eupatorina, flavonoides (como a quercetina), lactonas sesquiterpênicas, óleo essencial, oleoresina, proteína, resina e tanino, compostos que atuam em conjunto para sustentar as ações tradicionalmente atribuídas à planta.

O composto mais importante para a segurança do uso, no entanto, é outro: a raiz-de-rim contém alcaloides pirrolizidínicos, substâncias com toxicidade hepática documentada em uso prolongado ou em doses altas. É por isso que a raiz-de-rim nunca deve ser usada de forma contínua por longos períodos, e pessoas com qualquer doença hepática preexistente devem evitá-la por completo.

Ação Anti-Inflamatória e Articular

Flavonoides e outros fitoquímicos ajudam a modular a resposta inflamatória, o que sustenta o uso tradicional para dores articulares (reumatismo) e para gota, esta última também favorecida pelo efeito diurético que ajuda o corpo a eliminar ácido úrico.

Como Preparar o Chá de Raiz-de-Rim

  1. Use uma colher de chá de raiz seca e picada para uma xícara (240 ml) de água.
  2. Leve ao fogo e deixe ferver.
  3. Reduza o fogo e cozinhe em fogo baixo por 10 a 15 minutos.
  4. Desligue o fogo e deixe descansar por mais 5 minutos.
  5. Coe e sirva morno.

Beba no máximo uma a duas xícaras por dia, e apenas por períodos curtos e limitados, nunca de forma contínua, devido ao teor de alcaloides pirrolizidínicos da planta.

Tintura de Raiz-de-Rim para Dores Articulares

A tintura é tradicionalmente preparada macerando as raízes em álcool de cereais por algumas semanas. A dosagem tradicional é de 20 a 30 gotas diluídas em água, 2 a 3 vezes ao dia, mas a definição da dose e do tempo de uso deve ser sempre orientada por um profissional qualificado, dado o risco hepático da planta.

Sinergia com Outras Plantas

A raiz-de-rim é tradicionalmente combinada com uva-ursi ou cavalinha para a saúde urinária, com cúrcuma para ação anti-inflamatória, e com dente-de-leão para reforçar o efeito diurético e o suporte hepático. Essas combinações devem ser orientadas por um profissional qualificado, que também poderá avaliar se o uso da raiz-de-rim é seguro para o seu caso específico, dado o risco hepático dos alcaloides pirrolizidínicos.

Curiosidades e Fatos Históricos sobre a Raiz-de-Rim

A cor arroxeada e o porte imponente da planta deram origem ao apelido de rainha-do-prado, designação que reflete a reverência com que era vista em diversas culturas.

No Shennong Ben Cao Jing, um dos textos mais antigos da medicina tradicional chinesa, o eupatório é classificado como um remédio superior, um registro histórico da importância que a planta teve em diferentes tradições.

Segundo relatos históricos, durante uma epidemia de febre amarela na Filadélfia, em 1793, a raiz-de-cascalho foi usada como remédio popular para auxiliar os enfermos, episódio que ilustra o papel da planta como recurso da medicina tradicional em momentos de crise sanitária.

O nome popular Joe-Pye weed, comum em inglês, tem origem em um curandeiro nativo americano chamado Joe Pye, que segundo a tradição usava a planta para tratar febres. É um relato histórico, não uma indicação médica validada.

A planta também é um atrativo para polinizadores, como borboletas e abelhas, graças às flores roxas ricas em néctar, o que lhe dá um papel ecológico relevante além do uso medicinal.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Raiz-de-Rim

O uso da raiz-de-rim é contraindicado de forma absoluta para quem tem qualquer doença hepática, pelo risco real de toxicidade dos alcaloides pirrolizidínicos presentes na planta. Gestantes, lactantes e crianças não devem usá-la, já que esses alcaloides podem atravessar a placenta e o leite materno. Pessoas com hipertensão e quem tem doença renal preexistente também devem evitar o uso sem orientação médica.

O uso não deve ser contínuo: prefira ciclos curtos, de poucas semanas, com pausas entre eles, e sempre com orientação profissional. Em doses elevadas, os efeitos colaterais mais comuns são náusea e vômito. Pessoas alérgicas a plantas da família Asteraceae podem apresentar reações cutâneas. Quem usa outros diuréticos ou medicamentos que afetam o fígado deve consultar um médico ou farmacêutico antes de combiná-los com a raiz-de-rim.

