Medicina Alternativa

Vitamina B17 (Laetrile): Por Que a Amigdalina Não Trata Câncer

A vitamina B17, ou amigdalina, não cura câncer: veja o que os estudos mostram, os riscos reais de intoxicação por cianeto e por que a substância é proibida em vários países.

Por Conselho Editorial19 Min de Leitura
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Vitamina B17 - Laetrile - Amigdalina
Vitamina B17 (amigdalina) extraída de sementes de damasco (Prunus armeniaca), fonte natural estudada por suas propriedades anticancerígenas.

A chamada vitamina B17 não é uma vitamina, não trata câncer e pode envenenar quem a consome. A afirmação é categórica porque a evidência também é fechada: o maior ensaio clínico já conduzido sobre o assunto, patrocinado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos em parceria com a Mayo Clinic, acompanhou 175 pacientes e não registrou uma única resposta tumoral. Já a revisão sistemática Cochrane de 2015 concluiu que nenhum estudo controlado sustenta o uso da substância contra o câncer. Não se trata de uma planta promissora à espera de mais pesquisa, e sim de uma fraude comercial documentada, com décadas de histórico e casos graves de intoxicação por cianeto.

Ainda assim, o nome continua circulando em vídeos, grupos de mensagem e lojas online que vendem caroço de damasco cru como se fosse um superalimento. Este artigo separa o que costuma aparecer misturado nesse assunto: a química real da amigdalina, que é um fato botânico legítimo; a teoria e a alegação de que ela trata câncer, que são falsas; e a segurança alimentar das sementes que a contêm, um problema concreto de saúde pública, sobretudo onde há crianças em casa.

Sumário do Artigo
  1. O Que São Amigdalina, Laetrile e Vitamina B17
  2. Como a Amigdalina Vira Cianeto Dentro do Corpo
  3. Fontes Naturais de Amigdalina na Alimentação
  4. A Teoria por Trás do Laetrile Contra o Câncer
  5. O Que a Ciência Mostra Sobre Laetrile e Câncer
  6. Riscos e Sinais de Intoxicação por Cianeto
  7. Sementes, Caroços e Amêndoas Amargas na Alimentação
  8. Por Que Nenhuma Agência Regulatória Aprova o Laetrile
  9. Alternativas Seguras e Comprovadas Contra o Câncer
  10. Perguntas Frequentes sobre Vitamina B17 e Amigdalina

O Que São Amigdalina, Laetrile e Vitamina B17

Os três nomes circulam como se fossem produtos diferentes, mas na prática designam o mesmo assunto sob rótulos distintos. A amigdalina é um composto natural da classe dos glicosídeos cianogênicos, presente nas sementes de diversas frutas; foi isolada pela primeira vez em 1830, pelos químicos franceses Pierre-Jean Robiquet e Antoine François Boutron-Charlard, a partir de sementes de amêndoa amarga, o que explica a origem do nome. Laetrile foi o nome dado por Ernst T. Krebs Jr. a uma versão semissintética patenteada, apresentada como uma forma menos tóxica. Vitamina B17 foi o rótulo de marketing criado depois para o mesmo material. Boa parte do que foi vendido como laetrile ao longo das décadas era, na prática, simples amigdalina extraída de caroços, sem qualquer padronização; por isso, este texto trata os três termos como sinônimos.

A Diferença Entre Amigdalina Natural e Laetrile Sintético

A distinção formal existe. A amigdalina é a molécula natural, formada pela união de duas unidades de glicose com um grupo benzaldeído e um grupo de cianeto de hidrogênio. O laetrile, descrito na patente como D-mandelonitrila-beta-glucuronídeo, é uma versão modificada em laboratório que os promotores da substância afirmavam liberar cianeto apenas dentro das células cancerígenas. Essa alegação nunca foi comprovada. Na prática, o organismo humano processa as duas formas de maneira semelhante, e o risco de intoxicação por cianeto persiste em qualquer uma delas.

A História da Fraude, de Krebs aos Anos 1970

A origem comercial remonta aos anos 1920, em São Francisco, quando Ernst Krebs pai preparou um extrato de caroço de damasco. Cerca de trinta anos depois, seu filho formulou a versão semissintética que batizou de laetrile e passou a apresentar como menos tóxica. O rebatismo como vitamina B17 veio em seguida e deu origem a um movimento que explodiu nos anos 1970, com clínicas, comitês de defesa da liberdade de escolha terapêutica e um comércio internacional de cápsulas.

