A malva (Malva sylvestris) é uma planta rica em mucilagem, usada tradicionalmente para tosse, garganta irritada, desconfortos digestivos e cuidados com a pele; está na lista oficial de plantas de interesse do SUS. É considerada segura para a maioria das pessoas, com um cuidado prático real: pode retardar a absorção de outros medicamentos tomados ao mesmo tempo.
Sumário do Artigo
O Que É a Malva-Silvestre
A Malva sylvestris, conhecida como malva-silvestre, malva-cheirosa ou malva-alta, pertence à família Malvaceae. É uma planta herbácea bienal ou perene, originária da Europa, da Ásia e do norte da África, hoje naturalizada em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil.
A planta pode ultrapassar um metro de altura e apresenta flores de cinco pétalas em tom que varia do rosa-pálido ao roxo-intenso, com veios mais escuros característicos. Prefere solos férteis e bem drenados, em locais ensolarados ou de meia-sombra, e floresce da primavera ao final do verão.
No Brasil, a malva integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), lista de espécies com potencial reconhecido pelo Ministério da Saúde para o desenvolvimento de fitoterápicos.
Composição Química da Malva
A ação tradicional da malva está associada à sua composição fitoquímica. Flores e folhas contêm mucilagem, o composto mais estudado da planta: um polissacarídeo que, em contato com a água, forma um gel viscoso responsável pela ação emoliente e demulcente sobre mucosas irritadas.
Também fazem parte da composição flavonoides como a malvina, a gossipetina e a hipolaetina, associados a atividade antioxidante e anti-inflamatória em estudos laboratoriais; taninos, com leve ação adstringente; e óleos essenciais, cumarinas como a escopoletina e esteróis vegetais. A planta ainda contém vitaminas A, C e do complexo B, além de minerais como cálcio, magnésio e zinco.
Propriedades Tradicionais da Malva
Ação Anti-Inflamatória
Estudos de laboratório associam os flavonoides e polifenóis da malva à inibição de substâncias pró-inflamatórias. Essa atividade sustenta o uso tradicional da planta em irritações da mucosa oral e da garganta, como aftas e gengivite, e em desconfortos digestivos leves, como azia e gastrite.
Ação Emoliente e Protetora das Mucosas
A mucilagem forma uma camada protetora e hidratante sobre as mucosas do sistema digestivo e respiratório. Essa película alivia a irritação e reduz a sensibilidade local, o que explica a sensação de conforto quase imediata relatada por quem usa a malva para garganta inflamada ou estômago irritado.
Ação Expectorante
A malva é tradicionalmente usada como expectorante, ajudando a fluidificar o muco espesso e a facilitar sua eliminação em casos de tosse produtiva, bronquite leve, laringite e resfriados comuns.
Ação Laxativa Suave
Ao absorver água, a mucilagem aumenta o volume e a maciez do bolo fecal, facilitando sua passagem e estimulando os movimentos peristálticos. Esse mecanismo sustenta o uso da malva como recurso natural para constipação intestinal leve a moderada, com efeito considerado mais suave do que o de laxantes estimulantes.
Para Que É Usada a Malva
Tosse e Vias Respiratórias
O chá de malva é um dos usos tradicionais mais bem estabelecidos da planta: a mucilagem acalma a mucosa da garganta e ajuda a suavizar a tosse seca, enquanto a ação expectorante contribui para desobstruir as vias respiratórias durante gripes, resfriados, faringites e bronquites. Balas e xaropes de malva são populares justamente por esse efeito calmante local.
Sistema Digestivo
A mucilagem protege e suaviza a mucosa gástrica e intestinal, o que sustenta o uso tradicional da malva para azia, gastrite leve e constipação. Em excesso, esse mesmo efeito emoliente e laxativo pode causar diarreia, por isso a recomendação é respeitar as doses tradicionais (veja contraindicações).
Saúde Bucal
Gargarejos e bochechos com o chá resfriado são um uso tradicional para aftas, gengivite e estomatite. Alguns estudos in vitro apontam atividade antimicrobiana nos compostos da malva, o que pode contribuir para o conforto bucal, mas a planta não substitui a escovação, o uso de fio dental e o acompanhamento odontológico.
