Medicina Alternativa

Cloreto de Magnésio: Benefícios, Contraindicações e Riscos da Receita Caseira

O cloreto de magnésio é um mineral constituído por cloro e magnésio e desenvolve um papel importante para a manutenção da saúde e bem-estar.

Por Conselho Editorial21 Min de Leitura
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Magnésio
Alimentos fontes de magnésio (Mg): oleaginosas, leguminosas, sementes e bananas são opções naturais para suprir as necessidades do mineral no organismo.

O cloreto de magnésio é um sal inorgânico obtido da água do mar e de salmouras naturais, e se tornou uma das formas mais procuradas de suplementação de magnésio no Brasil. O interesse tem fundamento, porque o magnésio atua como cofator em centenas de reações enzimáticas e a ingestão média da população costuma ficar abaixo das recomendações.6 O que não tem fundamento é a parte que circula junto: receitas caseiras repassadas sem contexto e promessas de tratamento que a pesquisa não sustenta.

Este artigo reúne o que os estudos disponíveis mostram, o que a monografia aprovada pela ANVISA define como contraindicação formal8 e um dado brasileiro pouco divulgado sobre a qualidade dos produtos vendidos por aqui.9 Nada do que está escrito abaixo substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Cloreto de Magnésio
  2. Funções do Magnésio no Organismo
  3. Benefícios Estudados do Magnésio
  4. Contraindicações Formais e Quem Não Deve Usar
  5. Efeitos Colaterais e Interações Medicamentosas
  6. A Receita Caseira e os Riscos da Autodosagem
  7. O Que a Fiocruz Encontrou nos Produtos Brasileiros
  8. Alegações sem Respaldo na Evidência Disponível
  9. Outras Formas de Magnésio
  10. Fontes Alimentares de Magnésio
  11. Perguntas Frequentes

O Que É o Cloreto de Magnésio

Quimicamente, trata-se do sal formado por um íon de magnésio e dois de cloro, representado pela fórmula MgCl2. Ele é extraído sobretudo pela evaporação controlada da água do mar e de salmouras, e sua característica mais aproveitada no uso oral é a alta solubilidade em água, que permite apresentá-lo tanto em cápsulas quanto em solução.

A sigla P.A., de “Para Análise”, aparece com destaque nas embalagens vendidas para consumo e costuma ser lida como um selo de qualidade alimentar. Ela descreve um grau de pureza definido para uso laboratorial e informa sobre o teor de impurezas do reagente, o que não é a mesma coisa que atestar adequação para ingestão humana. Um produto destinado ao consumo precisa ser regularizado como suplemento alimentar, com controle de qualidade documentado, fabricante identificado e lote rastreável. Essa diferença deixa de parecer detalhe burocrático quando se observa o que uma análise brasileira já encontrou nesse segmento.9

Funções do Magnésio no Organismo

O corpo humano não produz magnésio, de modo que todo o estoque disponível vem da alimentação ou da suplementação. Cerca de 60% desse estoque fica depositado nos ossos, e o restante se distribui entre músculos e tecidos moles, com uma fração pequena no sangue, o que ajuda a explicar por que a dosagem sérica isolada nem sempre reflete o status real do mineral no organismo.6

Entre os processos que dependem dele estão a condução nervosa, a contração muscular, a produção de energia celular na forma de ATP, a síntese de proteínas e de DNA e o transporte de cálcio e potássio através das membranas celulares.6 No sistema nervoso central, o magnésio modula os receptores NMDA e funciona como uma espécie de freio para a excitação neuronal excessiva. É desse mecanismo que nasce a fama de mineral do relaxamento, e é dele também que partem boa parte dos exageros comerciais.

Benefícios Estudados do Magnésio

A literatura sobre magnésio é extensa, mas desigual. Há áreas com ensaios clínicos randomizados e meta-análises, e há áreas em que a evidência não passa de observação epidemiológica ou de hipótese mecanicista. As seções a seguir separam uma coisa da outra, porque o tamanho da promessa deveria acompanhar o tamanho da prova.

