Plantas Medicinais

Bardana: Benefícios, Contraindicações e Como Preparar o Chá

Conheça os benefícios da bardana para a pele, o fígado e os rins, veja as contraindicações reais e o passo a passo completo para preparar o chá da raiz.

Por Conselho Editorial13 Min de Leitura
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Arctium lappa - BARDANA
Estrutura de sementes da bardana (Arctium lappa), planta medicinal usada no preparo de chás com propriedades depurativas e anti-inflamatórias.

Arctium lappa) é uma planta medicinal robusta e versátil, também conhecida como bardana-maior, carrapicho-de-carneiro, carrapicho-grande, erva-dos-tinhosos, gobô, lapa, orelha-de-gigante, pegamassa, ruibarbo-cigano e burdock em inglês, entre outros nomes populares. Pertence à família Asteraceae e tem uma longa história de uso em diferentes culturas, da medicina tradicional chinesa à culinária japonesa. Suas raízes, folhas e sementes reúnem compostos bioativos como inulina, ácidos fenólicos e lignanas, que despertam interesse crescente da pesquisa científica interessada em validar usos tradicionais que atravessam séculos.

Este guia reúne a história da planta, sua composição química, seus usos tradicionais para a pele e o organismo, suas aplicações na culinária e as formas seguras de preparo, incluindo as contraindicações que merecem atenção antes do consumo regular.

Sumário do Artigo
  1. História e Origem da Bardana
  2. Descrição Botânica da Arctium lappa
  3. Componentes Fitoquímicos da Bardana
  4. Ação Desintoxicante e Diurética da Bardana
  5. Benefícios da Bardana para a Pele e o Cabelo
  6. Chá de Bardana
  7. Modo de Preparo do Chá de Bardana
  8. Outras Formas de Uso da Bardana
  9. Uso da Bardana na Culinária
  10. Propriedades Anti-Inflamatórias e Antioxidantes
  11. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Bardana
  12. Perguntas Frequentes sobre a Bardana

História e Origem da Bardana

A bardana é originária da Eurásia, onde cresce espontaneamente, e adaptou-se ao longo do tempo a climas temperados em diferentes partes do mundo. Desde a antiguidade, diferentes civilizações reconheceram seu valor; os gregos, por exemplo, já a utilizavam como remédio popular para diversas enfermidades, e sua popularidade se espalhou ao longo das rotas comerciais até alcançar a Ásia e as Américas.

Na Idade Média, a bardana era um remédio popular na Europa. Hildegarda de Bingen, abadessa e herbalista do século XII, já mencionava suas virtudes, e curandeiros e herbalistas a prescreviam com frequência para uma variedade de males; acreditava-se que purificava o sangue e ajudava em problemas de pele como sarna e lepra. Durante a Revolução Industrial, seu uso foi reavivado como planta depurativa para aliviar o cansaço de trabalhadores expostos à poluição das fábricas, uma tradição de uso contínuo que atravessou gerações.

A planta também tem seu lugar no folclore e na história da inovação. O inventor suíço George de Mestral se inspirou nos carrapichos da bardana para criar o velcro depois de observar, com uma lupa, como os frutos da planta se agarravam com ganchos curvados ao pelo do seu cachorro após um passeio. É uma boa ilustração de como a bardana influenciou áreas muito além da medicina e da culinária.

No Brasil, a introdução da bardana está ligada à imigração japonesa: os imigrantes trouxeram consigo suas tradições culinárias e medicinais, e o gobô, como a raiz é chamada no Japão, tornou-se popular por aqui. Hoje a planta é facilmente encontrada em feiras livres do Sul e do Sudeste, com presença consolidada na culinária macrobiótica.

Descrição Botânica da Arctium lappa

A Arctium lappa é uma planta herbácea bienal que pode atingir até dois metros de altura. No primeiro ano, desenvolve uma roseta de folhas basais grandes, em formato de coração, com pecíolos longos e superfície inferior acinzentada e pubescente; a raiz principal é longa, carnuda e pivotante.