Pele
A infusão ou decocção aplicada topicamente, em compressas frias, é usada tradicionalmente para acalmar vermelhidão, irritações leves e picadas de insetos, e para apoiar a cicatrização de pequenos cortes e arranhões, aproveitando a mesma ação emoliente e anti-inflamatória observada nas mucosas.
Como Preparar o Chá de Malva
- Adicione duas colheres de sobremesa (cerca de 2 gramas) de flores ou folhas secas de malva em uma xícara.
- Despeje água quente, mas não fervente, sobre a planta e tampe o recipiente.
- Deixe em infusão por dez a quinze minutos.
- Coe e beba ainda morno, de duas a três vezes ao dia.
Outras Formas de Uso da Malva
Maceração a Frio
Para extrair mais mucilagem, deixe as flores e folhas de molho em água à temperatura ambiente por algumas horas ou durante a noite. O líquido resultante é mais viscoso e é preferido por quem busca a malva especificamente para desconfortos gástricos e intestinais.
Gargarejo e Bochecho
Prepare o chá por infusão, espere amornar e utilize o líquido puro para gargarejos em caso de dor de garganta, ou para bochechos de cerca de um minuto em casos de afta ou gengivite, repetindo três a quatro vezes ao dia.
Compressa Tópica
Embeba uma gaze ou um pano limpo no chá de malva forte e frio. Aplique sobre a área afetada da pele por quinze a vinte minutos para aliviar vermelhidão e desconforto.
Xarope Caseiro
Cozinhe cerca de 50 gramas de flores em um litro de água até reduzir pela metade, coe e adicione 500 gramas de açúcar mascavo ou mel, cozinhando em fogo baixo até atingir consistência de xarope. Guarde em vidro esterilizado, na geladeira, e tome uma colher de chá quando necessário.
Extrato Padronizado e Cápsulas
A malva também está disponível em xarope industrializado (com cerca de 5% de extrato fluido, na dose de uma a três colheres ao dia) e em cápsulas de extrato seco, formas úteis para quem prefere uma dosagem padronizada; siga sempre a orientação da bula ou de um profissional de saúde.
Estudos Científicos Sobre a Malva
A ciência tem se dedicado a investigar os usos tradicionais da malva. Uma revisão publicada no periódico Naunyn-Schmiedeberg’s Archives of Pharmacology, em 2022, reuniu evidências da ação anti-inflamatória e antioxidante de extratos da planta, associando essa atividade à concentração de flavonoides, polifenóis e mucilagens. Outro estudo, publicado na revista Industrial Crops and Products, mostrou como diferentes condições ambientais alteram a composição do óleo essencial da malva e sua atividade antimicrobiana em testes de laboratório.
Um ensaio clínico controlado por placebo, publicado no Complementary Therapies in Clinical Practice, avaliou o extrato aquoso das flores de Malva sylvestris em adultos com constipação funcional e observou melhora na frequência e na consistência das evacuações no grupo que recebeu o extrato, um resultado que reforça o uso tradicional da planta como laxante suave. Outro ensaio clínico avaliou um colutório à base de malva no controle da gengivite e relatou redução da inflamação gengival no grupo tratado.
Essas evidências reforçam a malva como um recurso da fitoterapia com uso tradicional bem documentado, embora ainda sejam necessários mais estudos clínicos em humanos para confirmar a extensão de seus efeitos.
Contraindicações e Cuidados
A malva é considerada segura para a maioria das pessoas quando usada nas doses tradicionais. O principal efeito relatado é a diarreia, associada ao próprio efeito laxante da mucilagem em doses elevadas; pessoas com intestino sensível ou síndrome do intestino irritável devem começar com doses menores.
Não há estudos conclusivos sobre a segurança do uso da malva na gravidez e na amamentação; por precaução, gestantes e lactantes devem consultar um médico antes de um uso contínuo. Pessoas com histórico de alergia a outras plantas da família Malvaceae, como hibisco e quiabo, devem ter cautela, e qualquer reação adversa, como erupções na pele ou dificuldade para respirar, deve levar à suspensão imediata do uso e à procura de atendimento médico.
Interação com Medicamentos
Como a mucilagem forma uma camada sobre a mucosa intestinal, ela pode retardar a absorção de medicamentos tomados por via oral ao mesmo tempo. A recomendação prática é espaçar o consumo de malva de outros remédios por pelo menos duas horas, e informar sempre um médico ou farmacêutico sobre o uso de plantas medicinais em paralelo a tratamentos convencionais.