Cãibras e Desempenho no Exercício

O magnésio compete com o cálcio nos sítios de ligação da fibra muscular e participa do relaxamento que sucede cada contração, o que torna plausível a associação entre níveis baixos do mineral e cãibras. A revisão sobre magnésio e exercício descreve perdas do mineral pelo suor e pela urina em atletas e discute a relação entre status de magnésio e desempenho físico.2 A evidência clínica de que suplementar resolve cãibras, porém, é mista: parte dos estudos mostra benefício, parte não mostra diferença em relação ao placebo, e os resultados tendem a ser mais favoráveis em quem já apresentava ingestão insuficiente. Cãibras acompanhadas de fraqueza, frequentes ou persistentes merecem investigação médica, já que têm várias causas possíveis além do magnésio.

Controle Glicêmico no Diabetes Tipo 2

Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados e duplo-cegos avaliou a suplementação oral de magnésio em pessoas com diabetes tipo 2 e observou redução modesta da glicemia de jejum, sem efeito consistente sobre a hemoglobina glicada nos períodos estudados.5 Existe também um ensaio clínico com adultos que reuniam diabetes, hipertensão e magnésio sérico baixo, mas ele mediu pressão arterial, e não glicemia, de modo que os dois achados respondem a perguntas diferentes e não devem ser somados.1

Esse conjunto só se sustenta como estratégia complementar avaliada individualmente por médico, e nunca como substituto do tratamento antidiabético prescrito. Magnésio não previne diabetes, não cura diabetes e não autoriza ninguém a reduzir ou interromper metformina, insulina ou qualquer outro medicamento. Quem convive com a doença e cogita suplementar deve levar a proposta ao profissional que acompanha o caso, porque a decisão depende de exames, da função renal e do restante do esquema terapêutico.

Pressão Arterial e Risco Cardiovascular

Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo testou a suplementação com cloreto de magnésio em adultos que reuniam três características simultâneas: diabetes, hipertensão e magnésio sérico baixo. Nesse grupo específico, houve redução da pressão sistólica e da diastólica em comparação ao placebo.1 Uma revisão sobre magnésio e doença cardiovascular discute o papel do mineral na função vascular e na estabilidade elétrica do coração, e aponta a deficiência subclínica como um fator ainda subestimado.7

O que esse conjunto não autoriza é a leitura de que cloreto de magnésio baixa a pressão de qualquer pessoa. O resultado veio de uma população com deficiência documentada do mineral, e corrigir uma deficiência é diferente de tratar hipertensão. Quem faz uso de anti-hipertensivos não deve alterar dose, trocar horário ou suspender medicação por conta de suplementação, decisão que cabe exclusivamente ao médico que acompanha o quadro.

Saúde Óssea e Osteoporose

O magnésio participa da mineralização óssea junto com o cálcio e a vitamina D, influencia a atividade de osteoblastos e osteoclastos e integra a regulação hormonal que orienta onde o cálcio será depositado.4 Ingestão cronicamente baixa figura entre os fatores associados à perda de densidade óssea, e a absorção intestinal do mineral tende a diminuir com o avanço da idade.4

Ainda assim, o magnésio é um fator entre vários, não um tratamento. Osteoporose diagnosticada exige acompanhamento médico específico, que costuma combinar aporte adequado de cálcio e vitamina D, avaliação de densitometria, exercício com carga e, em muitos casos, medicação de prescrição. Trocar esse conjunto por uma solução caseira significa deixar uma doença silenciosa e progressiva sem o cuidado que ela requer.

Estresse e Ansiedade

Esta é a área em que a distância entre o discurso popular e a evidência é maior. Uma revisão sistemática reuniu os estudos disponíveis sobre suplementação de magnésio e desfechos de ansiedade e estresse subjetivos, e concluiu que os resultados são sugestivos, mas apoiados em pesquisas heterogêneas, com amostras pequenas, instrumentos de medida variados e qualidade metodológica limitada, o que impede conclusões firmes.3

Na prática, o que existe é pesquisa preliminar sobre esse efeito, sem consenso, e a afirmação de que magnésio melhora sintomas depressivos não pode ser apresentada como fato estabelecido. Ansiedade e depressão são condições clínicas com tratamento próprio, e nenhum suplemento substitui acompanhamento psiquiátrico ou psicológico. Interromper medicação psiquiátrica por conta própria, apostando em magnésio, é uma decisão com risco real de recaída.