No segundo ano surge um caule floral ereto, robusto, estriado e ramificado, com folhas menores e alternadas. As inflorescências são capítulos globosos de cor púrpura, cercados por brácteas com ganchos, os mesmos que permitem que os frutos se prendam a pelos de animais e a roupas. Os frutos são aquênios, a floração ocorre no verão, e a planta prospera em solos ricos e bem drenados, sendo comum em terrenos baldios e beiras de estrada.

Componentes Fitoquímicos da Bardana

A raiz da bardana é rica em nutrientes e fitoquímicos, com destaque para grandes quantidades de inulina, uma fibra prebiótica que alimenta as bactérias benéficas do intestino, além de poliacetilenos com ação antibacteriana estudada.

As folhas contêm arctiopicrina, um composto amargo associado ao estímulo da produção de bile e sucos digestivos, e são ricas em antioxidantes como os ácidos fenólicos, que ajudam a neutralizar os danos dos radicais livres; por isso o extrato de folha de bardana também é usado em cosméticos.

As sementes concentram lignanas importantes, sobretudo a arctigenina e a arctiina, estudadas por possíveis atividades anti-inflamatórias e antivirais. A arctigenina, em particular, é estudada por seu potencial antiviral contra o influenza A e por um possível papel neuroprotetor, e linhas de pesquisa preliminares também avaliam compostos da planta em contextos oncológicos, embora ainda sem confirmação em ensaios clínicos robustos. A presença desses fitoquímicos em toda a planta ajuda a explicar a ampla gama de usos tradicionais atribuídos à bardana.

Ação Desintoxicante e Diurética da Bardana

A bardana é tradicionalmente considerada uma planta depurativa e diurética, com ação atribuída ao apoio do sistema linfático e do sistema urinário; o uso tradicional é para estimular a drenagem linfática e aumentar a produção de urina, favorecendo a eliminação de resíduos metabólicos e o combate à retenção de líquidos.

A planta também é tradicionalmente associada à eliminação de ácido úrico, podendo ser interessante para quem sofre de gota, e contém poliacetilenos com propriedades antibacterianas e antifúngicas estudadas. Há uso popular para apoio às funções do fígado, dos rins e do intestino, inclusive para alívio da prisão de ventre, embora casos persistentes de constipação devam ser avaliados por um médico.

Entre os usos externos populares estão o banho de ervas para dores articulares e gota, compressas para inchaços, deslocamentos e contusões, o suco aplicado contra sarna e o enxágue capilar associado ao combate à caspa.

Benefícios da Bardana para a Pele e o Cabelo

A bardana é uma aliada tradicional da saúde da pele. Suas propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas, já estudadas em laboratório, explicam seu uso popular no cuidado de peles oleosas e com tendência a acne e eczema; o uso tópico de preparações de bardana é bastante comum nesse contexto.

O extrato de raiz de bardana é associado popularmente à melhora da circulação sanguínea na pele, favorecendo a nutrição e a oxigenação das células e contribuindo para uma aparência mais saudável. Estudos preliminares in vitro sugerem que a planta pode ajudar a inibir enzimas como a elastase e a colagenase, que degradam colágeno e elastina, o que sustentaria seu uso tradicional para apoiar a firmeza e a elasticidade da pele, embora essas evidências ainda não sejam conclusivas em humanos.

Cataplasmas de folhas frescas são usados popularmente para aliviar irritações e picadas de insetos, graças à ação bactericida atribuída à planta. Picadas de aranhas peçonhentas, como armadeira e marrom, são emergência médica e exigem atendimento hospitalar imediato, já que podem necessitar de soro antiaracnídico; nenhuma preparação caseira de bardana substitui esse atendimento. Já o óleo de bardana, rico em fitoesteróis e ácidos graxos essenciais, é popularmente usado nos cuidados do couro cabeludo, nutrindo os fios e sendo associado ao combate à caspa e à queda de cabelo.

A planta também é estudada por sua capacidade de modular a resposta inflamatória, o que a torna interessante como possível coadjuvante no alívio de sintomas de condições inflamatórias da pele, como psoríase e dermatite atópica, ajudando a acalmar a vermelhidão e a coceira; ainda assim, esse uso não substitui o acompanhamento dermatológico.

Chá de Bardana

Arctium lappa - Bardana

O chá de bardana é consumido tanto no Ocidente quanto no Oriente, sendo um dos principais itens da dieta macrobiótica na culinária asiática. Tem uso tradicional como depurativo, e as sementes são popularmente associadas ao alívio de irritações na pele, gripes e resfriados.

