Plantas Medicinais

Pau-Ferro: Benefícios, Usos e Como Preparar com Segurança

Descubra os benefícios do Pau-Ferro (Caesalpinia ferrea): propriedades, modo de preparo do chá, contraindicações e cuidados para usar a planta com segurança.

Por Conselho Editorial23 Min de Leitura
Evidência Alta19 Referências
Publicado em Atualizado em
Pau-ferro - Caesalpinia ferrea
Pau-ferro (Caesalpinia ferrea), árvore nativa brasileira conhecida por suas propriedades medicinais contra diabetes e processos inflamatórios.

Caesalpinia ferrea). É uma árvore nativa do Brasil, especialmente presente na Caatinga e também na Mata Atlântica, e pertence à família Fabaceae, a mesma do feijão e da soja. O tronco liso e manchado, em tons de cinza, branco e verde, rendeu à espécie o apelido de árvore-leopardo, mas o destaque não fica só na aparência: a madeira de alta densidade e resistência convive com um uso tradicional intenso, em que casca, folhas, frutos e sementes são empregados em preparações populares para diferentes finalidades terapêuticas.

Comunidades tradicionais e povos indígenas utilizam preparações à base da planta há gerações, um conhecimento historicamente transmitido por raizeiras e benzedeiras nas regiões do sertão nordestino. Nos últimos anos, pesquisas fitoquímicas e farmacológicas reforçaram o interesse pela planta ao identificarem compostos bioativos como flavonoides, taninos, saponinas, terpenoides e outros polifenóis. Esse conjunto tem sido associado a atividades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes, o que amplia o debate sobre seu potencial como base para fitoterápicos, sempre com uso responsável e orientação profissional.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Pau-Ferro e Por Que Ele É Tão Valorizado
  2. História e Etnobotânica do Pau-Ferro
  3. Descrição Botânica da Caesalpinia ferrea
  4. Composição Química do Pau-Ferro e Compostos Bioativos
  5. Propriedades Medicinais Atribuídas ao Pau-Ferro
  6. Principais Benefícios do Pau-Ferro para a Saúde
  7. Uso em Medicina Veterinária
  8. Cultivo, Manejo e Sustentabilidade
  9. Como Usar o Pau-Ferro com Segurança
  10. Efeitos Colaterais, Contraindicações e Cuidados
  11. Perguntas Frequentes Sobre o Pau-Ferro

O Que É o Pau-Ferro e Por Que Ele É Tão Valorizado

O Pau-Ferro é uma árvore da família Fabaceae que pode alcançar entre 10 e 20 metros, com copa ampla e sombreamento generoso. Um traço marcante é a casca lisa e clara, que se desprende em placas e revela manchas irregulares em tons de cinza, branco e verde, formando um padrão que lembra pele de leopardo, motivo do apelido “árvore-leopardo”. Além do valor ornamental, a madeira é muito procurada por sua dureza e durabilidade, sendo usada na marcenaria de luxo, na fabricação de instrumentos musicais e na construção civil. Por essas mesmas razões, a espécie também é uma escolha frequente em projetos de arborização urbana e paisagismo.

História e Etnobotânica do Pau-Ferro

A história do Pau-Ferro está profundamente entrelaçada com a cultura e a medicina popular do Brasil, especialmente na região Nordeste. O próprio nome remete à robustez e à força associadas à árvore, qualidades que a sabedoria popular estendeu às suas propriedades curativas. Comunidades ribeirinhas e do sertão nordestino tradicionalmente preparam chás e decoctos da casca para diarreias, tosses e sintomas de gripes e resfriados, além de aplicarem preparações tópicas para acelerar a cicatrização de feridas e tratar infecções de pele. No imaginário popular, a árvore é tratada como símbolo de resistência, presente em cantigas e no cotidiano do sertão, seja na sombra que oferece, na madeira que constrói casas ou no remédio caseiro que acompanha gerações.

A transmissão desse conhecimento é, sobretudo, um ato cultural conduzido pelas mulheres mais velhas da comunidade, as raizeiras e benzedeiras, que ensinam aos mais jovens como e quando colher cascas, folhas e frutos, e como prepará-los em chás, garrafadas, xaropes e emplastros. Essa tradição oral garantiu que os usos do Pau-Ferro fossem perpetuados por gerações, muito antes de qualquer investigação científica sobre a planta.