Contraindicações Formais e Quem Não Deve Usar

A monografia oficial do cloreto de magnésio aprovada pela ANVISA em 05 de novembro de 2014 estabelece contraindicações formais, que não são sugestões de cautela, e sim situações em que o produto não deve ser usado.8 A lista abaixo reúne essas condições e outras reconhecidas como críticas para suplementação de magnésio.

  • Diarreia crônica, porque o efeito laxativo osmótico do sal agrava a perda de líquidos e eletrólitos.
  • Distúrbios gastrointestinais agudos, quadro em que a irritação da mucosa e o desconforto tendem a piorar.
  • Doença cardíaca, incluindo bloqueio atrioventricular, pela influência do magnésio sobre a condução elétrica do coração.
  • Insuficiência renal, condição em que os rins perdem a capacidade de excretar o excesso do mineral e o acúmulo pode evoluir para hipermagnesemia, quadro grave que cursa com alterações do ritmo cardíaco, depressão respiratória, fraqueza muscular e queda de pressão.
  • Miastenia gravis, doença neuromuscular na qual o magnésio pode acentuar a fraqueza muscular característica.
  • Úlcera gástrica, pelo contato direto do sal com uma mucosa já lesionada.

Duas dessas condições merecem atenção redobrada por serem silenciosas nas fases iniciais. A insuficiência renal costuma avançar sem sintoma perceptível até estágios já comprometidos, e boa parte das pessoas que a tem não sabe. A doença cardíaca com alteração de condução também pode passar despercebida sem eletrocardiograma. Por esse motivo, uma avaliação com exames antes de iniciar suplementação regular não é excesso de zelo, e sim o único jeito de saber se alguma dessas contraindicações se aplica. Crianças, gestantes, lactantes e pessoas em uso contínuo de medicamentos também precisam de orientação individualizada antes de qualquer suplementação.

Efeitos Colaterais e Interações Medicamentosas

O efeito adverso mais comum do cloreto de magnésio é gastrointestinal e decorre da ação osmótica do sal no intestino, que puxa água para a luz intestinal. Cólicas abdominais, diarreia e náuseas costumam surgir quando a quantidade ingerida ultrapassa o que aquele organismo tolera. Tomar o suplemento junto às refeições reduz o desconforto em parte das pessoas, mas diarreia persistente é sinal de que a quantidade está inadequada e de que o caso precisa ser reavaliado por quem prescreveu.

No campo das interações, o magnésio reduz a absorção de bifosfonatos usados no tratamento da osteoporose e de antibióticos da classe das tetraciclinas, o que exige espaçamento entre os horários conforme orientação médica ou farmacêutica. Alguns medicamentos cardíacos, diuréticos e inibidores da bomba de prótons também alteram o equilíbrio do mineral, ora aumentando as perdas, ora favorecendo o acúmulo. A regra prática que evita a maior parte dos problemas é simples: informar ao médico e ao farmacêutico todos os suplementos em uso, inclusive os que parecem inofensivos por serem vendidos sem receita.

A Receita Caseira e os Riscos da Autodosagem

Circula há anos no Brasil, em sites, vídeos e grupos de mensagem, uma fórmula fixa de solução caseira, montada em torno de cerca de 33 gramas de cloreto de magnésio P.A. por litro de água e de um consumo diário na casa dos 50 ml. Este artigo descreve a prática porque ela é amplamente repassada, não porque a recomende, e não traz instrução de preparo nem endosso à autodosagem nesse formato. Os números fechados dão à fórmula aparência de protocolo validado, e é essa aparência que não resiste ao exame.

Dois problemas concretos pesam contra a autodosagem nesse formato, e nenhum deles depende de má fé de quem repassa a receita.

O primeiro é que a monografia aprovada pela ANVISA lista contraindicações formais para o cloreto de magnésio, e quem prepara a solução em casa dificilmente as verifica antes de começar.8 Uma pessoa com função renal reduzida e ainda sem sintomas pode manter o hábito por meses sem saber que seu organismo não está eliminando o excesso do mineral, exatamente o cenário que abre caminho para a hipermagnesemia.