O Caso Steve McQueen

Entre os episódios mais conhecidos está o do ator Steve McQueen, diagnosticado em dezembro de 1979 com mesotelioma, câncer agressivo que atinge a membrana de revestimento dos pulmões. Ele recorreu ao laetrile, entre outras terapias não convencionais, em uma clínica no México ao longo de 1980, e morreu em novembro daquele ano, após uma cirurgia em Juárez. O caso teve enorme repercussão e ajudou a transformar a substância em símbolo popular de esperança, ainda que o desfecho tenha sido exatamente o oposto disso.

Depois do ensaio clínico de 1982, detalhado adiante, o movimento perdeu força. O produto, porém, nunca desapareceu: continua sendo vendido pela internet e em clínicas informais, agora sem sequer a fachada de respeitabilidade que teve nos anos 1970, e sem nenhuma garantia de composição.

Como a Amigdalina Vira Cianeto Dentro do Corpo

Na natureza, a função da amigdalina não tem nada de terapêutica: é um mecanismo de defesa química da planta contra animais que comem suas sementes. Quando a semente é mastigada ou triturada, o tecido vegetal se rompe e a molécula começa a se quebrar, passando por um intermediário chamado mandelonitrilo até liberar cianeto de hidrogênio. O amargor intenso serve como aviso, e o veneno serve como punição.

Duas rotas fazem esse trabalho no organismo humano. A primeira são as próprias enzimas da semente, ativadas no momento em que ela é mastigada. A segunda, e mais importante, é a microbiota intestinal, que hidrolisa a molécula ao longo da digestão. Daí vem um detalhe contraintuitivo e decisivo para entender o risco: a via oral é mais tóxica que a injetável, exatamente porque o intestino funciona como uma fábrica de conversão. Comprimidos, cápsulas e sementes moídas expõem a pessoa a muito mais cianeto do que a mesma dose aplicada por injeção, o oposto do que costuma ser dito por quem vende o produto.

O cianeto liberado bloqueia a enzima que permite às células usar oxigênio na respiração celular. O resultado é uma asfixia química: o sangue continua carregando oxigênio, mas os tecidos deixam de conseguir aproveitá-lo. Cérebro e coração sentem o efeito primeiro, e em quadros graves a evolução é rápida, com convulsões, coma e morte. Existem relatos publicados de intoxicações sérias e de óbitos associados ao consumo de amigdalina e de sementes cruas, incluindo casos em crianças.

Fontes Naturais de Amigdalina na Alimentação

A amigdalina está presente em mais de mil espécies vegetais, em concentrações que variam enormemente conforme a planta, a variedade e as condições de cultivo. As fontes mais concentradas pertencem ao gênero Prunus e a parentes próximos da família das rosáceas:

  • Ameixa, no caroço interno
  • Amêndoa amarga, variedade distinta da amêndoa doce de consumo comum
  • Cereja, no caroço interno
  • Damasco, na semente que fica dentro do caroço duro
  • Maçã, nas sementinhas escuras do miolo
  • Pêssego, na semente que fica dentro do caroço duro

Outros alimentos contêm traços da substância, geralmente em quantidades baixas o suficiente para não representar risco dentro de uma dieta variada:

  • Brotos de alfafa e de feijão
  • Castanha de caju e macadâmia
  • Feijão-fava, feijão-mungo e grão-de-bico
  • Milheto e sorgo

O consumo moderado desses itens em uma dieta equilibrada não costuma representar risco. O perigo concentra-se nas fontes de maior teor, sobretudo nas sementes de damasco, detalhadas mais adiante.

A Teoria por Trás do Laetrile Contra o Câncer

Ernst T. Krebs Jr. defendia que o câncer seria uma espécie de doença de carência, causada pela falta da suposta vitamina B17. A partir dessa ideia, ele propôs um mecanismo aparentemente sofisticado: células cancerígenas seriam ricas em uma enzima chamada beta-glicosidase, capaz de quebrar a amigdalina e liberar cianeto diretamente dentro do tumor; células saudáveis, por sua vez, teriam em abundância outra enzima, a rodanese, capaz de neutralizar o cianeto e convertê-lo em tiocianato, substância bem menos tóxica. O resultado seria uma espécie de quimioterapia seletiva e natural.

Krebs reforçou a teoria com a chamada hipótese trofoblástica do câncer, segundo a qual células tumorais seriam, na verdade, células trofoblásticas (o tipo de célula que forma a placenta na gravidez) surgindo fora de lugar. Nenhuma das duas ideias resistiu ao escrutínio científico. A oncologia moderna entende o câncer como um processo de mutações genéticas e alterações em vias de sinalização celular, não como uma célula normal perdida no organismo, e a seletividade prometida pela dupla beta-glicosidase/rodanese nunca foi demonstrada em pessoas.