Descrição Botânica da Caesalpinia ferrea

As folhas do Pau-Ferro são compostas e bipinadas, formadas por folíolos pequenos e elípticos que dão aspecto rendado à folhagem. Em períodos mais secos, a planta pode perder parte das folhas como estratégia de economia hídrica, e as raízes profundas ajudam a buscar umidade nas camadas mais inferiores do solo, o que favorece sua sobrevivência durante longos períodos de estiagem. A floração costuma ocorrer na primavera e no verão, quando surgem inflorescências em cachos com flores pequenas e amarelas, muito atrativas a abelhas e outros polinizadores.

Os frutos são vagens lenhosas e achatadas, que escurecem quando maduras e abrigam, em geral, de 5 a 10 sementes lisas e ovaladas; a estrutura rígida da vagem protege as sementes do fogo e da predação, abrindo-se apenas em condições favoráveis à germinação. A dispersão tende a ocorrer pela queda das vagens e pelo consumo por animais. Já a casca lisa e descamante, além do valor estético, é associada por parte da literatura botânica a uma função de defesa contra parasitas e epífitas. A madeira varia do castanho-claro ao avermelhado, com veios escuros apreciados na marcenaria de luxo, em instrumentos musicais e em aplicações na construção civil.

Composição Química do Pau-Ferro e Compostos Bioativos

A diversidade de efeitos atribuídos ao Pau-Ferro está ligada a uma composição fitoquímica complexa, descrita em estudos com casca, folhas, sementes e frutos. Esses trabalhos apontam a presença de metabólitos secundários usados pela planta como defesa e adaptação, e que podem apresentar interesse farmacológico. Entre os grupos mais citados estão taninos, flavonoides, chalconas, saponinas, terpenoides e alcaloides. Uma hipótese recorrente na fitoterapia é a de que o efeito observado não depende de um único composto isolado, mas da sinergia entre essas diferentes classes químicas atuando em conjunto.

Taninos e o Efeito Adstringente

Os taninos, comuns na casca e nos frutos, explicam a adstringência e parte do uso tradicional em diarreias e feridas. Em termos funcionais, eles podem se ligar a proteínas e precipitá-las, formando uma camada protetora sobre pele e mucosas, o que favorece a recuperação tecidual e reduz secreções, inclusive a perda de líquidos no intestino. Além disso, a capacidade de inibir o crescimento de microrganismos é frequentemente citada como apoio à aplicação popular em quadros infecciosos.

Flavonoides, Chalconas e a Proteção Antioxidante

Flavonoides e chalconas são descritos principalmente em folhas e flores e aparecem associados à ação antioxidante, com potencial para neutralizar radicais livres e reduzir estresse oxidativo. Compostos como rutina e quercetina são mencionados em levantamentos fitoquímicos, assim como outros fenólicos. Além da proteção antioxidante, esses grupos costumam ser relacionados a efeitos anti-inflamatórios, antivirais e hepatoprotetores descritos em estudos experimentais.

O estresse oxidativo, resultado do acúmulo de radicais livres no organismo, está relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, incluindo condições cardiovasculares e neurodegenerativas. Ao neutralizar esses radicais livres, os flavonoides e taninos do Pau-Ferro reforçam a hipótese de que a planta pode contribuir, de forma coadjuvante, para a proteção celular ao longo do tempo.

Saponinas, Terpenoides e Alcaloides

As saponinas são citadas em associação a efeitos expectorantes e anti-inflamatórios, enquanto terpenoides costumam ser ligados a atividades antimicrobianas e a outros efeitos biológicos investigados. Alcaloides também aparecem na composição, em menor proporção, e são mencionados em discussões sobre efeitos analgésicos e interações com o sistema nervoso. Ácidos graxos também são citados em levantamentos fitoquímicos da planta, embora com papel farmacológico menos estudado que o das demais classes.

Propriedades Medicinais Atribuídas ao Pau-Ferro

Na medicina popular, o Pau-Ferro é descrito como uma planta de amplo espectro, empregada em diferentes contextos por sua adstringência, ação anti-inflamatória e potencial antimicrobiano. Estudos contemporâneos investigam essas aplicações e sugerem que parte dos efeitos pode estar relacionada a compostos fenólicos e frações ricas em polissacarídeos. Ainda assim, a utilização prática deve considerar dose, tempo de uso e condição clínica, evitando automedicação.