Perguntas Frequentes sobre a Raiz-de-Rim

Para Que Serve o Chá de Raiz-de-Rim?

Tradicionalmente para a saúde renal e urinária, atuando como diurético suave que ajuda a apoiar a função dos rins e da bexiga, além de auxiliar no desconforto de infecções urinárias leves como a cistite.

A Raiz-de-Rim Realmente Dissolve Pedras nos Rins?

É uma crença tradicional de longa data, origem do nome gravel root em inglês, mas a evidência clínica moderna específica para esse efeito é limitada. Cálculos renais já formados exigem avaliação e tratamento médico.

Quais São os Nomes Populares da Raiz-de-Rim?

A planta também é conhecida como eupatório, raiz-de-cascalho e rainha-do-prado, além dos nomes em inglês gravel root, kidney root e Joe-Pye weed.

A Raiz-de-Rim Tem Outros Benefícios Além da Saúde Renal?

Sim, tem propriedades tradicionalmente associadas ao alívio de dores articulares (reumatismo) e gota, e historicamente foi usada para ajudar a baixar febre.

Qual a Dosagem Recomendada do Chá de Raiz-de-Rim?

Geralmente uma a duas xícaras por dia, por período curto e limitado. Para tinturas, a orientação tradicional é de 20 a 30 gotas diluídas em água, 2 a 3 vezes ao dia, mas siga sempre a orientação de um profissional de saúde.

Existem Contraindicações para o Uso da Raiz-de-Rim?

Sim, e são sérias: doença hepática é contraindicação absoluta, pelos alcaloides pirrolizidínicos tóxicos ao fígado presentes na planta. Gestantes, lactantes, crianças e pessoas com hipertensão também devem evitar.

Posso Usar a Raiz-de-Rim com Outros Medicamentos?

Consulte sempre um médico ou farmacêutico antes, especialmente se você usa outros diuréticos ou medicamentos que afetam o fígado.

Onde Posso Encontrar Raiz-de-Rim para Comprar?

Em lojas de produtos naturais, ervanários e farmácias de manipulação, sempre verificando a procedência e a qualidade do fornecedor.

A Raiz-de-Rim É Segura para Uso a Longo Prazo?

Não. O uso contínuo por longos períodos não é considerado seguro, pelo risco hepático dos alcaloides pirrolizidínicos. Use por poucas semanas, com pausas entre os ciclos, e sempre com supervisão profissional.

De Onde Vem o Nome Joe-Pye Weed?

Segundo a tradição, um curandeiro nativo americano chamado Joe Pye teria usado a planta para tratar febres, o que deu origem ao nome popular em inglês. É um relato histórico, não uma indicação médica validada.

Referências

6 Referências Citadas

Baseado em 6 Referências Citadas (1 Peer-Reviewed, 5 Complementares).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)

  1. PEER2001 Habtemariam S. Antiinflammatory activity of the antirheumatic herbal drug, gravel root (Eupatorium purpureum): further biological activities and constituents. Phytotherapy Research, 2001;15(8):687-690. Disponível em: Wiley Online Library.

Leituras Complementares (5)

  1. 1998 Habtemariam S. Cistifolin, an integrin-dependent cell adhesion blocker from the anti-rheumatic herbal drug, gravel root (rhizome of Eupatorium purpureum). Planta Medica, 1998;64(8):683-685. Disponível em: Thieme Connect.
  2. 2018 Colegate SM, Upton R, Gardner DR, Panter KE. Potentially toxic pyrrolizidine alkaloids in Eupatorium perfoliatum and three related species: implications for herbal use as boneset. Phytochemical Analysis, 2018;29(5):495-508.
  3. 2020 Lawson SK, Sharp LG, Powers CN, McFeeters RL. Volatile compositions and antifungal activities of native American medicinal plants: focus on the Asteraceae. Plants, 2020;9(1):126.
  4. Sweet Joe-Pye Weed. Eutrochium purpureum. Disponível em: Wikipedia.
  5. Memorial Sloan Kettering Cancer Center e The Naturopathic Herbalist: monografias sobre Eupatorium purpureum (gravel root), consultadas para contexto de uso tradicional.

Este conteúdo foi útil?

O que você achou deste artigo?

Continue Lendo Neste Tópico

Pode Interessar