O segundo é a fragilidade do controle de qualidade no segmento, tema da seção seguinte. Uma análise brasileira de cápsulas de cloreto de magnésio encontrou diferenças enormes entre o magnésio declarado no rótulo e o magnésio efetivamente presente.9 O estudo avaliou cápsulas, e não o pó vendido a granel, mas o achado expõe uma falha de controle no mesmo mercado que abastece a receita caseira, e não há motivo para presumir que o insumo em pó esteja imune a ela. Numa faixa dessa amplitude, a mesma medida caseira pode entregar quantidades bem diferentes do mineral conforme a origem do produto, e quem prepara a solução não tem como saber em qual das pontas caiu.

Existe ainda uma questão que a receita padronizada ignora por definição. A necessidade de magnésio varia conforme composição da dieta, função renal, idade, medicamentos em uso, motivo pelo qual a suplementação foi cogitada e presença de doenças crônicas. Definir quanto uma pessoa específica precisa é tarefa de médico ou nutricionista com acesso a exames, e essa avaliação faz ainda mais diferença em soluções concentradas, nas quais um pequeno excesso de volume representa uma variação significativa.

O Que a Fiocruz Encontrou nos Produtos Brasileiros

Um estudo conduzido pela Fiocruz, por meio do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, analisou cápsulas de suplemento alimentar à base de cloreto de magnésio comercializadas no Brasil e verificou o teor real de magnésio frente ao valor declarado nas embalagens. Os resultados mostraram desvios de qualidade expressivos, com teores variando de 13,35% a 96,31% do que o rótulo informava.9

A amplitude desse intervalo tem duas consequências práticas opostas, e ambas prejudicam o consumidor. Na ponta baixa, alguém que suplementa acreditando corrigir uma deficiência pode estar ingerindo uma fração do que imagina, mantendo o problema sem solução e a falsa sensação de estar cuidando dele. Na ponta alta, quem calcula a quantidade a partir do rótulo pode ingerir bem mais magnésio do que planejou, com risco aumentado de efeitos adversos e, em quem tem função renal comprometida, de acúmulo perigoso.

O achado desloca o eixo do problema. O risco da suplementação de cloreto de magnésio no Brasil não vem apenas do uso incorreto por parte de quem consome, mas também de falhas de qualidade do produto que chega às mãos dessa pessoa. É um argumento adicional para preferir produtos de fabricantes regularizados, com lote e validade legíveis, origem verificável e registro ou notificação junto à ANVISA, e para tratar com desconfiança embalagens genéricas vendidas sem essas informações.

Alegações sem Respaldo na Evidência Disponível

Nem toda afirmação repetida sobre o cloreto de magnésio encontra sustentação nos estudos. A ideia de que a suplementação combate infecções, fortalece o sistema imunológico ou otimiza a função das células de defesa aparece com frequência em materiais de divulgação, mas não é sustentada pelas referências que embasam este artigo. O magnésio participa de processos celulares que incluem a resposta imune, como participa de centenas de outros, e daí não decorre que suplementá-lo em quem já tem aporte adequado produza qualquer benefício imunológico mensurável.

O mesmo vale para promessas de cura de doenças crônicas, de desintoxicação do organismo e de emagrecimento. Corrigir uma deficiência real de magnésio pode melhorar sintomas ligados a essa deficiência, o que é bem diferente de tratar as condições que os anúncios costumam listar. Quando um produto promete resolver muitos problemas distintos de uma vez, a promessa em si já é o sinal de alerta.

Outras Formas de Magnésio

O cloreto não é a única opção disponível, e as formas se distinguem sobretudo por biodisponibilidade, intensidade do efeito laxativo e tolerância digestiva. A escolha entre elas faz parte da orientação profissional, porque depende do objetivo e da sensibilidade individual.

