Plantas Medicinais

Peônia: Para Que Serve, Usos Tradicionais e Cuidados

Conheça os benefícios, efeitos colaterais, indicações e propriedades medicinais da peônia (Paeonia officinalis), muito usada em condições da saúde femininas.

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Peônia - Paeonia officinalis
Peônia (Paeonia officinalis) em plena floração. A planta é conhecida por suas propriedades medicinais, especialmente no preparo de chás terapêuticos.

A peônia, cientificamente chamada de Paeonia officinalis, é uma planta herbácea da família Paeoniaceae, conhecida tanto pelo valor ornamental quanto pelo uso na medicina tradicional. Em inglês recebe os nomes peony e king of flowers, e na sinonímia homeopática aparece ainda como Paeonia peregrina e Rosa benedicta.

O gênero reúne mais de trinta espécies de interesse medicinal, entre elas Paeonia albiflora, Paeonia lactiflora e Paeonia suffruticosa, esta última conhecida como peônia-de-árvore. Essa distinção entre espécies importa mais do que parece, e vai reaparecer ao longo do texto.

A raiz é a parte tradicionalmente usada. Na medicina chinesa, a espécie Paeonia lactiflora deu origem a um extrato padronizado que hoje concentra a maior parte da pesquisa clínica sobre o gênero.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Peônia
  2. História e Origem do Nome
  3. Composição e Princípios Ativos
  4. O Que a Pesquisa Mostra Sobre Artrite Reumatoide
  5. Usos Tradicionais Registrados
  6. Contraindicações e Cuidados
  7. Perguntas Frequentes Sobre a Peônia (FAQ)

O Que É a Peônia

A Paeonia officinalis distribui-se naturalmente pelo hemisfério norte, com presença na América do Norte, na Ásia, na Europa e no norte da África.

Trata-se de planta herbácea que alcança cerca de setenta centímetros de altura, com raízes robustas. As folhas são grandes, de tonalidade verde-escura, com formato lobulado e oval.

A flor é grande e solitária, com corola de até dez pétalas em tom rosa avermelhado, e aroma marcante. É essa flor que explica a popularidade da planta em jardins pelo mundo, além do apelido de rainha das flores em várias culturas.

História e Origem do Nome

O nome do gênero é uma homenagem a Peón, médico dos deuses na mitologia grega. A associação entre a planta e a cura, portanto, é anterior a qualquer registro científico.

Desde a época de Hipócrates, entre os séculos V e IV antes de Cristo, a peônia era administrada em quadros de epilepsia. As sementes chegavam a ser usadas em colares, com a crença de que afastariam a doença. Trata-se de registro histórico, não de indicação atual.

Na China, um ditado antigo dizia que mulheres que usassem a raiz da peônia ficariam tão bonitas quanto sua flor, o que ajuda a explicar a presença da planta em preparações cosméticas até hoje.

Composição e Princípios Ativos

O composto mais estudado do gênero é a paeoniflorina, uma glicosídeo monoterpênico. É ela que responde pela maior parte do interesse farmacológico nas espécies de peônia.

A raiz também contém taninos, que sustentam a ação adstringente descrita na tradição, além de flavonoides e outros compostos fenólicos com atividade antioxidante em ensaios laboratoriais.

O Extrato Padronizado Mais Pesquisado

A pesquisa clínica mais consistente do gênero não usa a planta bruta, e sim um extrato padronizado conhecido como glicosídeos totais de peônia. Ele é obtido das raízes de Paeonia lactiflora e contém cerca de noventa por cento de paeoniflorina.

Esse extrato foi aprovado na China, em 1998, como medicamento modificador do curso da artrite reumatoide. É um ponto que merece atenção: os resultados descritos a seguir referem-se a esse extrato específico, e não ao chá caseiro da raiz.

O Que a Pesquisa Mostra Sobre Artrite Reumatoide

Esta é a frente com melhor qualidade de evidência dentro do gênero, e também a mais mal compreendida.

Ensaios clínicos avaliaram os glicosídeos totais de peônia em associação a medicamentos convencionais, como metotrexato e leflunomida, em pacientes com artrite reumatoide ativa. Um estudo comparou o metotrexato isolado com a combinação, e outros analisaram a associação dos três.

O Achado Mais Interessante

Além do efeito sobre a doença, os estudos apontam algo menos óbvio: a associação reduziu a hepatotoxicidade causada por metotrexato e leflunomida. Uma metanálise reuniu ensaios randomizados avaliando justamente eficácia e segurança dessa combinação.

Vale sublinhar o essencial: trata-se de terapia adjuvante, usada junto do tratamento médico e sob prescrição, com um extrato padronizado. Nada disso autoriza substituir tratamento por chá de peônia, nem indica automedicação.

Usos Tradicionais Registrados

Os empregos a seguir vêm da tradição e de compêndios de fitoterapia, sem confirmação por ensaios clínicos em humanos.

À raiz são atribuídas ações adstringente, anti-inflamatória, antisséptica, hepatoprotetora, sedativa e tônica sobre a circulação. A tradição associa as propriedades adstringentes ao uso em hemorroidas, e a planta aparece como componente de pomadas destinadas a essa finalidade.

