Plantas Medicinais

Malva-Silvestre: Saiba para Que Serve

Descubra para que serve a malva: um aliado tradicional para tosse, garganta irritada, digestão e pele, com modo de preparo passo a passo e cuidados baseados em estudos científicos.

Por Conselho Editorial11 Min de Leitura
Evidência Moderada10 Referências
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Malva sylvestris
Malva-silvestre (Malva sylvestris) em flor: planta medicinal conhecida por suas propriedades calmantes e anti-inflamatórias naturais.

A malva (Malva sylvestris) é uma planta rica em mucilagem, usada tradicionalmente para tosse, garganta irritada, desconfortos digestivos e cuidados com a pele; está na lista oficial de plantas de interesse do SUS. É considerada segura para a maioria das pessoas, com um cuidado prático real: pode retardar a absorção de outros medicamentos tomados ao mesmo tempo.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Malva-Silvestre
  2. Composição Química da Malva
  3. Propriedades Tradicionais da Malva
  4. Para Que É Usada a Malva
  5. Como Preparar o Chá de Malva
  6. Outras Formas de Uso da Malva
  7. Estudos Científicos Sobre a Malva
  8. Contraindicações e Cuidados
  9. Curiosidades Sobre a Malva
  10. Perguntas Frequentes sobre a Malva

O Que É a Malva-Silvestre

A Malva sylvestris, conhecida como malva-silvestre, malva-cheirosa ou malva-alta, pertence à família Malvaceae. É uma planta herbácea bienal ou perene, originária da Europa, da Ásia e do norte da África, hoje naturalizada em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil.

A planta pode ultrapassar um metro de altura e apresenta flores de cinco pétalas em tom que varia do rosa-pálido ao roxo-intenso, com veios mais escuros característicos. Prefere solos férteis e bem drenados, em locais ensolarados ou de meia-sombra, e floresce da primavera ao final do verão.

No Brasil, a malva integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), lista de espécies com potencial reconhecido pelo Ministério da Saúde para o desenvolvimento de fitoterápicos.

Composição Química da Malva

A ação tradicional da malva está associada à sua composição fitoquímica. Flores e folhas contêm mucilagem, o composto mais estudado da planta: um polissacarídeo que, em contato com a água, forma um gel viscoso responsável pela ação emoliente e demulcente sobre mucosas irritadas.

Também fazem parte da composição flavonoides como a malvina, a gossipetina e a hipolaetina, associados a atividade antioxidante e anti-inflamatória em estudos laboratoriais; taninos, com leve ação adstringente; e óleos essenciais, cumarinas como a escopoletina e esteróis vegetais. A planta ainda contém vitaminas A, C e do complexo B, além de minerais como cálcio, magnésio e zinco.

Propriedades Tradicionais da Malva

Ação Anti-Inflamatória

Estudos de laboratório associam os flavonoides e polifenóis da malva à inibição de substâncias pró-inflamatórias. Essa atividade sustenta o uso tradicional da planta em irritações da mucosa oral e da garganta, como aftas e gengivite, e em desconfortos digestivos leves, como azia e gastrite.

Ação Emoliente e Protetora das Mucosas

A mucilagem forma uma camada protetora e hidratante sobre as mucosas do sistema digestivo e respiratório. Essa película alivia a irritação e reduz a sensibilidade local, o que explica a sensação de conforto quase imediata relatada por quem usa a malva para garganta inflamada ou estômago irritado.

Ação Expectorante

A malva é tradicionalmente usada como expectorante, ajudando a fluidificar o muco espesso e a facilitar sua eliminação em casos de tosse produtiva, bronquite leve, laringite e resfriados comuns.

Ação Laxativa Suave

Ao absorver água, a mucilagem aumenta o volume e a maciez do bolo fecal, facilitando sua passagem e estimulando os movimentos peristálticos. Esse mecanismo sustenta o uso da malva como recurso natural para constipação intestinal leve a moderada, com efeito considerado mais suave do que o de laxantes estimulantes.

Para Que É Usada a Malva

Tosse e Vias Respiratórias

O chá de malva é um dos usos tradicionais mais bem estabelecidos da planta: a mucilagem acalma a mucosa da garganta e ajuda a suavizar a tosse seca, enquanto a ação expectorante contribui para desobstruir as vias respiratórias durante gripes, resfriados, faringites e bronquites. Balas e xaropes de malva são populares justamente por esse efeito calmante local.

Sistema Digestivo

A mucilagem protege e suaviza a mucosa gástrica e intestinal, o que sustenta o uso tradicional da malva para azia, gastrite leve e constipação. Em excesso, esse mesmo efeito emoliente e laxativo pode causar diarreia, por isso a recomendação é respeitar as doses tradicionais (veja contraindicações).