Por Que Matar Células em Laboratório Não É Tratar Câncer

Estudos de laboratório com células cultivadas em placa mostram, de fato, que a amigdalina pode reduzir a viabilidade de células tumorais. O problema é que ela reduz igualmente a viabilidade das células saudáveis usadas como controle: a seletividade prometida pela teoria simplesmente não aparece. As células, ali, estão sendo envenenadas com cianeto, e cianeto mata qualquer célula viva, tumoral ou saudável. Água sanitária também elimina células cancerígenas em uma placa de laboratório, e ninguém propõe bebê-la.

O que distingue um medicamento oncológico de um veneno genérico é a capacidade de atingir o tumor sem destruir o paciente no caminho, algo que só um ensaio clínico bem conduzido consegue demonstrar. No caso da amigdalina, esse teste foi feito, com recursos públicos e em instituições de primeira linha, e o resultado foi negativo.

O Que a Ciência Mostra Sobre Laetrile e Câncer

Moertel e colaboradores publicaram o estudo decisivo no New England Journal of Medicine, em 1982. Foram 175 pacientes com câncer tratados com amigdalina, em um protocolo desenhado a partir das próprias recomendações dos defensores da substância. O resultado não deixou espaço para interpretação: nenhuma resposta tumoral, nenhum ganho de sobrevida e nenhuma melhora de sintomas. Vários participantes, além disso, apresentaram níveis sanguíneos de cianeto na faixa tóxica.

Mais de três décadas depois, Milazzo e Horneber reuniram toda a literatura disponível em uma revisão Cochrane publicada em 2015. A conclusão foi que nenhum ensaio clínico randomizado ou quase randomizado sustenta o uso de laetrile ou amigdalina no tratamento do câncer. Em contrapartida, o risco de intoxicação por cianeto é real, maior pela via oral e agravado tanto pelo uso concomitante de vitamina C quanto pela deficiência de vitamina B12. O resumo do National Cancer Institute e o material de referência do Memorial Sloan Kettering Cancer Center seguem a mesma direção: ausência de atividade anticâncer comprovada em seres humanos, com risco documentado de toxicidade.

Nenhuma pessoa em tratamento oncológico deve interromper ou substituir a terapia prescrita por causa da vitamina B17. Toda decisão sobre o tratamento precisa ser conversada com o oncologista responsável.

Riscos e Sinais de Intoxicação por Cianeto

Alguns fatores agravam o risco de intoxicação e merecem atenção especial de quem frequenta o universo dos suplementos:

  • Coingestão de vitamina C em doses altas, que aumenta a conversão da amigdalina em cianeto ao reduzir as reservas de cisteína, aminoácido usado pelo corpo na desintoxicação
  • Consumo por via oral, que é a rota de maior liberação de cianeto
  • Deficiência de vitamina B12, mais frequente em dietas estritamente vegetarianas sem suplementação, que reduz a capacidade de neutralizar o cianeto
  • Gravidez e amamentação, já que o cianeto atravessa a placenta e também pode ser excretado no leite materno
  • Produtos vendidos informalmente pela internet, sem controle de qualidade, cuja concentração real é desconhecida

A intoxicação costuma evoluir rápido, e reconhecê-la cedo faz diferença. Os sinais abaixo aparecem em ordem de progressão do quadro, dos primeiros aos mais graves:

  • Dor de cabeça, tontura, náusea e vômito
  • Fraqueza intensa e sensação de falta de ar mesmo em repouso
  • Confusão mental e agitação
  • Dificuldade respiratória evidente
  • Alteração dos batimentos cardíacos e queda de pressão
  • Convulsões
  • Perda de consciência e coma

Diante de suspeita de intoxicação após ingestão de sementes amargas, caroços triturados ou produtos com amigdalina, ligue imediatamente para o 192 (SAMU) ou para o Disque-Intoxicação 0800 722 6001 (rede de Centros de Informação e Assistência Toxicológica), ou leve a pessoa ao pronto-socorro mais próximo. Leve junto a embalagem ou uma amostra do que foi consumido, porque isso acelera o diagnóstico. Não espere os sintomas piorarem e não tente induzir vômito por conta própria.

Sementes, Caroços e Amêndoas Amargas na Alimentação

Os Limites da EFSA para Sementes de Damasco Cruas

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos avaliou em 2016 o risco agudo dos glicosídeos cianogênicos em sementes de damasco cruas e estabeleceu uma dose aguda de referência de 20 microgramas de cianeto por quilo de peso corporal. Para um adulto de 60 quilos, isso corresponde a cerca de 1,2 miligrama. Como uma semente amarga de damasco contém aproximadamente 0,5 miligrama de cianeto, bastam cerca de duas a três sementes para ultrapassar esse patamar.