  • Adstringente: ajuda a contrair tecidos e reduzir secreções, o que sustenta o uso popular em diarreias e na proteção de feridas.
  • Anti-inflamatória e analgésica: associada à redução de mediadores inflamatórios, com uso tradicional em dores musculares, artrite e reumatismo.
  • Antimicrobiana e antifúngica: apontada em estudos com extratos contra bactérias e fungos, o que dialoga com aplicações em infecções.
  • Antioxidante: relacionada à presença de flavonoides e outros fenólicos, com potencial para reduzir estresse oxidativo.
  • Cicatrizante: aplicada topicamente em preparações caseiras, com interesse em acelerar reparo tecidual e reduzir inflamação local.
  • Potencial antidiabético e cardiovascular: investigado em modelos experimentais, com hipóteses envolvendo enzimas digestivas e vasodilatação.

Principais Benefícios do Pau-Ferro para a Saúde

Os benefícios mais discutidos para a Caesalpinia ferrea se concentram em inflamação e dor, suporte metabólico, proteção cardiovascular e controle de microrganismos, com destaque para evidências de estudos experimentais e revisões. Mesmo quando há achados promissores, a interpretação deve ser cuidadosa, pois dose, forma de extração e população avaliada podem mudar o resultado. Por isso, o uso terapêutico precisa ser individualizado e prudente.

Ação Anti-inflamatória e Analgésica

Extratos da casca são frequentemente citados em estudos por reduzir edema e sinais inflamatórios, o que sustenta o uso tradicional em artrite, reumatismo e dores musculares. A ação é geralmente relacionada à inibição de mediadores como prostaglandinas e citocinas, além de possível redução de migração celular para o foco inflamatório. Essa combinação pode contribuir para diminuição da dor, tanto por reduzir inflamação quanto por modular vias de sinalização nociceptiva.

Estudos mais recentes têm se dedicado a elucidar esse mecanismo em nível celular. Extratos ricos em chalconas e outros flavonoides demonstraram, em modelos experimentais, capacidade de interferir na cascata do ácido araquidônico, inibindo enzimas como a ciclo-oxigenase (COX) e a lipoxigenase (LOX), responsáveis pela produção de prostaglandinas e leucotrienos. Outros trabalhos apontam possível inibição do fator de transcrição NF-kB, regulador da expressão de citocinas pró-inflamatórias como o TNF-alfa e a IL-6. Essa atuação em diferentes pontos da cascata inflamatória ajuda a explicar o interesse da planta para o desenvolvimento de fitoterápicos voltados a doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, ainda que os resultados observados em laboratório não equivalham a eficácia comprovada em humanos.

Potencial Antidiabético e Controle Glicêmico

O uso popular do Pau-Ferro para desconfortos relacionados ao açúcar no sangue motivou estudos que observaram melhora de parâmetros glicêmicos em modelos animais. Uma explicação discutida é a inibição de enzimas digestivas, como alfa-amilase e alfa-glicosidase, o que atrasaria a absorção de carboidratos e reduziria picos de glicose pós-prandial. Também se menciona, em algumas pesquisas, possível melhora de sensibilidade à insulina e proteção de células beta pancreáticas, ainda dependente de mais confirmação em humanos. Esses achados são preliminares e não autorizam o uso do Pau-Ferro como substituto de tratamento médico para diabetes.

Benefícios Cardiovasculares e Proteção Vascular

Pesquisas avaliaram efeitos cardiovasculares do extrato aquoso e sugerem ação vasodilatadora, com participação de canais de potássio sensíveis ao ATP, o que pode reduzir pressão arterial em contextos experimentais. Em paralelo, a ação antioxidante é discutida como relevante para proteger endotélio e reduzir estresse oxidativo, um fator associado à aterosclerose. Esses achados sustentam interesse na planta como coadjuvante, sem substituir tratamentos clínicos padronizados.

Atividade Antimicrobiana e Cicatrização

Extratos da casca e das folhas têm sido estudados contra microrganismos, com relatos de ação frente a bactérias e fungos relevantes em infecções de pele e outras condições. Em uso tópico, o Pau-Ferro aparece associado à cicatrização de feridas, com hipóteses envolvendo adstringência, redução de inflamação local e estímulo a fibroblastos e colágeno. A combinação de controle microbiano e reparo tecidual explica sua presença em práticas tradicionais para cortes, úlceras e lesões superficiais.