Saúde Bucal

Gargarejos e bochechos com o chá resfriado são um uso tradicional para aftas, gengivite e estomatite. Alguns estudos in vitro apontam atividade antimicrobiana nos compostos da malva, o que pode contribuir para o conforto bucal, mas a planta não substitui a escovação, o uso de fio dental e o acompanhamento odontológico.

Pele

A infusão ou decocção aplicada topicamente, em compressas frias, é usada tradicionalmente para acalmar vermelhidão, irritações leves e picadas de insetos, e para apoiar a cicatrização de pequenos cortes e arranhões, aproveitando a mesma ação emoliente e anti-inflamatória observada nas mucosas.

Como Preparar o Chá de Malva

  1. Adicione duas colheres de sobremesa (cerca de 2 gramas) de flores ou folhas secas de malva em uma xícara.
  2. Despeje água quente, mas não fervente, sobre a planta e tampe o recipiente.
  3. Deixe em infusão por dez a quinze minutos.
  4. Coe e beba ainda morno, de duas a três vezes ao dia.

Outras Formas de Uso da Malva

Maceração a Frio

Para extrair mais mucilagem, deixe as flores e folhas de molho em água à temperatura ambiente por algumas horas ou durante a noite. O líquido resultante é mais viscoso e é preferido por quem busca a malva especificamente para desconfortos gástricos e intestinais.

Gargarejo e Bochecho

Prepare o chá por infusão, espere amornar e utilize o líquido puro para gargarejos em caso de dor de garganta, ou para bochechos de cerca de um minuto em casos de afta ou gengivite, repetindo três a quatro vezes ao dia.

Compressa Tópica

Embeba uma gaze ou um pano limpo no chá de malva forte e frio. Aplique sobre a área afetada da pele por quinze a vinte minutos para aliviar vermelhidão e desconforto.

Xarope Caseiro

Cozinhe cerca de 50 gramas de flores em um litro de água até reduzir pela metade, coe e adicione 500 gramas de açúcar mascavo ou mel, cozinhando em fogo baixo até atingir consistência de xarope. Guarde em vidro esterilizado, na geladeira, e tome uma colher de chá quando necessário.

Extrato Padronizado e Cápsulas

A malva também está disponível em xarope industrializado (com cerca de 5% de extrato fluido, na dose de uma a três colheres ao dia) e em cápsulas de extrato seco, formas úteis para quem prefere uma dosagem padronizada; siga sempre a orientação da bula ou de um profissional de saúde.

Estudos Científicos Sobre a Malva

A ciência tem se dedicado a investigar os usos tradicionais da malva. Uma revisão publicada no periódico Naunyn-Schmiedeberg’s Archives of Pharmacology, em 2022, reuniu evidências da ação anti-inflamatória e antioxidante de extratos da planta, associando essa atividade à concentração de flavonoides, polifenóis e mucilagens. Outro estudo, publicado na revista Industrial Crops and Products, mostrou como diferentes condições ambientais alteram a composição do óleo essencial da malva e sua atividade antimicrobiana em testes de laboratório.

Um ensaio clínico controlado por placebo, publicado no Complementary Therapies in Clinical Practice, avaliou o extrato aquoso das flores de Malva sylvestris em adultos com constipação funcional e observou melhora na frequência e na consistência das evacuações no grupo que recebeu o extrato, um resultado que reforça o uso tradicional da planta como laxante suave. Outro ensaio clínico avaliou um colutório à base de malva no controle da gengivite e relatou redução da inflamação gengival no grupo tratado.

Essas evidências reforçam a malva como um recurso da fitoterapia com uso tradicional bem documentado, embora ainda sejam necessários mais estudos clínicos em humanos para confirmar a extensão de seus efeitos.

Contraindicações e Cuidados

A malva é considerada segura para a maioria das pessoas quando usada nas doses tradicionais. O principal efeito relatado é a diarreia, associada ao próprio efeito laxante da mucilagem em doses elevadas; pessoas com intestino sensível ou síndrome do intestino irritável devem começar com doses menores.

Não há estudos conclusivos sobre a segurança do uso da malva na gravidez e na amamentação; por precaução, gestantes e lactantes devem consultar um médico antes de um uso contínuo. Pessoas com histórico de alergia a outras plantas da família Malvaceae, como hibisco e quiabo, devem ter cautela, e qualquer reação adversa, como erupções na pele ou dificuldade para respirar, deve levar à suspensão imediata do uso e à procura de atendimento médico.