Modo de Preparo do Chá de Bardana

  1. Para o chá de raiz, ferva de 2 a 6 gramas de raízes secas com casca (cerca de uma colher de sopa) em um litro de água, mantendo a fervura por 10 a 15 minutos.
  2. Para o chá de folhas e flores, despeje água fervente sobre uma colher de sopa da erva seca, tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos.
  3. Coe o chá antes de consumir.
  4. Use sempre a bardana seca, já que a planta fresca pode causar reações alérgicas em algumas pessoas.
  5. O uso tradicional é de uma xícara três vezes ao dia; consulte um profissional de saúde antes de iniciar o consumo regular.

Outras Formas de Uso da Bardana

Além do chá, a bardana também é encontrada em tintura, uma preparação alcoólica concentrada da qual geralmente se diluem algumas gotas em água, e em extrato fluido, similar à tintura mas com menor teor alcoólico; ambos são encontrados em lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação.

Para uso externo, cataplasmas com folhas frescas amassadas podem ser aplicados diretamente sobre a pele para aliviar inflamações, picadas de insetos ou pequenas feridas, e o óleo de bardana, obtido por maceração da raiz em óleo carreador, é usado em massagens no couro cabeludo. A raiz também é encontrada em cápsulas, que oferecem dosagem precisa para quem não aprecia o sabor do chá, e em pó, que pode ser adicionado a sucos, vitaminas ou sopas.

Uso da Bardana na Culinária

A raiz de bardana, ou gobô, é um ingrediente valorizado sobretudo na culinária japonesa. Seu sabor é terroso, levemente adocicado e discretamente adstringente, com textura crocante parecida com a da cenoura; pode ser consumida crua, cozida, frita ou em conserva.

Um prato popular é o kinpira gobô, em que a raiz é refogada com cenoura e molho de soja, mas a bardana também aparece em sopas, guisados, frituras e sukiyaki. As folhas jovens podem ser cozidas, e os talos, descascados e comidos crus ou cozidos como legume. A raiz torrada e moída ainda serve como substituto do café. Rica em fibras, vitaminas e minerais e com baixo teor calórico, a bardana se encaixa bem em dietas voltadas ao controle de peso.

Propriedades Anti-Inflamatórias e Antioxidantes

Compostos ativos da bardana, como lignanas e poliacetilenos, são estudados por sua ação anti-inflamatória, o que sustenta o uso tradicional da planta no alívio de dores articulares; ela também é estudada em contextos inflamatórios crônicos, como a artrite, ainda que sem confirmação em ensaios clínicos robustos.

A planta também se destaca pela riqueza em antioxidantes, entre eles ácidos fenólicos, quercetina e luteolina, que ajudam a neutralizar radicais livres, moléculas instáveis associadas ao estresse oxidativo, ao envelhecimento precoce e a diversas doenças crônicas. A combinação desses efeitos é um dos motivos pelos quais a bardana é vista como uma aliada do bem-estar geral quando incluída de forma equilibrada na alimentação.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Bardana

A maioria dos estudos indica poucos riscos no consumo de bardana, com exceções específicas. Pessoas alérgicas a plantas da família Asteraceae, como crisântemo, girassol e margarida, podem apresentar reações alérgicas cruzadas ao consumir a erva. Grávidas e lactantes devem consultar um médico antes de consumir a planta.

O consumo excessivo pode causar desconforto gastrointestinal, gases ou diarreia, e em grandes quantidades pode levar a irritação na pele e nos olhos; em situações raras, já foram relatados casos de convulsões e parada respiratória. Por isso, é fundamental seguir as doses tradicionais e buscar orientação profissional antes de qualquer uso terapêutico regular.

Perguntas Frequentes sobre a Bardana

Para Que Serve o Chá de Bardana?

O chá de bardana tem uso tradicional como depurativo e diurético, associado à purificação do sangue e à eliminação de toxinas. Também é usado popularmente no cuidado da pele com tendência a acne e no alívio de dores articulares, sempre como complemento e nunca como substituto de tratamento médico.