Do ponto de vista biológico, a cicatrização envolve três fases, inflamatória, proliferativa e de remodelação, e extratos do Pau-Ferro parecem atuar de forma favorável em cada uma delas. Na fase inicial, a ação antimicrobiana ajuda a limpar a ferida e reduzir o risco de infecção, inclusive por microrganismos com maior resistência a antibióticos convencionais. Na fase proliferativa, os compostos da casca estão associados ao estímulo de fibroblastos, queratinócitos e à formação de novos vasos sanguíneos, enquanto na fase de remodelação favorecem a organização das fibras de colágeno, o que pode resultar em cicatrizes de melhor qualidade.

Proteção Hepática e Pesquisas em Oncologia

Além das aplicações já consolidadas, pesquisas preliminares têm explorado outras frentes de uso do Pau-Ferro. Alguns estudos investigam uma possível ação hepatoprotetora, ou seja, de proteção do fígado, ainda em estágio inicial de investigação. Outra linha de pesquisa, também incipiente, avalia a atividade de compostos isolados da planta sobre linhagens de células de câncer em laboratório. Esses achados são promissores como ponto de partida para novas investigações, mas estão distantes de qualquer aplicação clínica validada e não sustentam o uso do Pau-Ferro como tratamento para câncer ou doenças hepáticas.

Uso em Medicina Veterinária

O potencial terapêutico atribuído ao Pau-Ferro também motivou estudos veterinários. Pesquisas documentaram o uso de formulações fitoterápicas à base da planta no tratamento de feridas em cães, sob supervisão profissional e com formulações padronizadas. Esses achados reforçam que, também no contexto veterinário, qualquer uso da planta em animais deve ser conduzido e acompanhado por um médico veterinário, já que dose, forma de preparo e segurança variam conforme a espécie e o porte do animal.

Cultivo, Manejo e Sustentabilidade

Diante do interesse crescente pela madeira e pelas propriedades medicinais do Pau-Ferro, a exploração sustentável da espécie é uma questão relevante. A extração predatória da casca e a derrubada de árvores para obtenção de madeira representam ameaça à espécie em parte de sua área de ocorrência natural, o que já a coloca em situação de vulnerabilidade em algumas regiões. Por isso, o desenvolvimento de práticas de manejo sustentável e o incentivo ao cultivo da árvore ganham importância.

A espécie é relativamente rústica e se adapta a diferentes condições de solo e clima, características que facilitam seu cultivo. O plantio em sistemas agroflorestais e em projetos de reflorestamento pode ajudar a garantir o suprimento de matéria-prima para uso fitoterápico e madeireiro, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas degradadas.

Como Usar o Pau-Ferro com Segurança

As formas de uso variam conforme a indicação tradicional e a parte da planta, sendo a casca uma das matérias-primas mais citadas em preparações caseiras. Ainda assim, a concentração de compostos pode variar por origem, processamento e armazenamento, o que reforça a necessidade de cautela com dose e duração. Em especial, pessoas com comorbidades, uso de medicamentos contínuos ou histórico de reações devem priorizar orientação profissional.

Banho de Assento em Usos Tradicionais

O banho de assento é descrito no uso popular para desconfortos locais, hemorroidas e quadros considerados inflamatórios, aproveitando a ação adstringente e anti-inflamatória atribuída à casca. Uma preparação comum utiliza 2 colheres de sopa de casca em 1 litro de água, fervendo por 10 minutos, coando e aguardando amornar. O banho é feito por cerca de 15 minutos, geralmente uma vez ao dia, com higiene adequada.

Compressas em Feridas e Irritações

Compressas são relatadas para apoiar cicatrização e aliviar inflamação cutânea, usando chá mais concentrado da casca. Uma forma tradicional é ferver 3 colheres de sopa de casca em 500 ml de água por 15 minutos, coar e aguardar amornar. Depois, um pano limpo é embebido e aplicado por cerca de 20 minutos, até duas vezes ao dia. Em feridas extensas, com secreção ou sinais de infecção, a avaliação médica é indispensável.