Curiosidades Sobre a Malva
A malva acompanha a história humana há séculos. Gregos e romanos já documentavam seu uso para problemas respiratórios, digestivos e feridas. Na Idade Média, a planta era cultivada nos jardins dos mosteiros europeus, e o imperador Carlos Magno chegou a determinar seu cultivo nos jardins reais, na capitular Capitulare de Villis.
O nome popular deriva do grego malakos, que significa macio ou suave, referência direta à textura de suas folhas e à sensação que a mucilagem proporciona sobre as mucosas. Flores e folhas jovens também são comestíveis e podem ser usadas para dar cor e sabor suave a saladas e sopas.
Perguntas Frequentes sobre a Malva
Para Que Serve o Chá de Malva?
O chá de malva é tradicionalmente usado para aliviar tosse e garganta irritada, para desconfortos digestivos leves, como azia e constipação, e, em uso tópico, para irritações da pele.
A Malva Serve para Tosse e Garganta Irritada?
Sim, é um dos usos tradicionais mais bem estabelecidos da planta, graças à ação emoliente da mucilagem sobre a mucosa das vias respiratórias.
A Malva Está na Lista Oficial de Plantas Medicinais do SUS?
Sim, ela integra a RENISUS, a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, do Ministério da Saúde.
A Malva Pode Ser Tomada com Outros Remédios?
Com cautela: a mucilagem pode retardar a absorção de medicamentos, por isso recomenda-se espaçar o consumo de malva de outros remédios por pelo menos duas horas.
A Malva Causa Diarreia?
Em doses elevadas, sim, pelo efeito laxante suave da mucilagem; nas quantidades tradicionalmente recomendadas, esse efeito costuma ser leve ou ausente.
Grávidas e Lactantes Podem Tomar Chá de Malva?
Não há estudos conclusivos sobre a segurança do uso contínuo nessa fase, por isso é recomendável consultar um médico antes de usar a malva na gravidez ou na amamentação.
O Chá de Malva Pode Ser Dado para Crianças?
Em geral é considerado bem tolerado a partir dos dois anos, mas a dose deve ser ajustada à idade e ao peso, e o uso deve ser orientado por um pediatra ou fitoterapeuta.
Qual a Diferença Entre a Malva-Silvestre e Outras Espécies do Gênero Malva?
O gênero Malva reúne diversas espécies, como a Malva neglecta (malva-rasteira) e a malva-rosa. A Malva sylvestris é a mais estudada e mais usada na fitoterapia, sendo a identificação botânica correta importante para garantir o uso adequado.
A Malva Serve para Emagrecer?
Não há evidências de que a malva promova a queima de gordura; seu efeito laxante suave pode levar a uma perda passageira de líquidos, mas isso não é um método saudável nem sustentável de emagrecimento.
Posso Tomar Chá de Malva Todos os Dias?
Em quantidades moderadas e pelas vias tradicionalmente recomendadas, é considerada segura para a maioria dos adultos.
Referências
Ver Todas as 10 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (5)
- PMC The phytochemical profiling, pharmacological activities, and safety of Malva sylvestris: a review.
- PEER Variation of Malva sylvestris essential oil yield, chemical composition and biological activity, Industrial Crops and Products.
- PMC A Review on Health Benefits of Malva sylvestris L.
- PEER Ethnobotanical and scientific aspects of Malva sylvestris L.
- PMC Efficacy of the Malva sylvestris L. flowers aqueous extract for functional constipation, Complementary Therapies in Clinical Practice.
Fontes Institucionais (1)
- GOV Clinical Evaluation of a Mouthwash Containing Malva Sylvestris, ClinicalTrials.gov.
Leituras Complementares (4)
- 2011 Razavi SM, et al. Bioactivity of Malva sylvestris L., a medicinal plant from Iran. Iranian Journal of Basic Medical Sciences, 2011;14(6):574.
- 2016 Ecker ACL, et al. Efeitos benéficos e maléficos da Malva sylvestris. Journal of Oral Investigations, 2016;4(1):39-43.
- Ministério da Saúde. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS).
- Safety Assessment of Malva sylvestris (Mallow), Cosmetic Ingredient Review.






