Plantas Medicinais

Marroio-de-água: saiba para que serve

Conheça os benefícios, efeitos colaterais, indicações e propriedades medicinais do marroio-de-água (Lycopus europaeus), planta também chamada de licopus.

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6 Referências
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Marroio-de-água - Lycopus europaeus
Marroio-de-água (Lycopus europaeus) em seu habitat natural, apresentando flores brancas características e folhas dentadas típicas da espécie medicinal.

O marroio-de-água (Lycopus europaeus) tem uso tradicional real para hipertireoidismo leve, com alguns estudos pequenos sustentando esse uso, mas é planta que pode agravar hipotireoidismo e interagir com medicação de tireoide; não é remédio caseiro neutro.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Marroio-de-Água
  2. Composição Química
  3. Uso Tradicional para Hipertireoidismo: o Que a Pesquisa Realmente Mostra
  4. Efeitos Cardiovasculares e Calmantes
  5. Ação Antioxidante e Anti-Inflamatória
  6. Uso Tradicional Histórico
  7. Pesquisa Preliminar: Diabetes, Hormônios Femininos e Ação Antimicrobiana
  8. Como Usar
  9. Contraindicações e Interações: a Parte Mais Importante deste Artigo
  10. Perguntas Frequentes sobre o Marroio-de-Água

O Que É o Marroio-de-Água

É planta da família Lamiaceae que cresce em áreas úmidas e sombreadas da Europa e Ásia, conhecida em inglês como “gypsywort” (erva-cigana), nome ligado ao uso histórico de suas folhas e caules como corante escuro para tecidos e pele. Lycopus virginicus, nativa da América do Norte, é espécie próxima com uso tradicional semelhante.

Composição Química

Flores e folhas do marroio-de-água (Lycopus europaeus)

Ácidos fenólicos (ácido rosmarínico, cafeico, clorogênico) e flavonoides (como a luteolina) conferem ação antioxidante e anti-inflamatória documentada. Derivados do ácido cafeico parecem modular a função tireoidiana, um dos focos centrais da pesquisa sobre a planta. Taninos conferem propriedade adstringente, historicamente usada para sangramentos leves.

Uso Tradicional para Hipertireoidismo: o Que a Pesquisa Realmente Mostra

O uso mais conhecido do marroio-de-água é como apoio em hipertireoidismo leve, incluindo casos ligados à doença de Graves (condição autoimune em que anticorpos estimulam a tireoide a produzir hormônio em excesso). É importante separar dois mecanismos que a pesquisa investiga de forma distinta, para não misturar o que cada estudo realmente mostrou: um estudo mais antigo (Auf’mkolk et al. 1985) sugeriu, em ensaio de laboratório, que extratos da planta podem inibir a ligação de anticorpos estimulantes da doença de Graves ao receptor de TSH; um mecanismo hormonal direto, mas demonstrado em bancada, não em pacientes. Já o estudo em ratos de Vonhoff et al. (2006, Life Sciences) mostrou que o extrato reduz frequência cardíaca, pressão arterial e hipertrofia cardíaca associadas ao hipertireoidismo, com eficácia comparável ao atenolol (um betabloqueador) nesses parâmetros específicos, mas o próprio estudo não observou mudança significativa nos níveis de hormônio tireoidiano ou TSH. Ou seja: o efeito cardíaco calmante tipo “betabloqueador natural” tem sustentação real e é distinto de uma correção direta e confirmada dos hormônios da tireoide, que segue sendo uma hipótese menos estabelecida clinicamente. Um pequeno estudo clínico (Beer et al. 2008, mesmo periódico) acompanhou pacientes com hipertireoidismo leve por semanas e relatou melhora de sintomas e parâmetros hormonais, mas é estudo de porte pequeno, não uma confirmação definitiva em larga escala.

Efeitos Cardiovasculares e Calmantes

O efeito de reduzir a frequência cardíaca elevada é especialmente relevante para quem tem palpitações associadas a hipertireoidismo, sustentado pelo estudo já citado com ratos. Além disso, a planta tem leve ação sedativa, útil para ansiedade e insônia associadas a esse quadro; a base fisiológica exata dessa ação calmante ainda não está totalmente esclarecida.

Ação Antioxidante e Anti-Inflamatória

Os compostos fenólicos neutralizam radicais livres e ajudam a modular citocinas pró-inflamatórias, o que pode ser relevante no contexto do hipertireoidismo, condição associada a maior estresse oxidativo na glândula. Ainda assim, é efeito de suporte geral, não um tratamento isolado.

Uso Tradicional Histórico

Além do uso na tireoide, o marroio-de-água era historicamente usado para tosse e sangramentos pulmonares leves (por seu efeito adstringente) e aplicado topicamente em feridas; o herbalista inglês Nicholas Culpeper já documentava esse uso no século XVII. Esses usos são histórico-culturais, sem confirmação científica moderna equivalente ao uso mais estudado sobre a tireoide.