Decocção da Casca para Uso Interno

Para uso interno, a decocção é uma forma tradicional ligada a diarreia, desconfortos respiratórios, inflamações e ao controle glicêmico em práticas populares. Uma receita frequente ferve 1 colher de sopa de casca em 500 ml de água por 10 a 15 minutos, seguida de coagem. O consumo costuma ser dividido em 2 a 3 xícaras ao dia, preferencialmente entre refeições. O uso prolongado deve ser evitado sem acompanhamento, especialmente em pessoas sensíveis.

Gargarejo em Desconfortos de Garganta

O gargarejo com chá morno é descrito popularmente em dores de garganta e amigdalites, com base nas propriedades adstringentes e antimicrobianas atribuídas à casca. Prepara-se o chá por decocção, aguarda-se amornar e realiza-se gargarejo por 1 a 2 minutos, até 3 ou 4 vezes ao dia. Por segurança, a prática tradicional recomenda não engolir o líquido após o gargarejo. Sintomas persistentes ou febre justificam avaliação clínica.

Tintura de Pau-Ferro

A tintura é uma forma concentrada de extração, usada por algumas pessoas pela praticidade e dose fracionada. Uma preparação caseira tradicional macera 100 g de casca em 500 ml de álcool de cereais a 70% em frasco de vidro escuro por 15 dias, com agitação diária, seguida de coagem e armazenamento em conta-gotas. O uso popular cita 20 a 30 gotas em água, 2 a 3 vezes ao dia. Por ser concentrada, exige cautela e orientação individualizada.

Efeitos Colaterais, Contraindicações e Cuidados

O uso excessivo ou prolongado do Pau-Ferro pode causar irritação gastrointestinal, náuseas e vômitos, especialmente em pessoas mais sensíveis ou em doses elevadas. Por prudência, é recomendável limitar o tempo de uso, observar sinais do corpo e interromper se houver desconforto relevante. Como regra prática, a planta não deve ser tratada como “uso livre” apenas por ser natural, pois compostos ativos podem produzir efeitos indesejados.

Outro ponto de atenção é o uso da madeira e da casca por quem trabalha diretamente com o material: há relatos de dermatite de contato alérgica em trabalhadores da indústria madeireira com exposição frequente e prolongada ao Pau-Ferro. Já no consumo interno, o excesso de taninos em preparações muito concentradas ou usadas por longos períodos pode interferir na absorção de nutrientes, como o ferro, o que exige atenção à dose e ao tempo de uso das preparações.

Gestantes e lactantes devem evitar o uso por ausência de segurança estabelecida para essas populações. Crianças, pessoas com condições clínicas relevantes e indivíduos que utilizam medicamentos contínuos também precisam de avaliação profissional antes de consumir preparações internas. Em qualquer cenário de piora de sintomas, sinais de alergia ou suspeita de interação medicamentosa, a orientação de um médico ou fitoterapeuta é o caminho mais seguro.

Perguntas Frequentes Sobre o Pau-Ferro

O Que É o Pau-Ferro?

O Pau-Ferro (Caesalpinia ferrea) é uma árvore brasileira conhecida pela madeira resistente e pela casca com padrão manchado que lembra pele de leopardo. Na medicina popular, casca, folhas e sementes são usadas em chás, decoctos e aplicações tópicas para condições como diarreia, inflamações e feridas. Pesquisas também investigam seus compostos fenólicos, saponinas e outras classes associadas a atividades biológicas.

Para Que Serve o Chá de Pau-Ferro?

O chá da casca é tradicionalmente utilizado em diarreias, inflamações, desconfortos respiratórios e em práticas populares voltadas ao controle glicêmico. A justificativa comum envolve efeito adstringente, anti-inflamatório e antimicrobiano, associado a taninos e flavonoides. Apesar do uso difundido, a resposta pode variar com dose, preparo e condição clínica. Para uso terapêutico contínuo, a recomendação é buscar orientação profissional.

O Pau-Ferro Ajuda a Controlar o Diabetes?

Estudos preliminares em modelos animais observaram redução dos níveis de glicose após o uso de extratos da casca, associada à inibição de enzimas digestivas envolvidas na absorção de carboidratos. Essa linha de pesquisa é promissora, mas ainda carece de confirmação em estudos clínicos com humanos. Por isso, o Pau-Ferro não deve substituir a medicação prescrita nem o acompanhamento médico de pessoas com diabetes.