Convém entender o que essa referência significa. A dose aguda de referência marca o limite considerado seguro para efeitos agudos; ultrapassá-la não equivale a um envenenamento fatal. A dose letal de cianeto é bem maior, da ordem de 0,5 a 3,5 miligramas por quilo de peso corporal, e esse número se refere ao cianeto puro, não a uma contagem de sementes. Nenhum leitor deve usar esses valores para calcular quantas sementes seriam seguras, porque o teor varia enormemente entre variedades, safras e lotes, e porque não existe benefício algum a ser obtido do outro lado dessa conta.

Por Que o Risco É Muito Maior em Crianças

A conta acima depende do peso corporal, e é aí que mora o perigo doméstico. Uma criança pequena pesa uma fração do adulto, de modo que menos de uma semente amarga já pode exceder o limite proporcional de referência. Crianças também tendem a mastigar bem o que colocam na boca, o que ativa justamente a enzima responsável por liberar o cianeto. Por isso, sementes e caroços de damasco, pêssego, ameixa e cereja não devem ficar ao alcance delas, muito menos ser oferecidos como petisco.

Merece alerta específico a moda dos snacks de caroço de damasco cru, vendidos em lojas de produtos naturais e em marketplaces com apelo de superalimento. O rótulo natural não diz nada sobre segurança, e neste caso ele encobre a fonte alimentar mais concentrada de amigdalina disponível no varejo.

Amêndoa Doce, Amêndoa Amarga e Sementes de Maçã

A amêndoa que se compra no supermercado é a variedade doce, com teor baixíssimo de amigdalina, e seu consumo é seguro. A amêndoa amarga é outra coisa: tem concentração elevada da substância, sabor marcadamente amargo e não deve ser consumida livremente. Quando aparece em preparações culinárias tradicionais, é em quantidade mínima e em produtos que passam por processamento capaz de reduzir o composto.

Quanto às sementes de maçã, a preocupação é bem menor do que circula nas redes. Engolir uma ou duas sementes inteiras ao comer a fruta não representa risco relevante, porque a casca dura atravessa o trato digestivo praticamente intacta e libera pouquíssimo cianeto. O quadro muda quando alguém acumula e tritura sementes de propósito, seja no liquidificador, seja mastigando um punhado delas, prática que não traz ganho nenhum e cria um risco desnecessário.

Por Que Nenhuma Agência Regulatória Aprova o Laetrile

A FDA, agência sanitária dos Estados Unidos, nunca aprovou a substância e proíbe sua importação e venda interestadual para tratamento de câncer desde os anos 1970. A disputa chegou à Suprema Corte no caso United States v. Rutherford, julgado em 1979, quando se decidiu que o laetrile não está isento das exigências federais de segurança e eficácia, nem mesmo quando destinado a pacientes terminais. O argumento de que quem não tem mais nada a perder deveria poder usar qualquer coisa foi rejeitado no mais alto tribunal norte-americano.

Na União Europeia, a Agência Europeia de Medicamentos também não autorizou o laetrile ou a amigdalina para uso medicinal, e autoridades de saúde de países como Alemanha, França e Reino Unido alertam o público sobre os riscos. No Brasil, a vitamina B17 não tem registro sanitário na Anvisa: qualquer produto oferecido com esse nome, em cápsula, comprimido ou ampola, circula à margem do controle regulatório, o que significa origem desconhecida, dose desconhecida e ausência de qualquer verificação de pureza.

Mesmo com as proibições, a substância continua sendo vendida pela internet e em clínicas informais, quase sempre rotulada como suplemento alimentar. É uma área cinzenta que se sustenta na desinformação e na vulnerabilidade de pacientes em busca de esperança, e que reforça por que a decisão de tratamento deve passar sempre por um oncologista.

Alternativas Seguras e Comprovadas Contra o Câncer

A oncologia moderna reúne opções terapêuticas construídas sobre décadas de pesquisa rigorosa. A quimioterapia usa medicamentos que circulam pelo corpo para destruir células cancerígenas; a radioterapia emprega radiação de alta energia para atingir tumores localizados; as terapias-alvo miram características moleculares específicas do tumor, com menos dano às células saudáveis; e a imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir as células malignas. A cirurgia, por sua vez, continua sendo capaz de remover tumores sólidos por completo, sobretudo quando o diagnóstico é precoce.

Na maioria dos casos, o tratamento mais eficaz combina mais de uma dessas frentes, definidas por uma equipe multidisciplinar de oncologistas, cirurgiões e radioterapeutas. É essa equipe, e não um vídeo ou uma loja online, quem deve orientar qualquer decisão sobre o tratamento do câncer.