Pesquisa Preliminar: Diabetes, Hormônios Femininos e Ação Antimicrobiana

Estudos em animais sugerem possível melhora de sensibilidade à insulina, e testes de laboratório mostraram atividade contra a bactéria Staphylococcus aureus; há também hipótese de efeito antigonadotrópico (redução de LH e prolactina) usada por alguns fitoterapeutas para dor mamária cíclica. São todas linhas de pesquisa preliminares, com poucos estudos e nenhuma confirmação clínica robusta; não devem ser tratadas como benefícios estabelecidos.

Como Usar

O chá é preparado com 1 a 2 colheres de chá de folhas secas por xícara de água fervente, em infusão de 10 a 15 minutos, até três vezes ao dia; o sabor é amargo e mentolado. A tintura é usada em doses de 1 a 2ml diluídos em água, e cápsulas costumam trazer 300 a 500mg por dia; sempre com orientação de um profissional de saúde, dado o efeito hormonal real da planta.

Contraindicações e Interações: a Parte Mais Importante deste Artigo

O marroio-de-água não deve ser usado por quem tem hipotireoidismo, já que pode reduzir ainda mais a função da tireoide já baixa; pessoas com bócio também devem evitar, pela possibilidade de a planta aumentar o tamanho da glândula em certos contextos. Qualquer uso deve vir depois de diagnóstico correto da condição da tireoide por um endocrinologista, nunca por suposição de sintomas. A planta pode interagir com levotiroxina e outros medicamentos para tireoide, reduzindo sua eficácia; informe sempre seu médico. A interrupção abrupta do uso prolongado não é recomendada, pelo risco real de efeito rebote nos hormônios tireoidianos; a retirada deve ser gradual e supervisionada. Gestantes e lactantes devem evitar, pela falta de estudos de segurança. Reações alérgicas são possíveis, especialmente em quem já tem alergia a plantas da família da menta.

Perguntas Frequentes sobre o Marroio-de-Água

O Marroio-de-Água Emagrece?

Não há evidência direta disso; o hipertireoidismo costuma causar perda de peso, e ao ajudar a normalizar a função tireoidiana, o uso da planta pode até estabilizar ou levar a leve ganho de peso como sinal de recuperação, não de emagrecimento.

Posso Tomar com Outros Medicamentos?

Consulte sempre um médico antes: a planta pode interagir com medicamentos para tireoide (tanto hiper quanto hipotireoidismo), para o coração e sedativos.

Quanto Tempo Leva para Fazer Efeito?

Geralmente quatro a seis semanas de uso contínuo para os benefícios na regulação de sintomas se tornarem perceptíveis, variando por indivíduo e gravidade do quadro.

É Seguro para Crianças?

Não é recomendado; faltam estudos que estabeleçam segurança e dosagem pediátrica, e o sistema endócrino infantil é particularmente sensível a intervenções hormonais.

Qual a Diferença entre Lycopus Europaeus e Lycopus Virginicus?

São espécies próximas do mesmo gênero, com propriedades semelhantes; a principal diferença é a origem geográfica (Europa/Ásia vs. América do Norte), com perfis fitoquímicos parecidos.

Existe Contraindicação para o Consumo?

Sim, e é a mais importante desta planta: hipotireoidismo, bócio, gravidez, amamentação e uso concomitante de medicação para tireoide sem orientação médica são contraindicações reais, não apenas precauções genéricas.

O Marroio-de-Água Pode Causar Alergia?

Sim, especialmente em quem tem alergia a outras plantas da família da menta; suspenda o uso e procure orientação médica ante qualquer reação.

Posso Parar de Usar a Planta de Uma Hora para Outra?

Não é recomendado após uso prolongado, pelo risco de efeito rebote nos hormônios tireoidianos; a retirada deve ser gradual e, idealmente, acompanhada por um profissional.

Referências

6 Referências Citadas

Baseado em 6 Referências Citadas (6 Complementares).

  1. 2008 Beer AM, Wiebelitz KR, Schmidt-Gayk H. Lycopus europaeus (Gypsywort): effects on the thyroidal parameters and symptoms associated with thyroid function. Phytomedicine, 2008;15(1-2):16-22.
  2. 2006 Vonhoff C, Baumgartner A, Hegger M, et al. Extract of Lycopus europaeus L. reduces cardiac signs of hyperthyroidism in rats. Life Sciences, 2006;78(10):1063-1070.
  3. 1985 Auf’mkolk M, Ingbar JC, Kubota K, Amir SM, Ingbar SH. Extracts and auto-oxidized constituents of certain plants inhibit the receptor-binding and the biological activity of Graves’ immunoglobulins. Endocrinology, 1985;116(5):1687-1693.
  4. 1994 Winterhoff H, Gumbinger HG, Vahlensieck U, et al. Endocrine effects of Lycopus europaeus L. following oral application. Arzneimittel-Forschung, 1994;44(1):41-45.
  5. 2013 Eiling R, Olbricht T, Wieland V. Improvement of symptoms in mild hyperthyroidism with an extract of Lycopus europaeus. Wiener medizinische Wochenschrift, 2013;163(3-4):95-101.
  6. 2006 Yarnell E, Abascal K. Botanical medicine for thyroid regulation. Alternative and Complementary Therapies, 2006;12(3):107-112.

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