Na medicina chinesa, a raiz é descrita como algo que acalma o fígado e nutre o sangue, dentro da lógica própria daquele sistema terapêutico.

Saúde da Mulher

A tradição registra uso em cólicas menstruais e em irregularidades do ciclo. Aqui vale um alerta que aparece adiante em detalhe: justamente por atuar sobre a musculatura uterina, a planta exige cautela redobrada.

Uso Cosmético

A paeoniflorina aparece em formulações cosméticas, e há descrição de efeito sobre rugas faciais quando usada em concentração aproximada de meio por cento. É uso tópico, distinto de qualquer efeito por ingestão.

Contraindicações e Cuidados

Esta seção concentra o que é mais importante saber antes de considerar a planta.

Quem Não Deve Usar

  • Crianças, pela ausência de estudos de segurança na faixa pediátrica
  • Gestantes, já que as sementes têm propriedades abortivas descritas
  • Lactantes
  • Pessoas em uso de anticoagulantes ou com distúrbios de coagulação, sem avaliação médica

As sementes merecem menção separada: além do efeito abortivo, são descritas como purgativas e capazes de induzir vômito. Não devem ser consumidas.

Quem faz tratamento para artrite reumatoide e se interessa pelo extrato padronizado precisa conversar com o reumatologista, porque a indicação é adjuvante e depende de acompanhamento.

Perguntas Frequentes Sobre a Peônia (FAQ)

Para Que Serve a Peônia?

Na tradição, a raiz é usada por suas propriedades adstringentes e anti-inflamatórias, com registro de emprego em hemorroidas e em queixas do ciclo menstrual. Na pesquisa clínica, o destaque é o extrato padronizado de Paeonia lactiflora como terapia adjuvante em artrite reumatoide, sempre associado a tratamento médico.

A Peônia Cura Hemorroidas?

Não. A planta aparece na tradição como adstringente e é componente de pomadas para essa finalidade, mas não existe evidência clínica que sustente cura. Hemorroidas têm causas variadas e exigem avaliação médica, sobretudo quando há sangramento, que precisa ser investigado.

Qual a Diferença Entre as Espécies de Peônia?

A diferença é relevante para quem busca a planta pela pesquisa científica. A maior parte dos estudos clínicos usa glicosídeos totais extraídos de Paeonia lactiflora, e não a Paeonia officinalis. São espécies do mesmo gênero, com composição e padronização distintas.

Grávidas Podem Usar Peônia?

Não. O uso é contraindicado na gestação, principalmente porque as sementes têm propriedades abortivas descritas na literatura. A planta também é associada a efeito sobre a musculatura uterina, o que reforça a contraindicação. Lactantes igualmente devem evitar.

A Peônia Substitui o Remédio Para Artrite?

Não substitui. Nos estudos, o extrato padronizado foi avaliado como terapia adjuvante, ou seja, somado a medicamentos como metotrexato e leflunomida, nunca no lugar deles. Interromper tratamento prescrito por conta própria pode agravar a doença.

Como se Prepara o Chá da Raiz?

A preparação tradicional é uma infusão da raiz, tomada ao longo do dia. Vale insistir num ponto: o chá caseiro não equivale ao extrato padronizado usado nos estudos clínicos, e o preparo doméstico não permite controle de dose dos princípios ativos.

A Peônia Tem Efeito Sedativo?

A tradição atribui à raiz uma ação sedativa leve, e o gênero aparece em preparações voltadas a quadros de tensão. Não há, porém, ensaio clínico robusto que confirme esse efeito em humanos, e a planta não deve ser usada como alternativa a tratamento de ansiedade ou insônia.

Peônia Ornamental e Peônia Medicinal São a Mesma Planta?

Podem ser a mesma espécie, mas a finalidade muda tudo. Plantas cultivadas para ornamentação costumam receber defensivos agrícolas e não têm controle de identidade botânica nem de resíduos, o que as torna inadequadas para consumo.

Referências

5 Referências Citadas

Baseado em 5 Referências Citadas (3 Peer-Reviewed, 2 Complementares).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (3)

  1. PMC2013 Xiang, N., et al. “Reduced hepatotoxicity by total glucosides of paeony in combination treatment with leflunomide and methotrexate for patients with active rheumatoid arthritis.” International Immunopharmacology, 2013. .
  2. PMC2019 Zhang, W., et al. “Efficacy and safety of total glucosides of paeony combined with methotrexate and leflunomide for active rheumatoid arthritis: a meta-analysis.” Drug Design, Development and Therapy, 2019. .
  3. PMC2005 “Comparative study on clinical efficacy of using methotrexate singly or combined with total glucosides of Paeony in treating rheumatoid arthritis.” Zhongguo Zhong Xi Yi Jie He Za Zhi, 2005. .

Leituras Complementares (2)

  1. Missouri Botanical Garden. “Paeonia officinalis: Common Peony.” Plant Finder. .
  2. Botanical.com. “Peony: Paeonia officinalis.” A Modern Herbal, Mrs. M. Grieve. .

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