O Pau-Ferro Ajuda a Emagrecer?

Não há evidências sólidas de que o Pau-Ferro promova emagrecimento de forma direta. O interesse científico e o uso tradicional se concentram mais em efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes, antimicrobianos e, em alguns contextos, no suporte ao controle glicêmico. Caso exista alguma mudança de peso durante o uso, ela tende a ser indireta e não substitui estratégias comprovadas como alimentação estruturada, sono adequado e atividade física regular.

Quais São os Efeitos Colaterais do Pau-Ferro?

Os efeitos colaterais mais citados em uso popular incluem irritação gastrointestinal, náuseas e vômitos, especialmente quando há excesso de dose, preparo muito concentrado ou uso por tempo prolongado. Pessoas com maior sensibilidade digestiva podem perceber desconforto mais cedo, o que justifica começar com cautela e observar a resposta do corpo. Qualquer reação relevante deve motivar interrupção e avaliação profissional, principalmente se houver comorbidades ou uso de medicamentos.

Mulheres Grávidas Podem Tomar Chá de Pau-Ferro?

Não é recomendado. Por ausência de segurança bem estabelecida e por precaução, gestantes e lactantes devem evitar preparações internas com Pau-Ferro. Essa orientação é comum em fitoterapia quando faltam dados consistentes sobre efeitos em gravidez e amamentação, considerando que compostos bioativos podem atravessar barreiras biológicas e afetar o feto ou o bebê. Em qualquer necessidade terapêutica nesse período, a escolha deve ser discutida com o profissional de saúde.

Onde Posso Encontrar o Pau-Ferro?

A casca do Pau-Ferro pode ser encontrada em lojas de produtos naturais, feiras de ervas e alguns mercados regionais. Para reduzir o risco de adulteração ou confusão botânica, o ideal é comprar de fornecedores confiáveis, com boa rotulagem e procedência. Sempre que possível, priorize estabelecimentos que informem a identificação botânica (Caesalpinia ferrea) e mantenham padrões adequados de armazenamento, evitando material úmido, com odor estranho ou sinais de contaminação.

O Pau-Ferro Pode Ser Usado em Animais de Estimação?

Não é recomendado administrar Pau-Ferro a animais sem orientação veterinária, pois dose, segurança e metabolismo variam muito entre espécies e portes. Mesmo plantas usadas por humanos podem ter toxicidade em cães e gatos, especialmente quando a margem de segurança é estreita ou quando há risco de irritação gastrointestinal. Se houver interesse em terapias naturais para um animal, a avaliação deve ser feita por um médico veterinário com experiência em fitoterapia.

O Pau-Ferro Está em Risco de Extinção?

Em algumas regiões, sim. A extração intensiva de madeira e, em menor grau, a coleta para fins medicinais colocam o Pau-Ferro em situação de vulnerabilidade em parte de sua área de ocorrência natural. A extração predatória é uma ameaça concreta, o que reforça a importância de práticas de manejo sustentável e do incentivo ao cultivo da espécie em projetos de reflorestamento.

Para Que Mais Serve o Pau-Ferro Além do Uso Medicinal?

A madeira do Pau-Ferro é muito valorizada por sua dureza, densidade e beleza, sendo usada na construção civil de alta qualidade, na fabricação de instrumentos musicais e em móveis e objetos que exigem grande resistência. A árvore também é bastante apreciada na arborização urbana e no paisagismo, graças à copa ampla e à floração vistosa.

Referências e Estudos Científicos

19 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥇 Alto

Baseado em 19 Referências Citadas (8 Peer-Reviewed, 11 Complementares).