A Bardana Serve para Picada de Aranha?

Não. Picadas de aranhas peçonhentas são emergência médica e exigem atendimento hospitalar imediato, já que podem necessitar de soro antiaracnídico; nenhuma preparação caseira de bardana substitui esse atendimento.

Quem Tem Alergia a Girassol Pode Usar Bardana?

Deve ter cautela, já que a bardana pertence à mesma família botânica (Asteraceae) e pode causar reações alérgicas cruzadas.

A Bardana Fresca Pode Ser Usada no Chá?

Não é recomendado. O chá deve ser preparado com a planta seca, já que a forma fresca pode causar reações alérgicas em algumas pessoas.

Quantas Xícaras de Chá de Bardana Posso Tomar por Dia?

O uso tradicional é de uma xícara três vezes ao dia, mas o ideal é sempre consultar um profissional de saúde antes de iniciar o consumo regular.

A Bardana Pode Ajudar a Emagrecer?

Pode contribuir de forma indireta: as fibras da raiz, como a inulina, favorecem a saciedade, e a ação diurética popular ajuda a reduzir a retenção de líquidos. A bardana não substitui, porém, uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física.

Grávidas e Lactantes Podem Consumir Bardana?

Devem consultar um médico antes de consumir a planta, já que os dados de segurança para gestação e amamentação ainda são limitados.

A Raiz de Bardana Pode Substituir o Café?

Sim, quando torrada e moída, a raiz é usada popularmente como substituto do café.

Qual a Diferença Entre a Raiz e as Folhas da Bardana?

A raiz é mais rica em inulina e poliacetilenos, sendo mais associada às ações depurativa, diurética e prebiótica. As folhas concentram mais compostos amargos e antioxidantes, sendo mais usadas em cataplasmas para a pele.

A Bardana Tem Efeitos Colaterais?

Em geral é considerada segura quando consumida com moderação, mas o uso excessivo pode causar desconforto gástrico, gases, diarreia ou reações alérgicas em pessoas sensíveis. É fundamental seguir as doses recomendadas e observar a resposta do corpo.

Referências

12 Referências Citadas

Baseado em 12 Referências Citadas (1 Peer-Reviewed, 11 Complementares).

Ver Todas as 12 Referências Citadas

Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)

  1. PMC2011 Chan, Y. S., et al. (2011). A review of the pharmacological effects of Arctium lappa (burdock).

Leituras Complementares (11)

  1. 2024 Shyam, M., & Sabina, E. P. (2024). Harnessing the power of Arctium lappa root: a review of its pharmacological properties and therapeutic applications.
  2. 2023 Yosri, N., et al. (2023). Arctium lappa (Burdock): Insights from ethnopharmacology potential, chemical constituents, clinical studies, pharmacological utility and nanomedicine.
  3. 2002 Lin, Song-chow, et al. (2002). Hepatoprotective effects of Arctium lappa on carbon tetrachloride-and acetaminophen-induced liver damage. The American Journal of Chinese Medicine.
  4. 2011 Predes, F. S., et al. (2011). Antioxidant and in vitro antiproliferative activity of Arctium lappa root extracts.
  5. 2011 Sohn, E. H., et al. (2011). The effect of Arctium lappa on the production of inflammatory mediators in murine macrophages.
  6. 2002 Holetz, F. B., et al. (2002). Screening of some plants used in the Brazilian folk medicine for the treatment of infectious diseases.
  7. 2010 Ferracane, R., et al. (2010). Metabolic profile of the bioactive compounds of burdock (Arctium lappa) seeds, roots and leaves.
  8. 2011 Lou, Z., et al. (2011). Chemical constituents and biological activities of plants from the genus Arctium.
  9. 1995 Maruta, Y., et al. (1995). In vitro and in vivo antioxidant activity of Arctium lappa L.
  10. Duh, Pin-Der. Antioxidant activity of burdock (Arctium lappa Linne): its scavenging effect on free-radical and active oxygen. Journal of the American Oil Chemists’ Society.
  11. Zhao, Feng, Lu Wang, and Ke Liu. In vitro anti-inflammatory effects of arctigenin, a lignan from Arctium lappa L., through inhibition on iNOS pathway. Journal of Ethnopharmacology.

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