Perguntas Frequentes sobre Vitamina B17 e Amigdalina

A Vitamina B17 Cura Câncer?

Não. Nenhum ensaio clínico jamais demonstrou benefício, e o maior estudo já feito, com 175 pacientes, não encontrou uma única resposta tumoral.

A Amigdalina Tem Algum Efeito Contra Tumores em Pessoas?

Não. A revisão sistemática Cochrane de 2015 e o resumo do National Cancer Institute são convergentes: não há atividade anticâncer em seres humanos, e há risco documentado de intoxicação por cianeto.

A Vitamina B17 É Realmente uma Vitamina?

Não é vitamina, e nunca foi. O nome surgiu como estratégia comercial e regulatória: não existe doença causada por falta de amigdalina, critério básico para classificar qualquer substância como vitamina.

Quantas Sementes de Damasco São Perigosas?

Para um adulto de 60 quilos, cerca de duas a três sementes amargas já ultrapassam a dose aguda de referência da EFSA. Para uma criança pequena, menos de uma semente pode exceder o limite proporcional. Como o teor varia muito entre lotes, não existe quantidade recomendável.

Engolir Semente de Maçã Faz Mal?

Engolir uma ou duas sementes inteiras ao comer a fruta não representa risco relevante, porque a casca dura passa quase intacta pelo intestino. Triturar sementes acumuladas, no entanto, é uma prática de risco sem nenhum benefício.

A Amêndoa Vendida no Mercado Oferece Algum Risco?

Não. A amêndoa comercial é a variedade doce, com teor baixíssimo de amigdalina. A amêndoa amarga é que concentra a substância e não deve ser consumida livremente.

Tomar Vitamina C Junto com Amigdalina Aumenta o Perigo?

Sim. Doses altas de vitamina C aumentam a conversão da amigdalina em cianeto, por reduzirem as reservas de cisteína usadas na desintoxicação. A combinação é especialmente comum entre quem usa vários suplementos ao mesmo tempo.

A Forma Injetável É Mais Segura Que a Cápsula?

Nenhuma das duas é segura nem eficaz. Ainda assim, a via oral é a mais tóxica, porque a microbiota intestinal converte a amigdalina em cianeto de maneira muito mais intensa.

A Vitamina B17 Tem Registro na Anvisa?

Não tem registro. Produtos vendidos com esse nome circulam fora do controle sanitário, sem verificação de dose, pureza ou origem.

O Que Fazer se Alguém Ingeriu Sementes Amargas ou Cápsulas de B17?

Procure atendimento de emergência imediatamente, pelo 192 ou no pronto-socorro mais próximo, mesmo que a pessoa ainda pareça bem. Leve a embalagem ou uma amostra do material consumido para orientar a equipe médica, que pode administrar antídotos específicos, como hidroxocobalamina ou o kit de nitrito e tiossulfato de sódio, quando indicado.

Referências

8 Referências Citadas

Baseado em 8 Referências Citadas (3 Peer-Reviewed, 1 Institucional, 4 Complementares).

Ver Todas as 8 Referências Citadas

Estudos Científicos Peer-Reviewed (3)

  1. DOI2016 European Food Safety Authority (EFSA). Acute health risks related to the presence of cyanogenic glycosides in raw apricot kernels and products derived from raw apricot kernels. EFSA Journal, 2016. DOI: 10.2903/j.efsa.2016.4424
  2. PEER Laetrile: a lesson in cancer quackery. CA: A Cancer Journal for Clinicians. DOI: 10.3322/canjclin.31.2.91
  3. DOI2015 Milazzo S, Horneber M. Laetrile treatment for cancer. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2015. DOI: 10.1002/14651858.CD005476.pub4

Fontes Institucionais (1)

  1. GOV National Cancer Institute. Laetrile/Amygdalin (PDQ), Health Professional Version. cancer.gov/about-cancer/treatment/cam/hp/laetrile-pdq

Leituras Complementares (4)

  1. Cancer Research UK. Laetrile (amygdalin or vitamin B17). cancerresearchuk.org
  2. Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Amygdalin. mskcc.org/cancer-care/integrative-medicine/herbs/amygdalin
  3. 1982 Moertel CG, et al. A clinical trial of amygdalin (laetrile) in the treatment of human cancer. New England Journal of Medicine, 1982;306(4):201-206. DOI: 10.1056/NEJM198201283060403
  4. 1979 United States v. Rutherford, 442 U.S. 544 (1979). Suprema Corte dos Estados Unidos.

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