Interação com Medicamentos

Como a mucilagem forma uma camada sobre a mucosa intestinal, ela pode retardar a absorção de medicamentos tomados por via oral ao mesmo tempo. A recomendação prática é espaçar o consumo de malva de outros remédios por pelo menos duas horas, e informar sempre um médico ou farmacêutico sobre o uso de plantas medicinais em paralelo a tratamentos convencionais.

Curiosidades Sobre a Malva

A malva acompanha a história humana há séculos. Gregos e romanos já documentavam seu uso para problemas respiratórios, digestivos e feridas. Na Idade Média, a planta era cultivada nos jardins dos mosteiros europeus, e o imperador Carlos Magno chegou a determinar seu cultivo nos jardins reais, na capitular Capitulare de Villis.

O nome popular deriva do grego malakos, que significa macio ou suave, referência direta à textura de suas folhas e à sensação que a mucilagem proporciona sobre as mucosas. Flores e folhas jovens também são comestíveis e podem ser usadas para dar cor e sabor suave a saladas e sopas.

Perguntas Frequentes sobre a Malva

Para Que Serve o Chá de Malva?

O chá de malva é tradicionalmente usado para aliviar tosse e garganta irritada, para desconfortos digestivos leves, como azia e constipação, e, em uso tópico, para irritações da pele.

A Malva Serve para Tosse e Garganta Irritada?

Sim, é um dos usos tradicionais mais bem estabelecidos da planta, graças à ação emoliente da mucilagem sobre a mucosa das vias respiratórias.

A Malva Está na Lista Oficial de Plantas Medicinais do SUS?

Sim, ela integra a RENISUS, a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, do Ministério da Saúde.

A Malva Pode Ser Tomada com Outros Remédios?

Com cautela: a mucilagem pode retardar a absorção de medicamentos, por isso recomenda-se espaçar o consumo de malva de outros remédios por pelo menos duas horas.

A Malva Causa Diarreia?

Em doses elevadas, sim, pelo efeito laxante suave da mucilagem; nas quantidades tradicionalmente recomendadas, esse efeito costuma ser leve ou ausente.

Grávidas e Lactantes Podem Tomar Chá de Malva?

Não há estudos conclusivos sobre a segurança do uso contínuo nessa fase, por isso é recomendável consultar um médico antes de usar a malva na gravidez ou na amamentação.

O Chá de Malva Pode Ser Dado para Crianças?

Em geral é considerado bem tolerado a partir dos dois anos, mas a dose deve ser ajustada à idade e ao peso, e o uso deve ser orientado por um pediatra ou fitoterapeuta.

Qual a Diferença Entre a Malva-Silvestre e Outras Espécies do Gênero Malva?

O gênero Malva reúne diversas espécies, como a Malva neglecta (malva-rasteira) e a malva-rosa. A Malva sylvestris é a mais estudada e mais usada na fitoterapia, sendo a identificação botânica correta importante para garantir o uso adequado.

A Malva Serve para Emagrecer?

Não há evidências de que a malva promova a queima de gordura; seu efeito laxante suave pode levar a uma perda passageira de líquidos, mas isso não é um método saudável nem sustentável de emagrecimento.

Posso Tomar Chá de Malva Todos os Dias?

Em quantidades moderadas e pelas vias tradicionalmente recomendadas, é considerada segura para a maioria dos adultos.

Referências

10 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 10 Referências Citadas (5 Peer-Reviewed, 1 Institucional, 4 Complementares).

Ver Todas as 10 Referências Citadas

Estudos Científicos Peer-Reviewed (5)

  1. PMC The phytochemical profiling, pharmacological activities, and safety of Malva sylvestris: a review.
  2. PEER Variation of Malva sylvestris essential oil yield, chemical composition and biological activity, Industrial Crops and Products.
  3. PMC A Review on Health Benefits of Malva sylvestris L.
  4. PEER Ethnobotanical and scientific aspects of Malva sylvestris L.
  5. PMC Efficacy of the Malva sylvestris L. flowers aqueous extract for functional constipation, Complementary Therapies in Clinical Practice.

Fontes Institucionais (1)

  1. GOV Clinical Evaluation of a Mouthwash Containing Malva Sylvestris, ClinicalTrials.gov.

Leituras Complementares (4)

  1. 2011 Razavi SM, et al. Bioactivity of Malva sylvestris L., a medicinal plant from Iran. Iranian Journal of Basic Medical Sciences, 2011;14(6):574.
  2. 2016 Ecker ACL, et al. Efeitos benéficos e maléficos da Malva sylvestris. Journal of Oral Investigations, 2016;4(1):39-43.
  3. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS).
  4. Safety Assessment of Malva sylvestris (Mallow), Cosmetic Ingredient Review.

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