  • O citrato de magnésio tem boa biodisponibilidade e efeito laxativo leve, característica que costuma pesar na escolha para quem também lida com intestino preso.
  • O glicinato de magnésio, também chamado de bisglicinato, é quelado com o aminoácido glicina, apresenta boa absorção e é uma das formas mais suaves para o estômago, motivo pelo qual aparece com frequência quando o desconforto digestivo limita as demais.
  • O malato de magnésio combina o mineral com o ácido málico, participante do ciclo de Krebs, e é a forma mais associada a protocolos voltados a fadiga, embora essa associação venha mais do mecanismo proposto do que de evidência clínica robusta.
  • O óxido de magnésio é o mais barato e o mais encontrado nas prateleiras, tem baixa biodisponibilidade e forte efeito laxativo, o que o torna mais útil como laxante de curto prazo do que como estratégia para corrigir deficiência.

Fontes Alimentares de Magnésio

Antes de considerar qualquer suplemento, olhar para o prato costuma render mais do que parece. O magnésio está distribuído em alimentos comuns da mesa brasileira, e uma dieta variada cobre a necessidade da maioria das pessoas sem risco de excesso, porque o organismo regula bem a absorção do mineral vindo da comida.

  • Grãos integrais e chocolate amargo entram na conta com aveia, farelo de trigo, quinoa e trigo sarraceno, e com o chocolate a partir de 70% de cacau, que concentra bem mais magnésio do que as versões ao leite.
  • Leguminosas fornecem quantidades relevantes, com destaque para feijões, grão-de-bico, lentilhas e soja em suas preparações, incluindo edamame e tofu.
  • Sementes e oleaginosas estão entre as fontes mais concentradas, e a lista inclui abóbora, amêndoas, castanha de caju, castanha-do-pará, chia, girassol e linhaça.
  • Vegetais de folhas verdes escuras trazem o mineral ligado à molécula de clorofila, o que explica a presença consistente em acelga, couve e espinafre.

Quando a alimentação não dá conta, ou quando existe uma condição que aumenta a necessidade ou as perdas do mineral, a suplementação passa a fazer sentido. O caminho seguro para chegar até ela envolve avaliação clínica, exames quando indicados, escolha de um produto regularizado e definição da quantidade por um profissional, nessa sequência. É mais trabalhoso do que dissolver um pó em água, e é o que separa uma decisão de saúde de uma aposta.

Perguntas Frequentes

Qual É a Diferença entre os Tipos de Magnésio?

A diferença está no composto ao qual o mineral se liga, o que altera a biodisponibilidade, o efeito laxativo e a tolerância digestiva. O citrato é bem absorvido e solta o intestino, o cloreto tem alta solubilidade, o glicinato é o mais suave para o estômago e o óxido tem baixa absorção com forte ação laxativa. A quantidade de magnésio elementar também varia entre as formas, e é esse número, não o peso total do sal, que interessa na avaliação profissional.

Cloreto de Magnésio Ajuda a Emagrecer?

Não existe evidência de que o cloreto de magnésio provoque perda de peso. O mineral participa do metabolismo energético, como participa de centenas de outros processos, e daí não decorre efeito emagrecedor. Nenhuma das referências que embasam este artigo avaliou magnésio como recurso para redução de peso, e produtos vendidos com essa promessa exploram uma associação que a pesquisa não sustenta.

Quem Não Pode Tomar Cloreto de Magnésio?

A monografia aprovada pela ANVISA contraindica o uso em casos de diarreia crônica, distúrbios gastrointestinais agudos, doença cardíaca, insuficiência renal e úlcera gástrica.8 A essa lista se somam o bloqueio atrioventricular e a miastenia gravis, condições em que o magnésio pode agravar o quadro. A insuficiência renal é a mais crítica, porque rins comprometidos não excretam o excesso e o acúmulo pode levar à hipermagnesemia. Crianças, gestantes, lactantes e pessoas em uso contínuo de medicamentos precisam de avaliação individual.

Pode Tomar Cloreto de Magnésio Todos os Dias?

Em quem não tem contraindicação e usa quantidades definidas por um profissional, o uso continuado costuma ser bem tolerado. Uso diário em solução concentrada, por conta própria e por tempo indeterminado é outra história, porque o efeito adverso mais provável é gastrointestinal e o mais grave depende de uma função renal que a pessoa pode nem saber que está prejudicada. Reavaliações periódicas com exames são o que mantém a decisão sob controle.