Ver Todas as 19 Referências Citadas

Estudos Científicos Peer-Reviewed (8)

  1. PMC2020 Macêdo, N. S., et al. (2020). Caesalpinia ferrea C. Mart. (Fabaceae) Phytochemistry, Ethnobotany, and Bioactivities: A Review. Molecules, 25(17), 3831. (PubMed: ).
  2. PEER2007 Menezes, I. A. C., et al. (2007). Cardiovascular effects of the aqueous extract from Caesalpinia ferrea: Involvement of ATP-sensitive potassium channels. Vascular Pharmacology, 47(1), 41-47.
  3. PMC2012 Freitas, A. C. C., et al. (2012). Biological Activities of Libidibia (Caesalpinia) ferrea var. parvifolia (Mart. ex Tul.) L. P. Queiroz Pod Preparations. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2012, 514134.
  4. PMC1996 Carvalho, J. C., et al. (1996). Preliminary studies of analgesic and anti-inflammatory properties of Caesalpinia ferrea crude extract. Journal of Ethnopharmacology, 53(3), 175-178.
  5. PEER2021 Holanda, B. F., et al. (2021). Polysaccaride-rich extract of Caesalpina ferrea stem barks attenuates mice acute inflammation induced by zymosan: Oxidative stress modulation. Journal of Ethnopharmacology, 267, 113501.
  6. PMCPEER2012 Pereira, L. de P., et al. (2012). Polysaccharide fractions of Caesalpinia ferrea pods: potential anti-inflammatory usage. Journal of Ethnopharmacology, 139(2), 642-648. (PubMed: ).
  7. PEER2001 Queiroz, M. L. S., et al. (2001). Evaluation of Caesalpinia ferrea extract on bone marrow hematopoiesis in the murine models of listeriosis and Ehrlich ascites tumor. Immunopharmacology and Immunotoxicology, 23(3), 367-382.
  8. PMC2021 Almeida, N. C. O. S., et al. (2021). Libidibia ferrea (jucá) anti-inflammatory action: A systematic review of in vivo and in vitro studies. PLoS One, 16(11), e0259545.

Leituras Complementares (11)

  1. 2014 Wyrepkowski, C. C., et al. (2014). Characterization and Quantification of the Compounds of the Ethanolic Extract from Caesalpinia ferrea Stem Bark and Evaluation of Their Mutagenic Activity. Molecules, 19(10), 16039-16057.
  2. 2012 Lima, S. M. A., et al. (2012). Anti-inflammatory and analgesic potential of Caesalpinia ferrea. Revista Brasileira de Farmacognosia, 22(1), 169-175.
  3. 2019 Falcão, T. R., et al. (2019). Libidibia ferrea Fruit Crude Extract and Fractions Show Anti-Inflammatory, Antioxidant, and Antinociceptive Effect In Vivo and Increase Cell Viability In Vitro. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2019, 6064805.
  4. 2020 Américo, Á. V. L. S., et al. (2020). Efficacy of Phytopharmaceuticals From the Amazonian Plant Libidibia ferrea for Wound Healing in Dogs. Frontiers in Veterinary Science, 7, 244.
  5. 2012 Freitas, A. C. C., et al. (2012). Biological Activities of Libidibia (Caesalpinia) ferrea var. ferrea. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2012, 980328.
  6. 2022 Luna, M. S. M., et al. (2022). Chemical composition of Libidibia ferrea var. ferrea pods extracts and their antibacterial and antibiofilm activities against Staphylococcus aureus. South African Journal of Botany, 150, 84-91.
  7. 2019 Ferreira, D. Q., et al. (2019). Libidibia ferrea (jucá), a Traditional Anti-Inflammatory: A Study of Acute Toxicity in Adult and Embryos Zebrafish (Danio rerio). Pharmaceuticals, 12(4), 175.
  8. 2010 Vasconcelos, C. F. B., et al. (2010). Atividade antimicrobiana de extratos de plantas medicinais sobre patógenos de interesse em alimentos. Ciência e Tecnologia de Alimentos, 30(1), 176-181.
  9. 2012 Nunes, P. H. M., et al. (2012). Atividade antioxidante e teores de fenóis e flavonoides em extratos de plantas do cerrado. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 14(3), 481-487.
  10. 2009 Gasson, P., et al. (2009). Wood Anatomy of Caesalpinia S.S., Coulteria, Erythrostemon, Guilandina, Libidibia, Mezoneuron, Poincianella, Pomaria and Tara (Leguminosae, Caesalpinioideae, Caesalpinieae). IAWA Journal, 30(3), 247-276.
  11. 2009 Queiroz, L. P. (2009). Leguminosas da Caatinga. Universidade Estadual de Feira de Santana.

Este conteúdo foi útil?

O que você achou deste artigo?

Continue Lendo Neste Tópico

Pode Interessar