Quais São os Sintomas de Falta de Magnésio?

Os sinais iniciais são inespecíficos e incluem ansiedade, cãibras, fadiga, fraqueza muscular, insônia e irritabilidade, sintomas que também aparecem em dezenas de outras condições. Quadros mais avançados podem envolver alterações do ritmo cardíaco. Como a maior parte do magnésio corporal fica nos ossos e dentro das células, a dosagem sérica isolada não é um retrato completo do status do mineral, e a interpretação depende do contexto clínico.6 Autodiagnosticar deficiência a partir de sintomas genéricos é o começo do erro.

O Cloreto de Magnésio P.A. É a Melhor Opção?

A sigla P.A. indica grau de pureza analítica de reagente, não adequação alimentar por si só, e não garante que o teor do rótulo corresponda ao conteúdo da embalagem. O estudo da Fiocruz analisou cápsulas de cloreto de magnésio vendidas no país e encontrou teores de magnésio entre 13,35% e 96,31% do declarado, um retrato de como o controle de qualidade falha nesse segmento.9 O critério que realmente protege o consumidor é a procedência: fabricante regularizado, lote e validade identificáveis, produto notificado ou registrado junto à ANVISA.

Quanto Tempo Leva para Fazer Efeito?

Depende do que se espera e do ponto de partida. Sintomas ligados a uma deficiência real tendem a responder ao longo de semanas, à medida que os estoques se recompõem, e o efeito laxativo, quando ocorre, aparece em horas. Não existe prazo único, e a ausência de mudança percebida em poucos dias não é motivo para aumentar a quantidade por conta própria, conduta que troca um problema por outro.

O Magnésio Interfere na Absorção de Outros Nutrientes?

Sim, o magnésio compete por vias de absorção intestinal com cálcio, ferro e zinco, e doses altas tomadas ao mesmo tempo reduzem o aproveitamento desses minerais. Espaçar os horários ao longo do dia resolve a maior parte dessa interferência. A mesma lógica vale para medicamentos como bifosfonatos e tetraciclinas, cuja absorção diminui na presença do magnésio, e o intervalo adequado deve ser orientado por médico ou farmacêutico.

Referências

9 Referências Citadas

Baseado em 9 Referências Citadas (9 Complementares).

Ver Todas as 9 Referências Citadas
  1. 2005 Guerrero-Romero F, Rodríguez-Morán M. The effect of lowering blood pressure by magnesium supplementation in diabetic hypertensive adults with low serum magnesium levels: a randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial. Journal of Human Hypertension, 2005.
  2. 2006 Nielsen FH, Lukaski HC. Update on the relationship between magnesium and exercise. Magnesium Research, 2006.
  3. 2017 Boyle NB, Lawton C, Dye L. The Effects of Magnesium Supplementation on Subjective Anxiety and Stress: A Systematic Review. Nutrients, 2017.
  4. 2013 Castiglioni S, et al. Magnesium and osteoporosis: current state of knowledge and future research directions. Nutrients, 2013.
  5. 2006 Song Y, et al. Effects of oral magnesium supplementation on glycaemic control in Type 2 diabetes: a meta-analysis of randomized double-blind controlled trials. Diabetic Medicine, 2006.
  6. 2015 Gröber U, Schmidt J, Kisters K. Magnesium in Prevention and Therapy. Nutrients, 2015.
  7. 2018 DiNicolantonio JJ, Liu J, O’Keefe JH. Magnesium for the prevention and treatment of cardiovascular disease. Open Heart, 2018.
  8. 2014 Bula e monografia oficial de cloreto de magnésio aprovada pela ANVISA em 05/11/2014, com contraindicações formais para distúrbios gastrointestinais agudos, diarreia crônica, doença cardíaca, insuficiência renal e úlcera gástrica.
  9. Fiocruz, Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde. Estudo sobre desvios de qualidade em cápsulas de suplemento alimentar à base de cloreto de magnésio, com variação de teor de magnésio entre 13,35% e 96,31% do valor declarado nos produtos comerciais testados no Brasil.

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